Massarico
26-08-2004, 20:44
Pinochet perde imunidade e pode enfrentar julgamento
O Supremo Tribunal do Chile decidiu, esta quinta-feira, levantar a imunidade de Augusto Pinochet para que o ex-ditador possa ser julgado por crimes relacionados com a Operação Condor. A decisão foi aprovada por nove votos a favor e oito contra.
in TSF on line
Pena a decisão vir tão tarde para que ele podesse gozar do prazer do encarceramento, pois não advogo dar-se-lhe um tratamento igual ou idêntico ao que ele infligiu noutros. Aliás a todos os ditadores e/ou prepotentes, sejam de que quadrante político forem, devia-lhes caber tal sorte
jleandro
27-08-2004, 09:36
por cá diz-se " mais vale tarde que nunca", é o caso.
devia ter sido há muito mais tempo, mas isto é sinal que algo está a mudar no Chile e no Mundo, ainda bem.
há uns anos atrás seria impensável uma situação destas, que vai servindo de aviso aos potenciais Pinochets que por aí há.
Operação Condor: Quando Sete Governos Sul-americanos Deram Ordem para Matar
Sexta-feira, 27 de Agosto de 2004
A Operação Condor pela qual Augusto Pinochet será julgado foi urdida, na década de 1970, pelos serviços de espionagem militar de sete países da América do Sul. As "secretas" da Argentina, Chile, Uruguai, Brasil, Paraguai, Bolívia e Peru (embora este de forma limitada) trocavam informações sobre opositores residentes nos vários países e permitiam-se operar nos respectivos territórios. Assim, os "agentes subversivos" eram mais facilmente sequestrados - ou assassinados.
Esta união de esforços entre ditaduras contra a "ameaça comunista" começou a estabelecer-se anos antes, entre militares de países sul-americanos que se tornaram companheiros durante cursos em academias militares dos EUA. No caso específico do Chile, pelo menos três assassínios de personalidades que tinham fugido do país após o golpe militar terão sido cometidos no quadro desta operação, realizados pela "secreta" do regime de Pinochet, a DINA, comandada pelo general Manuel Contreras.
Em Buenos Aires, às quatro horas da madrugada de 30 de Setembro de 1974, o general Carlos Prats, que fora vice-Presidente e ministro de Estado durante o regime de Salvador Allende, e a mulher, Sofia Cuthbert, foram mortos pela explosão de uma bomba. Nesta operação da DINA está referenciada a cooperação da polícia secreta argentina.
Outra operação, na Europa, visou outro ex-vice-Presidente chileno, Bernardo Leighton, do Partido Democrata-Cristão, e a mulher, Ana Fresno, em 6 de Outubro de 1975. Homens armados emboscaram-se à porta de casa deles em Roma e visaram-nos com tiros de pistola. Leighton foi atingido na cabeça, a bala entrou e saiu, e a mulher no peito. Sobreviveram e conseguiram identificar os agressores, dois italianos que estariam ao serviço da DINA. Teria havido colaboração da polícia secreta franquista de Espanha.
Em 21 de Setembro de 1976, nos Estados Unidos, o alvo foi Orlando Letelier, ex-ministro de Estado de Allende e uma das vozes mais incómodas para Pinochet entre a comunidade de exilados. Foi morto em Washington por uma bomba accionada por controlo remoto, juntamente com Ronnie Moffit, que trabalhava com ele no Instituto de Estudos Políticos. O nome de um norte-americano colaborador da DINA, Michael Townley, aparece associado aos três crimes, segundo as investigações até agora realizadas
http://jornal.publico.pt/2004/08/27/Mundo/I01CX01.html