Óscar
19-06-2004, 16:40
Refém Americano Foi Executado em Riad
Por MARIA JOÃO GUIMARÃES
Sábado, 19 de Junho de 2004
Extremistas sauditas anunciaram ontem a execução de um cidadão norte-americano que tinham raptado há uma semana em Riad. Segundo a agência Reuters, os sequestradores colocaram num "site" islamista a imagem do que parecia ser a cabeça cortada do refém.
Esta morte é "uma retaliação" pelos abusos de presos cometidos por militares norte-americanos no Iraque, informa o "site".
O ultimato que os captores, de um grupo ligado à Al-Qaeda, tinham dado para matar o engenheiro aeronáutico Paul Johnson terminava ontem.
As autoridades de Riad fizeram inúmeras buscas nas 72 horas do prazo para encontrar o refém. Mais de 15 mil agentes sauditas apoiados por 20 especialistas em resgate de reféns do FBI conduziram buscas, centradas em áreas conhecidas pela presença de islamistas. Até ontem tinham revistado cerca de 12 mil casas, sem sucesso.
Entretanto, o rapto era amplamente debatido no reino. Seis líderes religiosos sauditas, dois dos quais tinham sido alvo até de elogios por parte de Osama bin Laden há alguns anos, condenaram os ataques contra estrangeiros no país, dizendo que quem os realiza é um "grupo renegado". Chamaram mesmo aos ataques "crimes odiosos".
A agência noticiosa oficial noticiou a declaração, apesar de ela ter sido feita por opositores à Casa de Saud, no poder.
Ainda ontem, um outro importante líder religioso, o xeque Saleh bin Abdullah al-Humaid, afirmou que a tomada de reféns e o assassínio são "graves crimes" segundo o islão. "É tão mau como o politeísmo", disse no seu sermão de sexta-feira em Meca. Mais: "Qualquer pessoa que mate alguém sob nossa protecção não irá para o Céu. O sangue de pessoas sob nossa protecção é proibido", concluiu, acrescentando que estas pessoas "são iguais aos muçulmanos".
Na Internet tinha também surgido uma mensagem de um saudita que trabalhava com Paul Johnson, tentando declarar uma forma de protecção tribal, conhecida como "ijara", a qual proibiria o assassínio do refém. "Declaro a minha protecção e salvação deste homem e dos seus colegas que trabalhavam connosco na empresa, que comiam connosco e aceitavam os nossos presentes de livros islâmicos e prometiam lê-los", disse o homem, que se identificou como Saad al-Moemen, indicando ainda que Johnson desaprovava a política externa norte-americana.
Paul Johnson, 49 anos, foi raptado no sábado passado em Riad. Um vídeo mostrando-o de olhos vendados era acompanhado de uma ameaça: ou Riad libertava certos presos ligados à Al-Qaeda ou o refém era morto.
http://jornal.publico.pt/2004/06/19/Mundo/index.html
Por MARIA JOÃO GUIMARÃES
Sábado, 19 de Junho de 2004
Extremistas sauditas anunciaram ontem a execução de um cidadão norte-americano que tinham raptado há uma semana em Riad. Segundo a agência Reuters, os sequestradores colocaram num "site" islamista a imagem do que parecia ser a cabeça cortada do refém.
Esta morte é "uma retaliação" pelos abusos de presos cometidos por militares norte-americanos no Iraque, informa o "site".
O ultimato que os captores, de um grupo ligado à Al-Qaeda, tinham dado para matar o engenheiro aeronáutico Paul Johnson terminava ontem.
As autoridades de Riad fizeram inúmeras buscas nas 72 horas do prazo para encontrar o refém. Mais de 15 mil agentes sauditas apoiados por 20 especialistas em resgate de reféns do FBI conduziram buscas, centradas em áreas conhecidas pela presença de islamistas. Até ontem tinham revistado cerca de 12 mil casas, sem sucesso.
Entretanto, o rapto era amplamente debatido no reino. Seis líderes religiosos sauditas, dois dos quais tinham sido alvo até de elogios por parte de Osama bin Laden há alguns anos, condenaram os ataques contra estrangeiros no país, dizendo que quem os realiza é um "grupo renegado". Chamaram mesmo aos ataques "crimes odiosos".
A agência noticiosa oficial noticiou a declaração, apesar de ela ter sido feita por opositores à Casa de Saud, no poder.
Ainda ontem, um outro importante líder religioso, o xeque Saleh bin Abdullah al-Humaid, afirmou que a tomada de reféns e o assassínio são "graves crimes" segundo o islão. "É tão mau como o politeísmo", disse no seu sermão de sexta-feira em Meca. Mais: "Qualquer pessoa que mate alguém sob nossa protecção não irá para o Céu. O sangue de pessoas sob nossa protecção é proibido", concluiu, acrescentando que estas pessoas "são iguais aos muçulmanos".
Na Internet tinha também surgido uma mensagem de um saudita que trabalhava com Paul Johnson, tentando declarar uma forma de protecção tribal, conhecida como "ijara", a qual proibiria o assassínio do refém. "Declaro a minha protecção e salvação deste homem e dos seus colegas que trabalhavam connosco na empresa, que comiam connosco e aceitavam os nossos presentes de livros islâmicos e prometiam lê-los", disse o homem, que se identificou como Saad al-Moemen, indicando ainda que Johnson desaprovava a política externa norte-americana.
Paul Johnson, 49 anos, foi raptado no sábado passado em Riad. Um vídeo mostrando-o de olhos vendados era acompanhado de uma ameaça: ou Riad libertava certos presos ligados à Al-Qaeda ou o refém era morto.
http://jornal.publico.pt/2004/06/19/Mundo/index.html
