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Diz-se por toda a parte: o país está perdido!

profit
29-11-2004, 10:28
O país perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada, os carácteres corrompidos. A prática da vida tem por única direcção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido. Não há instituição que não seja escarnecida .Ninguém se respeita. Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Ninguém crê na honestidade dos homens públicos. Alguns agiotas felizes exploram. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente. O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo. A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências.

Diz-se por toda a parte: o país está perdido!»

Isto foi escrito em 1871, por Eça de Queirós

Curiosos é que o sentimento actual é o mesmo, não acham?

Karl Marx
29-11-2004, 12:44
Touché!

Óscar
29-11-2004, 13:04
Social Watch alerta para desemprego e corrupção em Portugal

Desemprego, corrupção, imigração, saúde e consumo são factores apontados como obstáculos para a segurança humana em Portugal, de acordo com dados do relatório de 2004 da Social Watch.

O relatório da Social Watch, iniciativa criada em 1995 durante a Cimeira Mundial para o Desenvolvimento, em Copenhaga, e que reúne organizações da sociedade civil de 60 países, diz que o contexto em Portugal é de "crise económica, insatisfação generalizada e falta de expectativas".

O documento, que retrata a realidade de 50 países, será lançado no Brasil na próxima terça-feira, na Câmara dos Deputados.

O texto referente a Portugal é assinado por membros da OIKOS, uma organização não governamental humanitária portuguesa.

O relatório afirma que "cresce a impressão de que na democracia portuguesa reina uma cultura de irresponsabilidade e impunidade" e aborda o problema do endividamento das famílias e do aumento do desemprego em Portugal.

"Nas últimas décadas, os portugueses tornaram-se fortes consumidores e as mudanças na conjuntura económica não fizeram com que moderassem os seus gastos. O altíssimo nível de endividamento das famílias agravou-se drasticamente", diz o documento.

Segundo dados do Banco de Espanha e da Associação Portuguesa de Consumidores, 96,6% das famílias portuguesas estavam endividadas em 2001.

Apesar de indicadores sócio-económicos, como educação, informação, ciência e tecnologia, colocarem Portugal entre os países em melhor situação ou acima da média, o Social Watch alerta para o problema da corrupção no país.

Os casos de corrupção incluem subornos, grandes delitos económico-financeiros, tráfico de influências, fraudes em licitações e encobrimento de responsabilidades penais.

O relatório sobre Portugal aponta também o problema dos imigrantes no país, que actualmente representam cerca de cinco por cento da população.

Três em cada quatro portugueses opõem-se ao novo fluxo migratório, segundo o documento da Social Watch, ainda que quase todos se manifestem contrários a um tratamento desigual para os imigrantes.

Na área da saúde, "o sistema público não oferece respostas a tempo e está constantemente à beira do colapso", diz o texto, citando organismos internacionais que atribuem esta situação à "má administração".

Um dos grupos sociais mais vulneráveis à conjuntura adversa em Portugal é o dos deficientes, de acordo com o relatório.

O documento assinala que "Portugal ocupa um lamentável primeiro lugar na União Europeia em matéria de acidentes de trânsito".

Cinco pessoas morrem em média por dia no trânsito e 19 sofrem lesões graves, sendo as principais causas dos acidentes o excesso de velocidade, as manobras perigosas e o consumo excessivo de álcool.

O Social Watch salienta a necessidade da organização dos cidadãos portugueses para enfrentarem os desafios e "tomarem iniciativas conjuntas de defesa de seus legítimos interesses e desejos".

http://www.diarioeconomico.com/edicion/noticia/0,2458,566516,00.html

basankusu
29-11-2004, 14:34
Profit,

Excelente post!
É de facto interessante ir, de vez em quando, pesquisar alguns artigos do nosso passado recente e verificar como as coisas mudam sem verdadeiramente mudar!

Karl Marx
29-11-2004, 15:08
Apesar de indicadores sócio-económicos, como educação, informação, ciência e tecnologia, colocarem Portugal entre os países em melhor situação ou acima da média, o Social Watch alerta para o problema da corrupção no país.

Ora aqui está uma coisa em que até o Pataco (ólá Patacôncio! Por onde andas, rapaz?) concordaria comigo:o trabalho do Mariano Gago está a dar os seus frutos! ;)

Mystic
29-11-2004, 15:11
E um Guerra Junqueiro ainda mais azedo ...


Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional - reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta [...]

Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados (?) na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro [...]

Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este, criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do pais, e exercido ao acaso da herança, pelo primeiro que sai dum ventre - como da roda duma lotaria.

A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas [...]


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