De repente a Joaninha, através de um acto bárbaro, passou a ser também "nossa"...
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Estou indignado. Custa-me a acreditar como é que uma mãe fez ou permitiu que a sua filha tivesse um fim tão absurdo e trágico.
Todos nós, ao longo da nossa existência, vamos e iremos cometendo erros na nossa própria socialização, mas que tenhamos sempre em mente, e na nossa consciência, que as crianças são o nosso futuro e devem ser defendidas. Actos destes nunca terão justificação, nem a pobreza extrema serve de desculpa, muito menos se os pais não têm a cabeça no lugar.
É realmente uma tristeza, mas eu ainda não sei o que se passou. Penso que não há nada que possa justificar isso, qualquer que seja a razão.
Nem num mundo de doidos.
Até os doidos que eu conheci gostavam de crianças e de animais. Quando era do tamanho dessa Joana tínhamos um homem demente, lá na freguesia, que andava a pedir porque endoideceu. Tínha sido carteiro e teve de ficar sem o emprego lá nas aldeias. Toda a gente lhe dava de comer. Na casa de meu pai comia connosco à mesa e tinha duas cadelinhas que comiam juntamente com a nossa e entendiam-se melhor que as pessoas.
Uma vez encontrei tipos de uma aldeia longe da minha a meter-se com o homem dizendo que lhe iam matar as cadelas, só para o ouvirem gritar pela mãe. Eu cresci nesta embrulhada e nessa altura já era grandinho e tomei uma decisão. Vou correr com estes gajos á pedrada! Ainda me tentaram agarrar, mas a pedrada fervia e os homens lá da minha terra acabaram por os correr a murro!
Nunca mais lá voltaram, mas o João do Correio voltou sempre, até morrer. Ele não era de lá, mas era como se fosse. Por razões destas tive sempre uma atenção muito especial por gente dessa e tudo isto me faz muita confusão.
Por isso fico enjoada cada vez que oiço alguns energúmenos a defender a família biológica com unhas e dentes.
Depois da morte daquela bébé do Norte por maus tratos físicos e agora esta menina, custa-me a crer que os Tribunais continuem a reenviar as crianças para as famílias biológicas e os assistentes sociais a fazerem-se de cegas.
Só porque houve um cruzamento das células do pai e da mãe, não lhes dá o direito de pôrem e dispôrem das crianças. :mad:
Fico danada com isto !!!
da historia toda......mas calculo! :mad: E tao triste, tao triste.....por aqui tambem acontecem coisas horriveis para as quais nao existe explicacao nenhuma! A cadeia e boa demais para esta gente que faz mal as criancas, velhos e animais.
Blue, faço-te companhia no enjoo pela sacralização absurda da família biológica.
Por vezes tenho que contactar com a Segurança Social e com a Comissão de Protecção de Menores por casos de gravíssimos abusos em família. Mas vence sempre o maldito argumento da "falta de provas” e, o que mais me enfurece, do “flagrante”.
Hoje a magistrada Dulce Rocha reconheceu que se tem “desvalorizado os sinais”, e que uma das consequências é esta de crianças, milhares delas, viverem portas adentro dramas impensáveis.
Ah, tem desvalorizado, tem! Se tem! Como se um pai ou familiar abusador, que são os casos mais graves, esperasse pelos técnicos para praticar à vista de todos os crimes de que se suspeita, muitas vezes com a conivência da restante família.
Num caso recente em que o pai, exactamente devido a fortíssimas suspeitas, foi afastado de casa, já lá está de novo com autorização do tribunal.
Família biológica, pois claro. Até um dia …
esta história está muito esquisita
houve confissão, o corpo não aparece, ao acusados andam à descarada a brincar ao gato e ao rato com a justiça...
se alguém confessa um crime tão hediondo como este, porque não dizer também o local exacto onde está o corpo ?
qual a verdadeira intenção ?
a não ser que não haja corpo, e por estranha ironia da condição social onde esta gente é obrigada a estar, a criança tenha sido vendida a redes de...
...pedofilia ???
por dinheiro !!!
:mad:
acaso seja verdade e provado, eu só questiono se as "pessoas" que cometem tamanho acto de barbaridade merecem viver ?
:mad:
Eu também trabalho numa Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (é o nome actual dessas instituições) e reconheço que é difícil muitas vezes avaliar as situações de extrema gravidade pelos indícios, e quem fala é alguém que tem muitos anos de experiência de trabalho em Urgência Pediátrica onde a maioria destes casos vai parar em primeira mão. Só que estas situações não dão muitas vezes tempo a investigações mais completas.
De qualquer modo a decisão de retirada do poder paternal, òbviamente, compete aos tribunais e não às Comissões de Protecção.
Houdini, este é claramente um caso de as pessoas "não terem a cabeça no lugar", é uma situação de patologia psiquiátrica não é uma situação de "mau feitio".
É claro no nosso Direito que os pais não são "donos" das suas crianças, têm sobre elas um poder tutelar que a Sociedade (através dos tribunais) pode retirar e atribuir a outrem. Também é verdade que a família biológica deve ser preservada a não ser que isso seja claramente prejudicial à criança. Também é verdade que há muita subjectividade nesta avaliação e as opiniões e opções individuais dos juízes são importantes nesta avalição (é do que se fala quando se põe em causa se um juíz de trinta anos tem a experiência de vida necessária para o desempenho do cargo). É também muito verdade que a informação dada pelos técnicos (serviço social, professores, médicos) é determinante para a decisão dos juízes.
Quando tiver mais tempo talvez venha abrir a discussão sobre o papel das Comissões de Protecção.
Até
Iatros
No dia 16 de Outubro vai haver um encontro em Setúbal sobre a questão da Adopção em Portugal. Por acaso seria interessante ter alguém que falasse em representação de uma Comissão de Protecção de Menores e Jovens.
Tens algum contacto que me possa dar ?
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