Ontem à noite liguei a televisão e ouvi um som. Um som maravilhoso! Voltei-me e, ao olhar, vi dois velhadas, lado a lado. 62 anos, disseram!
De seguida, desci, numa correria louca, os degraus do tempo e parei no patamar dos meus Rios de Som velhinhos. Das entranhas dos meus discos sairam, já não as vozes de ontem, mas as maravilhosas vozes de tempos idos. Por mim passaram anos felizes, em catadupa, uns atrás dos outros. Com eles, o som desbravou o éter à minha frente e vi passar as imagens daqueles rapazes pelo meu nervo óptico, até chegar à imagem do Colisu de Roma.
Old Friends, Cecília, El condor Pasa, Bridge Over Troubled Water, The Boxer, he Sound of Silence, ... e tantas outras belas músicas que sempre me acompanharam pelos anos fora. Meus amigos, estava mesmo com saudades do Paul Simon e do Garfunkel.
http://radiovirtual.blogs.sapo.pt/arquivo/29reun.jpg
Deixo na vossa imaginação esta maravilha!
Old friends, old friends,
Sat on their parkbench like bookends
A newspaper blown through the grass
Falls on the round toes
of the high shoes of the old friends
Old friends, winter companions, the old men
Lost in their overcoats, waiting for the sunset
The sounds of the city sifting through trees
Settles like dust on the shoulders of the old friends
Can you imagine us years from today,
Sharing a parkbench quietly
How terribly strange to be seventy
Old friends, memory brushes the same years,
Silently sharing the same fears
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Onde estão os meus Velhos Amigos?
Ontem vi dois no velho Coliseu de Roma, através de uma TV. Amigos?! Perguntarão vocês, incrédulos. Sim, direi eu, com a maior das certezas. Quem nos ajuda a viver será certamente nosso amigo. E quem partilha connosco as suas músicas, as suas poesias e nos dá alento nos momentos mais difíceis, será certamente nosso amigo. Eu ontem reencontrei dois velhos amigos e fizeram-me reviver as belezas do passado.
Old Friends
jleandro 02-08-2004, 22:43 também vi, por acaso, pois ver tv é coisa que cada vez menos faço.
re-encontrar Velhos Amigos, daqueles que acompanharam primeiro o nosso crescimento, depois a tropa e os vinte anos, os trinta, os quarenta, e por aí fora...
é como fazer um regresso às nossas juventudes e em minutos recordar tantos anos e tantas coisas importantes das nossas vidas, é um "flash back" ainda cheio de cor e alegria.
é grato fazer um exercício mental como este, e é algo de extraordinário pensar que tivémos a sorte de crescer com muitos daqueles que ainda hoje são referência musical e cultural para muitos bem mais novos que nós.
quem viveu a década de 60 já com idade para apanhar muito daquilo que a pouco e pouco nos ía chegando lá de fora, viveu tempos impares e únicos.
quantos daqueles que aprendemos a ouvir e escutar atentamente ainda são hoje figuras incontornáveis desse e ainda deste século?
pelo caminho vão ficando muitos deles e cada vez que perdemos mais um, é como se um pedaço de nós desaparecesse.
é esta conversa de velho?
não, é sinal de mais tempo de vida vivida, e bem.
cada um de nós valoriza os tempos que viveu e nos quais foi mais feliz, aquilo que para mim é verdade relativamente aos anos 60 e boa parte dos 70, é verdade para outros mais novos relativamente aos 70 e 80, mas que esses me desculpem, pois os 60 foram diferentes...
foram o começo de rudo o resto e mudaram definitivamente o "resto das nossas vidas"
Esses rapazes também são dos meus preferidos. Tenho pena não os ter visto no Coliseu de Roma, mesmo pela TV. Imagino que essa foto será deles nessa altura, não sei.
Sei que os anos que passaram nunca mais serão esquecidos por quem os viveu. E sei que dificilmente aparecerá alguém com capacidade para os substituir.
Não esqueço que a minha gente mais jovem continuam a viver esse sonho dos Simon and Garfunkel.
Obrigado Ventor por lembrares alguns dos meus ídolos. Obrigado também por nos ofereceres os teus Blogs. Passo por lá sempre que posso. Gosto muito de ver os teus bichinhos.
Eu não vi o programa do Coliseu de Roma, Témis.
Vi foi a apresentação deles e as primeiras palavras foram "Old Friends"! Até parecia a mesma voz de outrora e que eu pensava que tinha ido misturada na "troubled water" que passa debaixo das pontes.
Obrigado por passares pelos meus blogs. Beijinhos e vai aparecendo.
Ainda os velhadas. Desta vez, os Rolling Stones!
Esta malta deixou-me perplexo ao vê-los um dia destes numa TV. Retesados como antigamente, fazendo provàvelmente alguma dieta a toque de salsa, não sei, mas gostava de saber o remédio! Tão maloquinhos como sempre foram, embora mais calejados, lá se entretiveram a entreter os outros e deve ter valido a pena, pois estão comercialmente para a frentex, segundo parece.
http://www.rollingstones.com/livelicks/images/photos/02.jpg
Mas nas unhas que roçam as cordas das guitarras ainda existe a vontade de outrora. A vontade, a genica e o sonho de prosseguirem na sua velha caminhada. Ainda bem para eles e ainda bem para mim, pois continuo a ouvir acordes antigos pairando à minha volta tal como se imaginasse ver escorrer águas turbas de um velho e belo Rio de Sons!
O duplo CD dos Rolling Stones, Live Licks, faz reviver "Paint It Black", "Brown Sugar", "(I Can't Get No) Satisfaction", "Gimme Shelter" e outras e diz-se ainda que eles continuam a ser a maior Rock n Roll Band, no mundo. Mas isso diz-se!
Solidão absoluta
No nevoeiro escuro, o silêncio é companheiro do capim e irmão da madrugada! O cheiro do mato misturado com o odor da presença dos animais selvagens, é a campainha de alarme no meu cérebro. Ao meu lado, os meus companheiros da caminhada perscrutam tudo que possa servir para a acção defensiva.
Os meus companheiros, naquele momento, eram um amigo cabo-verdiano, o Bolinhas, o Zorba e a Diana, estes três, cães rafeiros, mas amigos a valer!
No silêncio da selva, a escuridão de um nevoeiro denso, cerrado, escuro como breu, no começo da aurora, ainda indecisa mas já com indícios de marcar presença.. O capim era um gigante que terminava bem acima das nossas cabeças e nas suas entranhas vivia o terror!
As espingardas estavam colocadas em posição de combate, e os cães pisavam-nos os calcanhares. O cheiro a “bravo” indiciava algum perigo e a humidade matinal poisava lentamente sobre os nossos bigodes, pestanas e sobrancelhas, em gotículas redondinhas, que faziam lembrar bagos de chumbo ligados por magnetismo a uns araminhos de aço.
A selva não era linda, porque não se via, o capim era uma massa uniforme em forma de palha quase seca e nele deixávamos um túnel que se abria à nossa passagem à medida que o baixávamos com as botas de lado para o pisar de seguida e caminharmos sobre ele. À nossa volta, víamos nada e só ouvíamos silêncio.
Lembrei-me então de “The Sound of Silence” do Paul Simon.
Hello darkness, my old friend,
I’ve come to talk with you again,
...
Então enviei dois tiros de G-3 para o ar e, de repente, parecia que o Mundo desabava sobre nós. Os cães sentiram-se mais inspirados e nós, apenas com dois tiros e o hello darkness, sentimo-nos mais seguros a aguardar que Apolo brilhasse sobre a lângua da savana que estaria por ali algures escondida no nevoeiro da madrugada.
Continuamos a caminhar pelo romper do dia e entre o nevoeiro, mas não podíamos assobiar ao silêncio porque após aqueles dois estrondos nós necessitávamos de caminhar lado a lado com ele.
À medida que o tempo passava, a luz começou a progredir perante farrapos de névoa que beijava a altura do capim, mas aqui e ali abria laivos de pinceladas de luz sobre o verde das árvores e o dourado do capim. Sem rumo, completamente à deriva, continuamos na direcção escolhida e acertamos no trajecto. Encontramos a picada e quando me apercebi onde estava, entramos num carreiro que nos levava ao poço que nos abastecia o Aérodromo de água. Nesse instante, já podíamos observar Apolo de escopro e cinzel a despedaçar a névoa mais alta e por razões de segurança trepamos para cima do poço onde ficamos de armas em riste.
Apolo continua o seu trabalho de erosão e já nos espreita por aqui e por ali, e numa dessas janelas abertas, avistamos uma gazela. O meu amigo ripa da arma e aponta e no momento do disparo, uma fracção de segunda mais cedo, eu, com o cano da minha arma, levantei a dele fazendo com que a função do tiro servisse apenas de arremesso contra o silêncio. Ao estrondo de mais aquele tiro avistámos lângua abaixo, um grupo de gazelas procurando onde se refugiar, fugindo ao barulho, exactamente o inverso da nossa caminhada anterior, fugindo ao silêncio!
http://ventor.blogs.sapo.pt/arquivo/langua6.jpg
A Lângua
Acutilado pelo silêncio e pelo barulho decidi, num ápice, que nada devia morrer!
Hello Darkness!
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