Óscar
26-08-2004, 13:32
Dados da ONU revelados hoje
Mais de 40 por cento da população mundial não tem saneamento básico
AFP, Lusa
Mais de 40 por cento da população mundial - 2,6 mil milhões de pessoas - continua sem saneamento básico e mais de mil milhões ainda recorrem a água não-potável para beber e outras actividades, de acordo com um relatório divulgado hoje pelas Nações Unidas.
O relatório conjunto da UNICEF e da Organização Mundial de Saúde (OMS) alerta que se não forem tomadas medidas será impossível cumprir, até 2015, os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio no sector de água e saneamento.
Mais de 500 milhões de pessoas - a maioria na África e Ásia - continuarão, dentro de dez anos, sem acesso a saneamento básico, o que continuará a causar "epidemias e surtos de doenças, resultando na morte de milhões de pessoas".
Em contrapartida, e a continuarem as medidas em curso, o objectivo no que toca a água potável "deverá ser cumprido", explica o relatório.
Para as duas agências das Nações Unidas, só é possível combater o "grave impacte humano e económico" das carências de saneamento se os governos reforçarem o empenho "em diluir as diferenças entre as zonas rurais e urbanas" e apostarem na educação de higiene.
Porém, indica o documento, a tendência para a urbanização continua a marginalizar as populações mais pobres das zonas rurais, pressionando igualmente as infraestruturas das cidades que, nalguns casos, já se mostram insuficientes. "Como resultado, famílias em aldeias e em bairros de lata urbanos vêem-se num ciclo vicioso de pobreza e má saúde. As crianças são as primeiras a sofrer devido à má qualidade da água e à má higiene", explica o relatório.
"Milhões de crianças continuam a nascer num clima de uma emergência silenciosa de bens simples", acrescenta Carol Bellamy, directora executiva da UNICEF. A falta de acesso a serviços básicos causa diariamente a morte a quatro mil crianças.
Segundo a OMS, as diarreias são responsáveis por 1,8 milhões de mortes anualmente, a maioria crianças com menos de cinco anos. Milhões de outras ficam permanentemente debilitadas.
Para o responsável da Organização Mundial de Saúde (OMS) Lee Jong-wook, a água e o saneamento são os principais factores da saúde pública e a sua falta contribui para aumentos de epidemias e surtos de doenças graves.
Entre os sinais de progresso, o relatório contabiliza 15 países que na última década aumentaram em pelo menos 25 por cento a sua rede de água potável, entre os quais Angola (quarto lugar).
Do lado oposto, e no que toca a redes deficientes de saneamento básico, o relatório lista 27 nações onde a cobertura é bastante fraca, incluindo São Tomé e Príncipe (24 por cento/12º lugar), Moçambique (27 por cento/16º lugar) e Timor-Leste, com 33 por cento de cobertura.
Nos dados relativos a Portugal, o relatório indica apenas que em 1990 estavam ligadas à rede de canalização 72 por cento das casas - 97 por cento nas zonas urbanas e metade nas zonas rurais. Relativamente a 2002 o único dado referido é a percentagem de casas urbanas com acesso a água canalizada, que se mantinha nos 97 por cento.
O documento refere que em 1990 a maioria da população, 53 por cento, viva nas zonas rurais, sendo que em 2002 a situação se tinha invertido e 54 por cento já residia em centros urbanos.
http://ultimahora.publico.pt/shownews.asp?id=1202116&idCanal=90
Mais de 40 por cento da população mundial não tem saneamento básico
AFP, Lusa
Mais de 40 por cento da população mundial - 2,6 mil milhões de pessoas - continua sem saneamento básico e mais de mil milhões ainda recorrem a água não-potável para beber e outras actividades, de acordo com um relatório divulgado hoje pelas Nações Unidas.
O relatório conjunto da UNICEF e da Organização Mundial de Saúde (OMS) alerta que se não forem tomadas medidas será impossível cumprir, até 2015, os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio no sector de água e saneamento.
Mais de 500 milhões de pessoas - a maioria na África e Ásia - continuarão, dentro de dez anos, sem acesso a saneamento básico, o que continuará a causar "epidemias e surtos de doenças, resultando na morte de milhões de pessoas".
Em contrapartida, e a continuarem as medidas em curso, o objectivo no que toca a água potável "deverá ser cumprido", explica o relatório.
Para as duas agências das Nações Unidas, só é possível combater o "grave impacte humano e económico" das carências de saneamento se os governos reforçarem o empenho "em diluir as diferenças entre as zonas rurais e urbanas" e apostarem na educação de higiene.
Porém, indica o documento, a tendência para a urbanização continua a marginalizar as populações mais pobres das zonas rurais, pressionando igualmente as infraestruturas das cidades que, nalguns casos, já se mostram insuficientes. "Como resultado, famílias em aldeias e em bairros de lata urbanos vêem-se num ciclo vicioso de pobreza e má saúde. As crianças são as primeiras a sofrer devido à má qualidade da água e à má higiene", explica o relatório.
"Milhões de crianças continuam a nascer num clima de uma emergência silenciosa de bens simples", acrescenta Carol Bellamy, directora executiva da UNICEF. A falta de acesso a serviços básicos causa diariamente a morte a quatro mil crianças.
Segundo a OMS, as diarreias são responsáveis por 1,8 milhões de mortes anualmente, a maioria crianças com menos de cinco anos. Milhões de outras ficam permanentemente debilitadas.
Para o responsável da Organização Mundial de Saúde (OMS) Lee Jong-wook, a água e o saneamento são os principais factores da saúde pública e a sua falta contribui para aumentos de epidemias e surtos de doenças graves.
Entre os sinais de progresso, o relatório contabiliza 15 países que na última década aumentaram em pelo menos 25 por cento a sua rede de água potável, entre os quais Angola (quarto lugar).
Do lado oposto, e no que toca a redes deficientes de saneamento básico, o relatório lista 27 nações onde a cobertura é bastante fraca, incluindo São Tomé e Príncipe (24 por cento/12º lugar), Moçambique (27 por cento/16º lugar) e Timor-Leste, com 33 por cento de cobertura.
Nos dados relativos a Portugal, o relatório indica apenas que em 1990 estavam ligadas à rede de canalização 72 por cento das casas - 97 por cento nas zonas urbanas e metade nas zonas rurais. Relativamente a 2002 o único dado referido é a percentagem de casas urbanas com acesso a água canalizada, que se mantinha nos 97 por cento.
O documento refere que em 1990 a maioria da população, 53 por cento, viva nas zonas rurais, sendo que em 2002 a situação se tinha invertido e 54 por cento já residia em centros urbanos.
http://ultimahora.publico.pt/shownews.asp?id=1202116&idCanal=90
