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O Rolo Compressor tem o país na mão!

Patacôncio
10-07-2004, 15:46
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Quem é este rolo compressor?

Naturalmente, Pedro Santana Lopes.

Como é que passou de “enfant terrible” a Pai da Direita? Como passou de “prof. Alexandrino”, que viu este momento nas estrelas do firmamento, a uma espécie de Evita portuguesa e macho latino?

Sinceramente é fácil de percebe or porquê. Um D. Juan na política, que aplica a filosofia e os ensinamentos de Choderlos de Laclos, uma animal político, com a política como vício, qual heroína nas veias. Além de uma espécie de Evita encarnado num macho latino e europeu é um autêntico animal político, um Mário Soares de terceira geração. Com uma diferença fundamental. O gajo além de gostar de política e disso depende para sobreviver como homem, é um tipo que devora todos os dossiers que pode. E como é inseguro e ziguezagueante, cultiva o ouvir conselhos alheios, independentemente das opções ideológicas, acabando por seduzir seus mais acérrimos inimigos e adversários.

Quem leu a Única do Expresso sabe que essa é a sua postura. E até houve alguém que o comparou a Mário Soares. Magnificamente. Já tinha pensado nisso mas…

Foi um tipo que fez quase de tudo na vida. Desde jornalista a empresário, desde dirigente desportivo a advogado, desde eurodeputado a professor universitário. Sempre pautou a sua vida pelo zig-zag, uma espécie de Homem Sonae da política, o único fio condutor que o liga à sua capacidade de oratória, o gosto da ribalta e das câmaras de televisão e fotográficas. Uma espécie de narcisista com gosto para mandar, mas não ser mandado.

Inacreditavelmente, esta crise política atirou PSL para a ribalta, e a oposição, de estilo rasca e pouco dada à reflexão e meditação, fez uma absurda campanha política contra o homem, provável candidato a líder do maior partido governamental e a Primeiro-Ministro. A oposição não soube esperar e dar tiros certeiros. A oposição não soube lidar com as idiossincrasias do PSD, esperando que este elegesse outro, que não PSL, dados os seus anti-corpos no partido. E não soube jogar com a indisposição do PSD contra o líder do CDS/PP.

Depois, Jorge Sampaio foi um bocado azelha. Mas deu tempo suficiente para que a oposição revelasse destreza suficiente e apresentasse uma linha alternativa credível. Mas o BE, liderando a campanha contra o “playboy”, mais o PS, estragaram tudo. Quer nos argumentos a favor da dissolução da AR, quer na personalização de uma campanha populista e sedenta de poder. E não se combate populismo com mais populismo.

Assim, a direita sob fogo e encurralada pelo tipo de oposição rasteira e com receio de perder o poder… E como o poder é um cimento político apreciável, a direita e, sobretudo, o PSD, uniram-se em torno do líder eleito pela… oposição. Só quem é nabo a analisar a cena política portuguesa é que errava tanto como errou a oposição. E PSL agradece profundamente. E até na hora da derrota, nesta espécie de Legislativas antecipadas, a oposição dá mais tiros nos seus próprios pés, atirando o ódio da chegada de PSL a Primeiro-Ministro para o PR. O único que pode efectivamente liderar uma espécie de oposição, como fez Mário Soares, preparando a chegada da oposição ao governo. Apesar da margem estreita de Sampaio, quer em termos temporais, quer em termos políticos.

Este Rolo Compressor é um bafejado pela sorte. Estaria nas estrelas? Eh! Eh! Eh! Eh!

Como irá ser como Primeiro-Ministro?

Mais uma vez a oposição ajudou. E muito! Ele chega a Primeiro-Ministro com uma imagem de tal forma desagradável que lhe basta apresentar um governo com três ou quatro nomes credíveis, para agradar a todos. Uma espécie de boa surpresa. Porque quando se está no fundo… Tudo o que apresente uma melhoria na sua imagem pública é saudado como uma vitória na sua credibilidade.

Depois tem o ciclo político do seu lado. Durão Barroso tinha um calendário na cabeça. A primeira metade do mandato era aguentar com a crise, implementar as medidas mais duras e díficeis, mais impopulares, para numa espécie de segunda parte, apresentar as medidas simpáticas e agradáveis à população. E ganhar com maioria absoluta. Por isso é que o epíteto de o Profissional lhe cai como uma luva.

Ora, PSL chega ao governo com metade da papa feita, sobretudo a mais díficil e impopular. Logo, basta-lhe continuar no essencial as políticas actuais, mas as que mais agradam à população. Baixar os impostos, dar poderes às “novas regiões”, com os respectivos envelopes financeiros e competências. (O Meneses está talhado para tal!) Anunciar vastas obras públicas e as inaugurar. Aumentar muito mais as pensões de reforma (possível com a queda nos gastos no desemprego, à medida que o ciclo económico se desenrola, mantendo os gastos da Segurança Social). Ou seja, as tais medidas “populistas”, tão do agrado da esquerda, mas que temem quando feita pela direita.

Mais que isso. PSL poderá surfar a onda do crescimento económico, onde este está em marcha, atingindo parte da sua plenitude precisamente a meio do ano de 2006, quando em Outubro houver eleições legislativas. Com a queda do desemprego, com os bolsos dos portugueses mais endinheirados, com o optimismo em alta e, quiçá, a reedição da “moda figueirense” aplicada ao país e a Portugal… O melhor que poderia acontecer a quem fosse a votos. E parte da oposição sabia disto. E por isso, face à perspectiva de ganhar possíveis eleições antecipadas e chegada ao poder… A Oposição fez tudo e mais alguma coisa para chegar ao poder. E disfrutar de quatro anos abençoados. E aqui o PS sabia que mesmo que ganhasse com maioria relativa, tinha os sedentos bloquistas dispostos a fazerem tudo para chegarem ao poder.

Mas a oposição teve azar e incapacidade para saberem lidar com esta crise política. Com uma campanha abjecta que assustou mais de meio país, que a uniu em torno de PSL, a “vítima” (técnica apurada de passar por herói, como bem mostrou a figura sinistra de Ferro Rodrigues e o processo Casa Pia), que mesmo com eleições antecipadas tinha a chegada ao poder garantida. Bastava-lhe ganhar as eleições.

Sampaio soube jogar com uma pseudo-crise política, mais inventada por ele e pela oposição que outra coisa. Apesar de alguns erros de monta, foi frio e calculista, esperando pelas sondagens políticas. É que apesar da maioria das pessoas pedirem eleições antecipadas, PSL tinha uma auto-estrada até à chegada ao Poder. E aqui sim, o PR estava atado de mãos e pés, devido aos calendários políticos e às limitações à dissolução da AR., pela Constituição. E com um novo governo, liderado por PSL, legitimizado pelas urnas, e com a saída de Jorge Sampaio, só durante uns pequenos meses, durante o estado de graça do novo governo de PSL, é que Jorge Sampaio conseguiria utilizar algumas armas do seu arsenal atómico.

Mas a oposição, fraca, rasteira e abjecta, atirou-se para a frente do abismo. Só faltando o empurrão do Jorge Sampaio. E agora vira-se contra este. Beneficiando mais PSL.

“A traição é uma questão de datas.”

Resta saber o que irá fazer PSL a Paulo Portas. É que apesar de serem amicíssimos pessoais e como em política os amigos são circunstanciais, ele tem umas contas a ajudar contra Portas. É que apesar de tudo, Paulo Portas quase que ajudou a reeleição do João Soares. E a traição política é uma questão de datas. E, mais uma vez, os ensinamentos de Choderlos de Laclos serão úteis a PSL para afastar Portas da coligação. E desta vez, o sapo foi Portas e o escorpião é o PSL. E o La Fontaine não era parvo nenhum. Ah! Ah! Ah! Ah! Ah! Ah!

Em suma. O Compressor tem tudo para se manter no poder dez anos. E esperar que o Cavaco saia do poder. A partir daí… Fica nas suas sete quintas.

A ver vamos!

jleandro
11-07-2004, 21:57
só para dizer

que eu saiba o PSL já fez de tudo, e parece que fez tudo mal feito

a Camara da Figueira ficou praticamente na falência e a Lisboa para lá caminha

acho que a única coisa que ele sabe fazer bem: são filhos em várias mulheres :D :D

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