dudu
25-08-2004, 13:26
O pataconcio no outro forum alerta para o potencial perigo que pode advir para estes lados num futuro próximo...
Esta notícia só interessa, se é que interessa, para nos ajudar aperceber um bocadinho como se vive para aquelas bandas...
In publico
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Governo russo acaba com regalias sociais da era soviética
Medida já recebeu o apoio das duas câmaras do parlamento
O Governo russo decidiu substituir os privilégios e regalias da segurança social soviética aos reformados, inválidos e veteranos de guerra pelo pagamento de quantias fixas mensais. A medida - que já recebeu o apoio das duas câmaras do parlamento russo e do Presidente Putin - visa acabar com um dos últimos vestígios que sobreviviam da época comunista.
A reforma dividiu o país em dois campos opostos. Enquanto os canais de televisão públicos mostram pensionistas felizes, a popularidade do Presidente ficou, pela primeira vez, aquém dos 50 por cento e a oposição fala da degradação total do nível de vida de milhões de pessoas.
Reformados de Moscovo como Alexandre e a sua mulher Victória esperam para ver os resultados dessa decisão, que entra em vigor em 1 de Janeiro próximo. Alexandre é um coronel reformado que trabalhou muitos anos numa fábrica militar, e a sua mulher, também reformada, leccionou línguas estrangeiras numa escola russa. "No dia 1 de Agosto recebemos aumentos da reforma de 150 rublos [cerca de 4 euros]. Por isso, mensalmente, eu e o meu marido passamos a receber, juntos, 7500 rublos [cerca de 200 euros]", declara Victória. Além disso, o Estado pagava a este casal de reformados metade do valor dos serviços comunais e medicamentos, assegurava parte das despesas com o telefone e garantia passes gratuitos nos transportes públicos de Moscovo.
Todas essas regalias irão ser substituídas por dinheiro, mas aqui é que começam as divergências entre os adeptos e os adversários desta revolução social. Alexandre fez as contas e calculou que, actualmente, o Estado concede, a ele e à sua mulher, regalias no valor de 6000 rublos mensais [cerca de 170 euros], mas, quando as reformas entrarem em vigor, eles passarão a receber 2200 rublos, ou seja, quase três vezes menos.
Além disso, como o dinheiro para os reformados, inválidos e veteranos de guerra deixa de sair do Orçamento Federal e deverá ser pago dos orçamentos regionais, os adversários das reformas temem que esses pagamentos deixem de ser feitos em grande parte do país, porque 49 das 89 regiões da Federação da Rússia estão falidas.
A reformada e o filho do governador
Os adeptos da revolução social, pelo contrário, sublinham que as reformas irão pôr fim a um sistema de regalias e privilégios que existia apenas no papel. "Antigos dirigentes do país como Mikhail Gorbatchov e Boris Ieltsin anunciavam novas regalias e privilégios quando queriam acalmar o povo", declara ao PÚBLICO Iúri, médico reformado. Para satisfazer todas as promessas, algumas herdadas do regime comunista da União Soviética, outras feitas pelos dirigentes russos, o Orçamento Federal teria de pagar, por ano, 180 mil milhões de euros a 103 dos 143 milhões de habitantes da Rússia. Na realidade, as dívidas iam-se acumulando e tornava-se cada vez mais evidente que o Estado não podia suportar semelhante fardo.
A economista Iulia Latinina dá um exemplo de como esse sistema de regalias originava, frequentemente, corrupção: "Primeiro acto: o médico receita a uma reformada medicamentos comparticipados pelo Estado. Segundo acto: a reformada vai à farmácia, mas não lhe vendem o medicamento porque ela só paga metade do preço e a farmácia pode ter de esperar um ano pela outra metade prometida pelo Estado. Terceiro acto: ela vai a outra farmácia que não pode vender medicamentos comparticipados, mas é propriedade do filho do governador local. O director desta farmácia conhece bem a filha do vice-governador, que dirige o serviço de segurança local. Por isso, vende à reformada o medicamento pelo seu preço real, fica-lhe com a receita e, depois, declara, no serviço de segurança local, que recebeu apenas 50 por cento do custo. A filha do vice-governador dá seguimento aos papéis e o lucro é dividido entre ela e o filho do governador".
Além disso, os privilégios e regalias não podiam ser gozados por todos. Por exemplo, os reformados que moram nas aldeias russas não precisam de descontos nos transportes públicos locais, pois eles simplesmente não existem. Por isso, preferem receber mais algum aumento monetário às suas parcas pensões.
Mas uma coisa continua intocável: as regalias dos cerca de milhão e meio de funcionários dos governos centrais e regionais. Um ministro federal, por exemplo, tem um salário mensal de cerca de 3300 euros, mas, mensalmente, recebe regalias e privilégios no valor de 18 mil euros.
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Esta notícia só interessa, se é que interessa, para nos ajudar aperceber um bocadinho como se vive para aquelas bandas...
In publico
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Governo russo acaba com regalias sociais da era soviética
Medida já recebeu o apoio das duas câmaras do parlamento
O Governo russo decidiu substituir os privilégios e regalias da segurança social soviética aos reformados, inválidos e veteranos de guerra pelo pagamento de quantias fixas mensais. A medida - que já recebeu o apoio das duas câmaras do parlamento russo e do Presidente Putin - visa acabar com um dos últimos vestígios que sobreviviam da época comunista.
A reforma dividiu o país em dois campos opostos. Enquanto os canais de televisão públicos mostram pensionistas felizes, a popularidade do Presidente ficou, pela primeira vez, aquém dos 50 por cento e a oposição fala da degradação total do nível de vida de milhões de pessoas.
Reformados de Moscovo como Alexandre e a sua mulher Victória esperam para ver os resultados dessa decisão, que entra em vigor em 1 de Janeiro próximo. Alexandre é um coronel reformado que trabalhou muitos anos numa fábrica militar, e a sua mulher, também reformada, leccionou línguas estrangeiras numa escola russa. "No dia 1 de Agosto recebemos aumentos da reforma de 150 rublos [cerca de 4 euros]. Por isso, mensalmente, eu e o meu marido passamos a receber, juntos, 7500 rublos [cerca de 200 euros]", declara Victória. Além disso, o Estado pagava a este casal de reformados metade do valor dos serviços comunais e medicamentos, assegurava parte das despesas com o telefone e garantia passes gratuitos nos transportes públicos de Moscovo.
Todas essas regalias irão ser substituídas por dinheiro, mas aqui é que começam as divergências entre os adeptos e os adversários desta revolução social. Alexandre fez as contas e calculou que, actualmente, o Estado concede, a ele e à sua mulher, regalias no valor de 6000 rublos mensais [cerca de 170 euros], mas, quando as reformas entrarem em vigor, eles passarão a receber 2200 rublos, ou seja, quase três vezes menos.
Além disso, como o dinheiro para os reformados, inválidos e veteranos de guerra deixa de sair do Orçamento Federal e deverá ser pago dos orçamentos regionais, os adversários das reformas temem que esses pagamentos deixem de ser feitos em grande parte do país, porque 49 das 89 regiões da Federação da Rússia estão falidas.
A reformada e o filho do governador
Os adeptos da revolução social, pelo contrário, sublinham que as reformas irão pôr fim a um sistema de regalias e privilégios que existia apenas no papel. "Antigos dirigentes do país como Mikhail Gorbatchov e Boris Ieltsin anunciavam novas regalias e privilégios quando queriam acalmar o povo", declara ao PÚBLICO Iúri, médico reformado. Para satisfazer todas as promessas, algumas herdadas do regime comunista da União Soviética, outras feitas pelos dirigentes russos, o Orçamento Federal teria de pagar, por ano, 180 mil milhões de euros a 103 dos 143 milhões de habitantes da Rússia. Na realidade, as dívidas iam-se acumulando e tornava-se cada vez mais evidente que o Estado não podia suportar semelhante fardo.
A economista Iulia Latinina dá um exemplo de como esse sistema de regalias originava, frequentemente, corrupção: "Primeiro acto: o médico receita a uma reformada medicamentos comparticipados pelo Estado. Segundo acto: a reformada vai à farmácia, mas não lhe vendem o medicamento porque ela só paga metade do preço e a farmácia pode ter de esperar um ano pela outra metade prometida pelo Estado. Terceiro acto: ela vai a outra farmácia que não pode vender medicamentos comparticipados, mas é propriedade do filho do governador local. O director desta farmácia conhece bem a filha do vice-governador, que dirige o serviço de segurança local. Por isso, vende à reformada o medicamento pelo seu preço real, fica-lhe com a receita e, depois, declara, no serviço de segurança local, que recebeu apenas 50 por cento do custo. A filha do vice-governador dá seguimento aos papéis e o lucro é dividido entre ela e o filho do governador".
Além disso, os privilégios e regalias não podiam ser gozados por todos. Por exemplo, os reformados que moram nas aldeias russas não precisam de descontos nos transportes públicos locais, pois eles simplesmente não existem. Por isso, preferem receber mais algum aumento monetário às suas parcas pensões.
Mas uma coisa continua intocável: as regalias dos cerca de milhão e meio de funcionários dos governos centrais e regionais. Um ministro federal, por exemplo, tem um salário mensal de cerca de 3300 euros, mas, mensalmente, recebe regalias e privilégios no valor de 18 mil euros.
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