Sei que todos teem notado a minha ausencia.
Se a razão base é a falta de tempo, também tenho de considerar que alguma falta de vontade mental me levou a algum 'abandono', contra o qual tentarei lutar.
Tenho pensado como devo fazer a minha participação por aqui, e que esta me leve degrau a degrau a uma participação mais activa e diligente.
Como não sou sprinter, vou tentar começar a minha participação de um modo diferente, que me dê prazer e - que espero - a vcs. também.
Assim, tentarei de um modo diário escrever sobre algo que me chamou a atenção, me preocupa, me alegra, algo que para mim seja importante no momento.
Em suma, algo que tenha parado o meu olhar divagante.
Espero que estas pequenas e singelas crónicas sejam motivo de discussão, e união entre todos.
Com um abraço,
G.
tentarei sempre que me for possivel colocar algo 'visivel' em cada post.
pelo menos por isso valerá a pena uma visita
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Retrato de Senhora
Corregio
Originally posted by gatsby
É mais que tudo o que neste momento me prende a atenção. A cor, alegre, garrida, forte, que eu vejo por todo o lado.
Hoje a cor é verde-rubra e ontem foi laranja e amanhã será uma outra qualquer.
E que cores são estas?
São as cores daqueles que se assumem europeus, que querem ser europeus, que gostam de ser europeus, e que gritam por cada uma das regiões desta cada vez maior europa.
Europa essa que está alegre e feliz (ainda...) neste canto solarengo.
Então porque estes europeus, esta europa mítificada num campo verde, pura e simplesmente não se preocupa com a outra Europa, aquela que os governa?
A resposta foi dada e tenho-a remoído nestes dias.
Afinal, a Europa que todos gostam tem muitas cores, muitas gentes, muitos 'inimigos' no campo. Imaginem por um momento um equipa de futebol ou de outra coisa qualquer que fosse representativa da Europa? Quem a apoiaria?
Os resultados de passado domingo demonstram que a enorme mole humana do centro está a desaparecer: seja numa abstenção que cada vez mais se torna habitual (e que assustadoramente se considera normal), seja numa escolha destas eleições para indicar que não se gosta do que se tem em casa, quando as eleições são sobre o que se passa fora de casa.
O que acabo por ver é algo estranho, e algo que pode ser enganador.
Todos acham de um modo ou de outro que os resultados foram um enorme aviso aos governos europeus. Mas também quem vota uma vez fora do seu partido habitual fica com o caminho aberto para votar outra vez.
Os resultados olhados para a mole central europeia dizem pouco ou quase nada.
Mas uma coisa é certa: o que conta são os resultados e não as exibições, voltando ao nosso Euro. E o resultado destas eleições foram um NÃO à Europa Federal.
Será esse o pensamento dos Europeus?
Os laranjas, os brancos e vermelhos, os azuis, os verdes-rubro não se importam com isso. Apenas querem vencer.
E querem vencer uns contra os outros.
Pois.
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Originally posted by gatsby
Pátria
A minha pátria é a minha lingua.
A minha pátria é a terra onde nasci.
A minha pátria é o estado que a representa.
A minha pátria é o mundo.
Tantas explicações para algo que é sempre mais.
Ou, como sábiamente escreveu Mohandas: ...e gosto de peixinhos fritos.
Então se ser português pode ser já uma enorme confusão (para todos os efeitos é português quem tiver bilhete de identidade e passaporte português), ainda mais o é quando falamos em Europeu.
Ser europeu ocidental ou de leste? Ainda há Leste e Mittle Europa?
E senão há, então que há de errado entre ser húngaro mas estando encravado na roménia, ser bulgaro e encravado na hungria, ser alemão e encravado na alemanha, ser polaco e estar encravado na rússia, e ... ser brasileiro e estar encravado em portugal?
Deco nasceu no brasil.
Deco viveu grande parte da sua vida em Portugal.
Deco tem bilhete de identidade português.
Luis vive em Espanha.
Luis trabalha em Espanha.
Luis tem bilhete de identidade português.
Ser português é então o quê?
Mais dificil ainda, quem pode representar Portugal?
Esta questão coloca-se cá, porque sempre exportamos gentes para essa Europa fora. Pobres muitos deles, 'a salto' fugiram durante décadas.
Mas hoje somos um país europeu e evoluido e assim, importamos gente.
Não estamos no entanto preparados para o choque emocional do fim do império e do 'orgulhosamente sós' que tanto nos impingiram.. que ficou com raízes profundas.
Como será daqui a dez anos, quando uma geração eslava nascida em Portugal aparecer nos lugares influentes e visiveis?
Vamos para a xenofobia?
Não creio. Não quero crer.
Longe de mim achar que xenófobos são os que acham que Deco não deve usar a camisola portuguesa. Também a mim me 'impressiona' uma boca fechada no momento mais alto em que todos nos irmanamos no hino. Mas não era o único. Não foi o único.
Ser universalista, como portugal sempre quis ser, é sentir que a pátria é elevada por aqueles que a desejam elevar. Pelos mais aptos, sem que a cor, a raça, a ascendencia, o local de nascimento seja importante.
Porque assim, é mais português um minhoto que um algarvio, tem mais 2 séculos de português, e mais português que um ilhéu que apenas é português há 5 séculos.
Portugal é a mistura linda de raças que descobrimos e criamos.
A europa é também a fantástica mistura de gentes e culturas.
Deco não é importante como caso, mas é fundamental como principio de raciocinio. Um homem que enverga a camisola da nação, representa a nação e assim sendo é heroi da nação. Não é Deco que falo, é de nós.
Não há europeus de segunda, todos concordamos.
Pois assim não deve haver portugueses de segunda.
Mas não me parece que assim funciona, e no grupo de trabalho onde está ele - como todos os aqueles que não nasceram em portugal - tem de lutar duas vezes para se afirmar. E isso é uma pena, e é mau.
E assim sendo, se se passa o mesmo com todos os milhares de novos portugueses, é uma vergonha para todos nós.
Que sempre gostamos de assumir que não são 'arianistas'.
Então que este processo mental passe a um processo prático.
Deco é mais que um português, é alguém que nos deve levar a pensar sobre o que é ser português.
Para mim é simples: português é aquele que olha para portugal e sente portugal como uma pátria, seja ela primeira ou segunda.
Porque eu também tenho duas pátrias: Portugal e o mundo.
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Originally posted by gatsby
O que será que será?
Na ressaca dos resultados das eleições europeias (aqui foi curta A RESSACA, porque há bola todos os dias...) e no vendaval em que se tornou o conselho europeu onde aparentemente ninguém se entende, ressalta algo que me está a fazer pensar.
A escolha do comissário não é um assunto dispeciendo, e tanto não é que 'eles' nem tentam resolver este assunto.
Mas já se percebeu algo que é demasiado importante para nós europeuse à qual devemos estar atentos porque 'a cachaporra' depois vem aì e somos nós o mexilhão do costume.
E que é que se percebeu: eu, pelo menos cada vez mais percebo que não existem lideres carismáticos e fortes nesta nova europa e - vai daì - também não pode existir um lider forte na Europa. E, como este não é eleito por nós (ah, pois, venham-me com a história do parlamento europeu e eu desato à gargalhada... ) mais grave e momentoso se torna o perfil correcto da personalidade em causa.
E qual o perfil que está na mesa neste momento:
é, para mim, o seguinte:
a) oriundo de um dos 15 países anteriores ao alargamento.
b) pertencente a um dos países que não façam parte da europa forte - grã-bretanha, frança, alemanha, itália e espanha.
c) que seja uma personalidade consensual como mínimo divisor comum.
d) de preferencia que não hostilize o Estados Unidos.
e) alguém que conheça a UE mas que não seja um especialista nos meandros administrativos da UE, ou seja um político puro.
Face a este panorama definidor (e redutor) da personagem, rápidamente se vê que deverá pertencer a portugal, benelux, dinamarca ou finlandia. Uma personagem de centro-direita, de preferencia chefe ou ex-chefe de governo.
E assim acabamos com três opções mais crediveis - alguém do governo do luxemburgo, alguém do governo português e talvez alguém do governo holandês.
E o modo como cada país se posicionou para a escolha a semana passada demonstra isto mesmo: Portugal ficou sózinho a apoiar Vitorino (o vitorino tem uns amigos do peniche no grupo socialista...), Patten ficou sózinho com Blair (Patten é uma personalide forte, enorme carisma, mas com muitos anti corpos, principalmente no oriente, e a europa como sempre mete o rabinho entre as perninhas...) e outros ficaram a falar sozinhos.
E é deste marasmo de muita conversa que aparece o nome de Durão Barroso. Coitado do homem, é mesmo pau para toda a colher.
Tudo isto para dizer que não se está À PROCURA do homem certo, está sim a procurar-se o homem menos errado.
Que pena... Não haverá por aì um brasileiro, ou americano, ou canadiano, ou chinês, ou russo a jeito?
Conclusão : seja quem fôr, se assim continuar a escolha, ainda acaba a ter de ser o homem responsavel por ela, o primeiro ministro irlandês, hehe.
E já agora, alguém vai ter respeito por este novo chefe-comissário europeu?
pois.
mal vai a europa...
jacques?
jacques?
Dellors? HELP !!!
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Originally posted by gatsby
realmente nada.
É.
Nada parou o meu olhar hoje.
Que pena que assim seja.
Devo ser eu, pois o futebol nada tem a ver com estas coisas. Só o futebol existe, assim parece.
Então, e afinal, algo pára o meu olhar. A qualidade. A tranquilidade.
Tranquilo acontecimento com uma excelente qualidade. Não, não falo de futebol, falo do que é importante, a gestão do dia-a-dia destes muitos milhares que aterraram por este Portugal.
Tem corrido tudo tão calmo e suave que parece que nada está acontecendo. A organização e os esquemas de segurança, o sistema montado para que tudo funcione está a funcionar de tal modo correctamente que parece uqe nada se passa afinal.
Mas passa. Passa uma imagem de um Portugal organizado, de gente capaz, de um povo que funciona.
Lugares comuns, e perigosos porque ainda falta muito para que o Euro2004 acabe e muita coisa pode ainda acontecer.
Mas uma elação é já fundamental, e sempre assim foi e sempre assim será: Portugal funciona quando tem um designio. Assim se formou com o designio de dar tareia a castelhanos e mouros ao mesmo tempo. Assim foi com os descobrimentos, assim foi com a reconstrução de Lisboa após um terramoto, assim foi com, hâ? com o quê? o senhor aì ao fundo???
É, Portugal funciona com designios, mas ao mesmo tempo - oh fatal destino - detesta designios. Foge deles como o demo da cruz.
Porquê?
Porque será que tão bem caminhamos quando temos uma meta, um caminho, mas tanto nos sentamos nos cruzamentos da história?
Muitas respostas aqui podem ser dadas. A mais óbvia: porque nos falta um Homem ao Leme.
É, e por isso hoje nada me pára o olhar, porque este designio - bem pequeno afinal quando comparado com os que já referi - está já a caminhar para o seu fim e eu, e comigo tantos, não tenho para onde olhar, para onde caminhar.
Será que alguém se levanta para uma outra arrancada?
Por favor?
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Impossiveis
Josef Albers
Originally posted by gatsby
Paz
Depois do fim não há nada.
Porque se houvesse alguma coisa o fim já não seria o fim.
E não obstante, caminhamos sempre ao encontro de... apesar de sabermos que nada nem ninguém nos aguarda. Andamos sem direcção certa e para chegar ao fim. Procura do fim, terror ante o fim: a frente e verso do mesmo acto.
Sem esse fim que constantemente nos foge não caminharíamos, nem haveria caminhos. Mas o fim é a refutação e a condenação do caminho: no fim o caminho dissolve-se, o encontro dissipa-se. E o fim dissipa-se por igual.
Voltar, ir de novo ao encontro: o caminho estreito sobe e desce, serpenteando entre entre as rochas enegrecidas e as colinas secas cor de camelo; o cheiro a pelo exsudado e a excremento de vaca; o zumbir da tarde; a luz quase rosada sobre as pedras; o sabor a sal nos lábios ressequidos; o rumor da terra solta a esboroar-se sob os pés; o pó que se pega à pele empapada de suor, avermelha os olhos e não deixa respirar; as imagens, as recordações, as figurações fragmentárias - todas essas sensações, visões e semi-pensamentos que aparecem e desaparecem num piscar de olhos, enquanto se caminha ao encontro de...
O caminho também desaparece enquanto o penso, enquanto o digo.
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:p :p :p
Ainda agora aqui cheguei e já sinto a tua falta!
:p;) ;) ;)
LISA
O Enigma
Nas últimas semanas dois acontecimentos de protesto completamente diferentes fizeram-me pensar na enorme intraquilidade em que a nossa sociedade vive.
Um deles está ligado à mulher/mãe/não mãe. O Barco que desejava entrar em Portugal para indicar como se podia abortar. E mostrar a situação em causa às mulheres, provaveis mães futuras.
Um outro está ligado à demostração do Batman no palácio de Buckingham querendo chamar a atenção para os pais que quase não teem direitos quanto ao filhos - em caso de separação do casal.
Na realidade, a lei proteje a mãe em caso de divórcio, e presume-se que assim está protejer a criança.
A lei que se quer para o aborto proteje a putativa mãe que decide - legalmente por si só - se quer ou não o nascimento futuro.
Ora o homem passa assim - legalmente - a ter duas atribuições: cubridor e pagador.
Cubridor porque não pode impedir o aborto do filho que também é dele.
Pagador porque na situação de separação e em condições normais da mãe, nada mais tem direito a não ser pagar a pensão e ver o filho/a a horas marcadas.
O milagre da criação/nascimento deve ter uma profunda influencia na mulher para que a posição da mesma alterar-se completamente ficando tudo na mesma: a mulher decide o homem acata.
Já agora? a criança? essa... pois.
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perdoem esta pobre prosa, mas estou muito enferrujado
Gatsby
Ora o homem passa assim - legalmente - a ter duas atribuições: cubridor e pagador.
Essa é a única alteração, o resto já é dado adquirido.
É bom "ver-te" novamente.
Levanta-te e anda!
Este fim de semana um semanário apresenta um notícia extraordinária: Portugal é fiscalmente um país de deficientes.
Logo me vem à memória todos os brados sobre o nosso atraso: afinal é correcto, pois somos um país de manquinhos.
Logo grito sózinho esta noticia que mais ninguém ouviu: afinal somos um país de surdos.
Logo esbracejo a apontar o dedo pois estes desta vez não são os patrões vampiros, mas ninguém mais indica o mal: afinal somos um país de manetas.
Logo escrevo aqui o que mais me entristece e que é ser português nestes momentos mas ninguém reage: afinal porque deveriam? somos um país de ceguinhos.
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