Depois de ouvir tanta barbaridade e de ver bandeiras de pernas para o ar e sem escudos e ouvir pessoas a dizerem que o vermelho é do Benfica e o verde do Sporting :mad: achei que era tempo de explicar o significado da nossa bandeira e das suas cores :)
http://bmais.no.sapo.pt/%D3scar/bandeira.bmp
Bandeira Nacional
A 19 de Junho de 1911, depois de se implantar a República, a Bandeira Nacional substituiu a Bandeira da Monarquia Constitucional.
E como é a nossa Bandeira?
A Bandeira Nacional é dividida na vertical com duas cores fundamentais: verde escuro do lado esquerdo (ocupando dois quintos) e encarnado à direita (ocupando três quintos).
E as suas cores? O que significam?
- o vermelho é uma cor de força, coragem e alegria, que representa o sangue derramado pelos portugueses;
- o verde, a cor da esperança e do mar, foi escolhida em honra de uma batalha onde esta cor deu a vitória aos portugueses.
Ao centro, sobre as duas cores, tem o Escudo das Armas Nacionais, e a Esfera Armilar Manuelina, em amarelo e avivada de negro.
http://bmais.no.sapo.pt/%D3scar/Quinas.bmp
E as restantes cores, significam o quê? Parece que houve muitas discussões por causa delas!
Acabou por se decidir que:
- o branco representa a paz;
- o Escudo lembra a defesa do território;
- as Quinas, a azul, representam as primeiras batalhas na conquista do País (os cinco reis mouros vencidos na Batalha de Ourique por D. Afonso Henriques);
- cada quina contém cinco pontos brancos: as cinco chagas de Cristo que ajudou D. Afonso Henriques a vencer esta batalha;
- os sete castelos amarelos representam os castelos tornados aos mouros por D. Afonso III.
http://bmais.no.sapo.pt/%D3scar/Esfera%20armilar.bmp
A esfera armilar foi um símbolo que o Rei D. Manuel I escolheu para representar as descobertas marítimas.
Patacôncio 22-06-2004, 01:13 Ó Óscar, essa tua explicação parece a da Mocidade Portuguesa. ehehhehehheh (Que terá sido muito utiizada pela propaganda do salazarismo.)
:D :D :D
Algumas coisas parecem condizer com a realidade, outras simples simbologia readaptada pelo salazarismo.
A começar pelo encarnado e pelo verde.
Segundo parece, o encarnado representaria a Revolução, herança de 1789.
Os adeptos da Carbonária diziam que era isso mesmo que representava.
O verde representaria o Mar.
Os Sete Castelos nunca poderiam representar 7 Castelos. Julgo que terão sido 12, os castelos conquistados. Mas numa antga bandeira aparece uma versão com 16 Castelos. (Que parece ter sido o número inicial, no Pavilhão dos Portugueses.)
Mas como tu dizes... Houve muita discussão. Mesmo entre os estudiosos da Heraldica.
A Simbologia das cores nacionais tem muito que se lhe diga. Pois existem várias teorias, até um tanto ou quanto esotéricas.
Fizeste bem Óscar em trazer um bocado de discussão e conhecimento aos confrades.
Mas cuidado com essas interpretações. Normalmente estão erradas! ;) ;) ;)
Sobretudo se houver tentativas de as usar indevidamente. Principalmente por algus grupelhos radicais e patrioteiros. (Alguns dizem que As Quinas é o sangue azul derramado sobre o ariano branco pelos "infieis". ehhehehheheh)
Só uma achega. É importante "dessacralizar" o uso das cores nacionais. O que quero dizer com isto?
No tempo do salazarismo bafiento o uso da Bandeira Nacional tinha regras muito rígidas, que até fez muitos portugueses se afastarem do amor pela nossa Bandeira.
Hoje, felizmente, a Bandeira Nacional e as suas cores estão na moda. Felizmente. E assim os jovens poderão ter mais orgulho nas cores nacionais.
Eu gosto muito desta bandeira, também: ehehheehehehehheheheh
http://www.terravista.pt/guincho/1421/bandeira/pt_1830m.gif
Uma interpretação da História da Bandeira Nacional (http://www.terravista.pt/guincho/1421/bandeira/pt_hist.htm)
Patacôncio 22-06-2004, 01:40 Mais duas interpretações sobre o Verde-Encarnado.
A primeira de um médico: (http://www.apol.net/dightonrock/historiabandeira.htm)
(Parece seguir algumas linhas "popularuchas". ehehhehehe)
O vermelho representa o sol feérico e incandescente nascendo e declinando sobre as proas e as popas das valorosas caravelas portuguesas, cujo império, pela primeira vez na história do mundo abrangia todo o globo. (A crença popular atribui ao vermelho a cor do sangue dos heróis e mártires portugueses). O verde representa a cor do mar alto que os portugueses foram os primeiros europeus a sulcar. (A crença popular identifica o verde com a cor dos prados de Portugal).
Mas a Presidência da Républica apresenta melhor a realidade: (http://www.presidenciarepublica.pt/pt/republica/simbolos/simbolica.html)
As origens do verde-rubro
A história de um símbolo abre-se sempre sobre um mesmo enigma - o mistério das suas origens.
O simbolismo político não foge a esta constante do simbolismo em geral e a história da bandeira nacional não deixa de o confirmar.
A bandeira portuguesa foi durante a monarquia constitucional a bandeira azul-branca bipartida e encimada pelas armas reais, assentes metade sobre cada uma das cores.
Azul e branco haviam já sido decretadas "cores nacionais" após a revolução liberal de 1820, por decreto das Cortes Gerais da Nação em 22 de Agosto de 1821.
Entre o vintismo e a contra-revolução, o simbolismo acompanha as vicissitudes que a conjuntura política vai ditando e o registo simbólico das cores vai-se progressivamente inscrevendo em cada um dos campos em conflito - o branco no absolutismo e o azul-branco no constitucionalismo.
Dentro deste contexto, a regência de D. Pedro IV, por decreto de 18 de Outubro de 1830 da Junta Governativa da ilha Terceira, substitui a bandeira, até então integralmente branca, pela bandeira azul-branca. Triunfante em 1834, o liberalismo faz dela a bandeira nacional, que se manterá sem alteração durante todo o constitucionalismo monárquico até ao 5 de Outubro de 1910.
Como se chega então à bandeira verde-rubra da República, que ainda hoje é a nossa? Qual a sua origem? Qual o seu significado?
Uma genealogia do cromatismo verde-rubro na história das bandeiras portuguesas revela-nos um fenómeno tanto mais surpreendente quanto pouco conhecido, ou, pelo menos, pouco citado.
O verde e encarnado, embora nunca tenham constituído as bandeiras nacionais até à bandeira republicana, têm figurado em insígnias várias ligadas a alguns momentos altos da história portuguesa, de que se tornaram símbolo - a Guerra da Independência, os Descobrimentos Marítimos, a Guerra da Restauração.
Verde e vermelha (com a imagem de Nossa Senhora da Conceição ao centro) foi a bandeira da Ala dos Namorados na batalha de Aljubarrota; verde e vermelha (fundo verde sobre o qual assentava a cruz de Cristo vermelha) foi a bandeira dos Descobrimentos sob o reinado de D. Manuel I ; e igualmente verde e vermelha (idêntica a esta última) foi a bandeira empunhada em várias revoltas contra o domínio filipino, que seria, ela mesma, a bandeira da Revolução do 1° de Dezembro 1640.
Assim, e sem que nunca tenha constituído a bandeira nacional, o cromatismo verde-rubro não deixa de estar indissociavelmente ligado a alguns momentos significativos da história portuguesa, em particular à defesa da independência nacional.
Todavia, não pode confirmar-se que o verde e encarnado da bandeira republicana provenha destes antecedentes. O mais directo, se o quisermos, teremos de procurá-lo bem mais tarde, já no final do século XIX, e é, sem dúvida, a bandeira da revolta republicana do Porto de 31 de Janeiro de 1891.
A bandeira içada na Câmara Municipal do Porto na manhã de 31 de Janeiro de 1891, símbolo da revolta republicana, era de facto verde e vermelha. Totalmente vermelha com um círculo verde ao centro, a que se juntavam as legendas referentes ao centro republicano a que pertencia ¾ Centro Democrático Federal 15 de Novembro.
Esta bandeira, conhecida e designada pelos revoltosos como "a bandeira vermelha" - "Veja, está içada uma bandeira vermelha na Câmara", dizia J. Chagas - é, na sua essência simbólica, a bandeira da tradição revolucionária e popular. Primeiramente, símbolo do cartismo em Inglaterra, seria depois hasteada em Paris, nas jornadas revolucionárias de 1848 e durante a Comuna de 1870.
Ao fundo vermelho da tradição democrática e sindical vêm juntar-se insígnias e legendas várias, características dos clubes políticos a que pertenciam. Assim nasceram a grande maioria das bandeiras dos centros republicanos, tal como a do Centro Democrático Federal 15 de Novembro.
O certo, porém, é que a primeira bandeira da República desfraldada em Portugal foi "verde e encarnada". Malograda a revolução, a bandeira "verde-rubra" torna-se para os republicanos a marca fundamental, o símbolo da República, por ora vencida, mas nunca assumida como tal e que em vinte anos de luta havia de vencer, numa sequência de acções que o próprio Partido Republicano planeou.
De facto, ao longo desse período que decorre entre 1891 e 1910, conhecido na história do republicanismo português como o "Período da Propaganda", o Partido Republicano desenvolve uma luta acesa de propaganda política segundo duas estratégias. Por um lado, uma luta antimonárquica afirmando os grandes slogans ideológicos e políticos do ideal republicano: a "Decadência" a que a Monarquia de Bragança conduzira o País; contrapunham-lhe um nacionalismo patriótico e a restauração das glórias do Império; a coligação do Trono e do Altar, em substituição da qual propunham uma separação da Igreja e do Estado, ao que acrescentavam um pendor laico anticlerical; a "Corrupção" generalizada que grassava pelo País, contra a qual opunham a exigência de "probidade" política; e finalmente, o carácter tirânico do regime monárquico, de que a ditadura de João Franco era a simples concretização; contra a tirania opunham, obviamente, a Democracia. Por outro lado, em simultâneo, obedecendo a uma outra lógica e segundo uma outra estratégia, começa a desenvolver-se outra forma de propaganda - a construção da imagética e da simbólica republicanas.
Ao longo destes vinte anos, a simbólica verde-rubra da bandeira do 31 de Janeiro inscreve-se definitivamente no ideal republicano. Desde as artes mais nobres aos mais simples objectos de uso quotidiano, em toda a iconografia, que simboliza a República, é o verde e vermelho que a representa. De tal forma, que desde o virar do século a própria imagem da "República-Mulher", passa a trajar de verde-rubro.
E quando chega a jornada revolucionária de 3 a 5 de Outubro de 1910 que havia de implantar a República, a bandeira levantada pelos regimentos e navios revoltados era verde-rubra (bipartida, vermelha junto à tralha e a parte maior verde; esfera armilar de ouro assente em fundo azul; estrela de prata com resplendor em ouro. Foi esta a bandeira de Machado Santos na Rotunda e que, vitoriosa a revolução na manhã de 5 de Outubro, foi hasteada em todos os quartéis e finalmente substituiu a bandeira azul-branca no alto do Castelo de São Jorge.
Do azul-branco ao verde-rubro
Passados os primeiros dias de euforia revolucionária, o Governo Provisório, conhecendo a importância da simbólica política e sobretudo o seu impacte sobre a opinião pública, apressa-se a constituí-la para o novo regime, isto é, a determinar os símbolos em torno dos quais se pudesse formular a nova unidade nacional. Assim, e a par das grandes questões de ordem política que se impunham, a questão dos símbolos nacionais foi uma das prioridades do Governo.
Corria na opinião pública que o Conselho de Ministros se inclinava para a bandeira azul-branca. A Carbonária, porém, usando o peso da sua influência, granjeada na revolução, ter-se-ia oposto veementemente. Perante o impasse, decide o Governo formar uma comissão especialmente destinada ao estudo da bandeira e do hino nacionais.
Por decreto de 15 de Outubro de 1910 fica a comissão constituída por cinco elementos, todos eles figuras de relevo da vida nacional - o célebre pintor Columbano Bordalo Pinheiro, o romancista Abel Botelho, o jornalista e conhecido republicano João Chagas e ainda dois destacados combatentes da revolução de 5 de Outubro, o primeiro-tenente Ladislau Pereira e o capitão Afonso Palla.'
Não foi necessário esperar muito para que a comissão apresentasse ao Governo o resultado dos seus trabalhos. De facto, logo a 29 do mesmo mês apresenta um primeiro projecto, idêntico à bandeira da revolução de 5 de Outubro, com uma diferença -- a proporcionalidade e a localização das cores verde e vermelho inverte-se em relação à tralha.
Apreciado em Conselho de Ministros do dia 30 de Outubro, são levantados vários reparos e sugeridas algumas modificações. É apresentado segundo projecto, este já sem estrela e com ligeiras modificações na esfera armilar e enviado para apreciação do Conselho de Ministros a 6 de Novembro. Após longa e disputada polémica, e para gáudio dos defensores do verde-rubro e indignação dos partidários do azul-branco, a 29 de Novembro o Governo aprova o projecto da comissão, ao que se soube pela maioria de um voto.
Estava determinada a nova bandeira portuguesa. De imediato, e antes mesmo que pudesse ser aprovada pela Assembleia Nacional Constituinte, o Governo Provisório estabelece por decreto o dia 1 de Dezembro como sendo o da Festa da Bandeira.
Na manhã de 1 de Dezembro, frente à Câmara Municipal de Lisboa, lugar onde fora proclamada a República em 5 de Outubro, Escola Naval e Escola do Exército, em parada militar, e ao som de "A Portuguesa", prestam homenagem à bandeira "verde-rubra", agora feita bandeira nacional. O desfile das tropas, engrossado por uma multidão de populares em clima patriótico, sobe as ruas da Baixa lisboeta até aos Restauradores, cujo monumento saúda, e segue Avenida da Liberdade acima, até à Rotunda. À tarde seguiu-se um espectáculo no Teatro Nacional.
A Festa da Bandeira foi assim a primeira grande festa cívica, a primeira liturgia de consagração da República.
Porém, a escolha da bandeira verde-rubra e a sua consagração imediata, quando a decisão não era de forma alguma pacífica e, sobretudo, antes de ter sido sancionada pela Assembleia Nacional Constituinte, levanta uma violenta polémica que moveu algumas das figuras mais gradas da vida pública portuguesa e apaixonou a opinião pública nacional.
Em Lisboa, Porto e por todas as cidades de província multiplicam-se os projectos para a nova bandeira. Na imprensa periódica, em croquis afixados em clubes políticos, livrarias, tabacarias e outros estabelecimentos comerciais, em conferências e sessões públicas, desde as salas de teatro à Sociedade de Geografia, os diferentes autores divulgam e fazem a defesa empenhada dos seus projectos. Acreditava-se ainda que a Assembleia Constituinte podia votar um parecer contrário e os partidários do "azul-branco" reclamavam com insistência um plebiscito.
A polémica polariza-se em torno de duas grandes questões: uma, de primeira ordem, a das "cores" azul-branco/verde-rubro; outra, menos acesa, a das "armas" - em torno da esfera armilar.
Em defesa do verde e encarnado vêm a terreiro, para além da comissão, figuras tão prestigiosas como Afonso Costa, António José de Almeida e o próprio Presidente do Governo Provisório, Teófilo Braga. A defesa do "azul-branco" é encabeçada pela não menos prestigiosa figura do poeta Guerra Junqueiro, entre outras, como A. Braancamp Freire, António Arroio, Lopes de Mendonça, Sampaio Bruno.
Analisemos a polémica, procurando as narrativas de legitimação de cada uma das simbólicas em confronto.
Da totalidade dos projectos já identificados poderemos encontrar, a partir de um critério cromático, três tipologias distintas - uma, verde-rubra; outra, azul-branca; e uma terceira, de conciliação.
Metodologicamente, procuraremos expor a legitimidade invocada em cada uma das tipologias e exemplificaremos com alguns projectos de entre cada uma delas.
Patacôncio 22-06-2004, 01:41 O verde-rubro
Não há discordância quando se trata de reconhecer a natureza e a função da Bandeira Nacional. Ela deverá ser a síntese "do significado social do povo que representa" e conter "a sua alma, o seu ideal, o seu carácter, a sua tradição e a sua história". Numa palavra, deverá ser o espírito nacional, objectivado pela linha e pela cor. E justamente a discordância começa na linha e na cor.
Para a comissão, a cor é o elemento primacial que mais cuidadosamente se alonga a justificar. Quanto ao branco, concorda com Guerra Junqueiro, simboliza a "inocência, a candura unânime, a pureza virgem" que é no fundo a alma portuguesa. Mas, para além desta sintonia com a alma nacional, há uma outra razão de carácter histórico - o branco foi a base de todas as bandeiras portuguesas desde a fundação da nacionalidade até ao constitucionalismo. "Da bandeira da República não pode pois desaparecer o Branco" - conclui o relatório. E contudo desapareceria.
Pelo contrário, o azul, para além da analogia visual com o céu e o mar (dois elementos da nossa "preferência ancestral e da nossa... Fatalidade histórica), nada tem "de notável, de basilar, de característico ou necessário" em relação à "nossa tradição e à nossa história".
O azul associado ao branco aparece apenas após 1830 e, pior do que isso, não procura significar a soberania nacional, antes chama à bandeira o culto católico de Nossa Senhora da Conceição, "preito à padroeira oficial do Reino" Além disso, o azul-branco estava inegavelmente ligado às "corruptas brandícias e suaves torpezas" da dinastia de Bragança. "Portanto", conclui a comissão, "para nós, histórica e moralmente o azul é uma cor condenada".
Com o vermelho tudo é diferente. Tal como o branco, não só invoca a alma nacional como tem longa tradição na história das bandeiras portuguesas. "O vermelho é a cor combativa, quente, viril, por excelência [...] a cor da conquista e do risco" tão intimamente ligada às "manifestações da lusa nacionalidade". Por outro lado, figura na bandeira desde D. João II e essa presença é agora reavivada com o verde a que se associa na bandeira da jornada gloriosa do 5 de Outubro.
O verde, sim, não teria ainda raízes na consciência nacional. Porém, "foi uma das cores que preparou e consagrou a revolução".
"Portanto", conclui o relatório, "as duas grandes cores fundamentais da Bandeira da nova República devem ser, bipartindo-a no sentido vertical, o vermelho-escarlate e o verde-mar."
Quanto às armas, propõe a comissão, a "esfera armilar", "padrão eterno do nosso génio aventureiro" e o escudo branco com quinas azuis "da fundação da nacionalidade".
Também Teófilo Braga, em polémico artigo de jornal, defende as suas cores - verde e encarnado.
Partindo da evolução histórica da bandeira nacional anatematiza o azul e branco e procura legitimar, com razões não ligadas ao republicanismo, as cores republicanas.
O azul-branco, além de recente, tem sobretudo uma tradição pouco brilhante na história heráldica portuguesa. Adoptado pelos revolucionários de 1820, é recuperado por D. Pedro IV após a Carta Constitucional de 1826 e depois da implantação do liberalismo. Ligada ao princípio da "outorga", "a bandeira azul-branca acompanha esta transição sofismando sempre o reconhecimento da soberania nacional".
Pelo contrário, o branco invoca D. Afonso Henriques e a fundação da nacionalidade, o vermelho, D. Afonso III e a conquista do Algarve, e o verde, a Ala dos Namorados em Aljubarrota. E assim dizia Teófilo: "Para justificar as cores republicanas, temos a cor vermelha da conquista do Algarve, em que se integrou o território português, e a cor verde do pendão vencedor em Aljubarrota, que reivindicou a autonomia de Portugal [...]".
No que respeita às armas, Teófilo propunha que se juntasse uma legenda camoniana à faixa zodiacal da esfera armilar: "Se mais mundos houvera [...]", ou, no caso de figurar o laço azul-branco dos revolucionários de 1820 na parte inferior da esfera, que se inscrevesse a divisa de D. João II - "A Lei, pela Grei".
A tese de Teófilo Braga foi largamente contestada, tanto no que respeita aos seus argumentos históricos como heráldicos. Porém, mais do que isso, importa o seu significado político.
PS Sabiam que a bandeira do FC Porto tinha pretensões de representar as cores nacionais?
E que foi um Símbolo para alguns Monarquicos, durante a ditadura da 1ª Républica?
Onde houve uma perseguição implacável aos partidários da Monarquia?
eheheheh!!!! Pois... cheira a salazarismo bafiento e a Mocidade Portuguesa... pois, foi retirada de um livrito distribuído pelo Ministério de Educação a algumas escolas aqui da minha zona...:D
obrigado , muito obrigado, sempre obrigado a todos os compinchas que, como vós, contribuem graciosa e amigávelmente para a cultura deste povo ao qual pertenço! Admito que não sabia algumas das coisas que agora li!
Abraços, meus mestres! :)
Na verdade, os castelos da nossa bandeira aparecem com D. Afonso III, não porque tenha conquistado castelos aos mouros, mas a partir de uma espécie de herança de Castela e do casamento de D. Afonso II (pai de D. Afonso III) com D. Urraca de Castela.
Fundamentalmente os castelos aparecem no reinado de D. Afonso III para que o seu reinado/bandeira se diferenciasse do de seu irmão D. Sancho II. Na altura não se fixou o número de castelos, sempre em número variável mas superior a sete. Foi D. João II que, finalmente, fixou em sete o número dos castelos.
Patacôncio 22-06-2004, 11:57 Ó Óscar, infelizmente, com o 25 de Abril, muitas coisas não mudaram. Há, em muitas cabecinhas, a tentativa de usar a "Educação" para fins políticos.
A Educação deve ser isenta, objectiva e assente na realidade científica.
Por exemplo. A simbologia das cores da Bandeira Nacional devia ser ensinada de acordo com a realidade histórica. Gostemos, ou não dela. (Eu sou a favor da Monarquia e no entanto gostava que se ensinasse que o encarnado representa o ideal da Revolução. Apesar de poder ser iudentificado com a Carbonária.)
O pior que pode acontecer no ensino é o "malabarismo" a favor de teses políticas, vigentes maiorirariamente na altura.
O salazarismo usou essa técnica. Após o 25 de Abril, também.
Será calhar por isto e por outras coisas, a Educação está como está... :confused: :confused: :confused:
Houdini, essa é na verdade a explicação mais ajustada à realidade do que aconteceu.
Não esqueçamos que as bandeiras da altura, e os estandartes, nem sempre representavam o país. Mas antes o Rei e a Nobreza. Normalmente eram pessoais e herediários.
Só com a formação dos Estados modernos é que começa a surgir a ideia de usar uma bandeira nacional, representando a unidade nacional.
Olha, é por isso que tenho esta bandeira como alternativa! :D :D :D
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