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Ainda a tortura...

Óscar
13-06-2004, 12:39
Para que não continuem a dizer que foram casos isolados...

General Americano Aprovou Interrogatórios Agressivos

Domingo, 13 de Junho de 2004

Sanchez permitiu, na prisão de Abu Ghraib, no Iraque, vários métodos de tortura, como a privação do sono e o recurso a cães

O general Ricardo Sanchez, o oficial americano de maior patente no Iraque, principal comandante das forças no terreno, aprovou em Setembro uma lista de agressivas técnicas de interrogatório baseada nas tácticas usadas com os prisioneiros mantidos em Guantanamo.

De acordo com documentos ontem citados pelo "Washington Post", as ordens dadas por Sanchez em Setembro concediam uma enorme liberdade aos responsáveis pelos interrogatórios em Abu Ghraib, permitindo-lhes recorrer a cães para assustar os detidos, expô-los a temperaturas extremas, alterar-lhes os padrões de sono ou colocá-los a dietas de pão e água quando bem entendessem.

Entre Setembro e Outubro, as 32 tácticas que Sanchez autorizou podiam ser aplicadas sem que ninguém exterior à prisão fosse consultado. Um dos documentos a que o "WP" teve acesso, um memorando de 9 de Outubro ("Regras de Interrogatório de Combate"), que cada agente dos serviços secretos militares em Abu Ghraib teve de assinar, desenvolve em pormenor as tácticas aprovadas em Setembro, incluindo métodos próximos do comportamento criticado pelo investigador do exército que em Março disse ter encontrado provas de "abusos criminosos, sádicos e flagrantes" no centro de detenção dos arredores de Bagdad.

Objecções vindas do Comando Central levaram o general a remover alguns dos itens da lista a 12 de Outubro, requerendo, ao mesmo tempo, que os restantes métodos de "alta-pressão" passassem a implicar a sua aprovação directa.

Assim, a partir desta data, terão deixado de poder aplicar-se o controlo da exposição à luz, o retirar de itens religiosos aos prisioneiros e ataques ao seu orgulho. As técnicas que se mantiveram - e assim continuaram até à divulgação das fotografias de abusos que fizeram rebentar o escândalo, em Maio - vão desde a imposição de isolamento por mais de 30 dias, o uso de cães militares para provocar medo, as "posições de stress" até 45 minutos ou a manipulação da dieta.

O isolamento de longa duração, por exemplo, foi aprovado por Sanchez 25 vezes entre 12 de Outubro e Maio, quando as regras voltaram a mudar.

O memorando de 9 de Outubro refere que a lista que contém foi retirada do "Política de Interrogatório e Contraresistência" elaborado pela Combined Joint Task-7, que Sanchez dirige. A lista é quase uma cópia das possibilidades aprovadas numa série de relatórios do Pentágono sobre os métodos a usar em Guantanamo (onde, segundo Washington, os presos - combatentes ilegais - não estão protegidos pelas Convenções de Genebra), muitas das quais contradizem parâmetros do Exército. S.L..

http://jornal.publico.pt/2004/06/13/Mundo/I02.html

costarios
13-06-2004, 14:43
combatentes ilegais - não estão protegidos pelas Convenções de Genebra

Isto não faz qualquer sentido! Não podemos nos esquecer que os EUA ainda estão em guerra com o Iraque. O presidente Bush "interrompeu" as operações de guerra em larga escala, como bombardeamentos e incursões massiças de tanques e soldados, mas o estado de guerra ainda se mantem, portanto, os prisioneiros de Abu Ghraib são "prisioneiros de guerra" que, por sua vez, estão sobre a proteção da Convenção de Genebra.

Esses americanos de m%$&#!!! :mad:

Óscar
15-06-2004, 01:29
Organização diz que manter prisioneiros de guerra após a ocupação é ilegal

Cruz Vermelha: coligação deve acusar ou libertar Saddam

AFP

O Comité Internacional da Cruz Vermelha defende que a coligação deve entregar Saddam Hussein às novas autoridades iraquianas ou libertá-lo se até ao dia 30 de Junho, data prevista para a transferência da soberania no país, não apresentar o tiver acusado formalmente ao abrigo das suas leis, avança o "The Guardian".

"Se o dia 30 de Junho marca oficialmente o fim da ocupação, a coligação deverá libertar Saddam Hussein, que é um prisioneiro de guerra, a menos que o acusem antes dessa data", afirmou Nada Doumani, porta-voz da Cruz Vermelha, ao jornal britânico.

"Manter prisioneiros de guerra, detidos civis e presos por motivos de segurança depois dessa data é uma violação do direito internacional humanitário se não não for apresentada queixa contra eles ou se não estiverem a cumprir pena", acrescentou a porta-voz, citando os artigos 118 e 119 da 3ª Convenção de Genebra, referentes ao tratamento de prisioneiros de guerra.

Em alternativa, "a coligação pode transferir Saddam Hussein para as autoridades iraquianas que o poderão acusar ao abrigo das leis nacionais", acrescentou.

Segundo um acordo alcançado entre o administrador civil e o extinto Conselho de Governo iraquiano, em Dezembro do ano passado, Saddam Hussein e 44 altos dirigentes do seu regime deverão ser acusados e julgados por um tribunal especial iraquiano. Contudo, a formação deste tribunal está atrasada e nenhum dos juízes e procuradores que o vão compor foi ainda nomeado.

Até ao julgamento, a coligação - que se vai manter no Iraque após a transferência da soberania - deverá manter Saddam Hussein e os restantes antigos dirigentes sob sua custódia, em local incerto e fortemente guardado.

O ex-Presidente iraquiano foi detido no final do ano passado, nos arredores de Tikrit, a sua cidade natal, seis meses depois da queda do seu regime. Desde essa altura, Saddam foi já visitado duas vezes por delegações da Cruz Vermelha, mas o relatório da deslocação foi apenas transmitido a Washington.

http://ultimahora.publico.pt/shownews.asp?id=1196576&idCanal=15

Óscar
15-06-2004, 09:41
Imunidade para Quem?

Terça-feira, 15 de Junho de 2004

Depois dos intoleráveis abusos de Abu Ghraib, o pedido de imunidade para os mais de 20 mil civis americanos no Iraque é, no mínimo, ofensivo. O passado recente não aconselha permitir imunidades deste género para ninguém, seja civil ou militar

À medida que se aproxima o dia da tão propalada transferência de poderes no Iraque, multiplicam-se os atentados violentos, para deixar bem claro que o processo não deixará de ser banhado pelo sangue de mais e mais vítimas. Não é um impasse, é uma escalada premeditada de violência que campeia, lá onde se fez a guerra e se prometeu a liberdade. No fim-de-semana, registaram-se vinte mortos. Ontem, um atentado suicida somou-lhes mais 13. É uma espécie de contador sinistro, que não pára de acrescentar números para lá da casa dos milhares. De tal modo que quase se tornou rotina, aterradora rotina, contar os mortos dessa progressão letal que não poupa ninguém: iraquianos e não-iraquianos, civis e militares, gente envolvida com os novos poderes ou simples cidadãos alheios às trocas de influências ou às guerras de seitas, políticas ou religiosas. É óbvio que não é possível viver no Iraque, nem fazê-lo prosperar, deste modo. Mas também não é possível, com operações militares mais ou menos calculadas, afastar de vez a ameaça que diariamente sobre ele paira e que ora se corporiza num camião-bomba ou num "raide" de rebeldes amotinados. Ontem, além dos 13 mortos de Bagdad (vários iraquianos, dois britânicos, um francês e um americano), cinco curdos recém-recrutados para o novo exército do Iraque foram assassinados no norte do país e os seus cadáveres queimados.

Os cenários, segundo os analistas, são tudo menos animadores. Há quem preveja seis meses de grande violência (o que significa mais mortos e o prolongar da instabilidade social e política) e há quem augure, inclusive, um arrastar desta terrível situação até às eleições de 2005. A dezasseis dias da transferência de poderes, em lugar de se prefigurar no horizonte uma saída política e militar mais esperançosa, surgem sinais contraditórios. Um deles, dado pelos próprios Estados Unidos, é o pedido de imunidade feito ao governo provisório iraquiano para os cerca de 20 mil civis norte-americanos actualmente no Iraque, entre os quais se encontram funcionários de empresas de segurança como os que colaboraram nas torturas infligidas a prisioneiros iraquianos. Depois dos intoleráveis abusos da prisão de Abu Ghraib, este pedido é, no mínimo, ofensivo: o passado recente não aconselha permitir imunidades deste género para ninguém, seja civil ou militar. Será possível que, apesar dos crimes de Abu Ghraib, os Estados Unidos estejam mais preocupados em garantir imunidades do que em segurar o governo iraquiano?

PS: A campanha para as eleições europeias foi, como se sabe, tudo menos civilizada ou cordata. Provavelmente para manter o espírito, ontem usou-se e abusou-se de expressões como "banhada" ou "talhada" para justificar derrotas ou afirmar vitórias. Uma verdadeira animação mediática, onde se misturaram calão barato com ideias caras. Triste Portugal, que nem nos momentos nobres é capaz de manter uma mínima nobreza de linguagem...

Nuno Pacheco

http://jornal.publico.pt/2004/06/15/EspacoPublico/OEDIT.html

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