Ventor
16-05-2003, 13:33
Um dia conheci um amigo. Um de entre muitos que por aqui deambularam comigo.
Este já morreu, e por isso, mais um pendorado na memória do tempo. Mas este deixou algo para a posteridade. Deixou uns livros de poesia e eu tenho aqui uma oferta que ele fez à minha mulher, pois dizia que sabendo que eu é que o iria ler, as ofertas fazem-se às senhoras!
Este livro chama-se:
Dans Cet Espace ...
Vivez ! … Vivons ! …
Cést un petit souvenir de l’auteur à madame …, et mes meilheurs vœux d’heureuse et long vie.
Amadora, 30 de Outubro de 1982.
Este homem era um Engenheiro famoso de nacionalidade suíça, filho de judeus, que adoptou Portugal como sua segunda pátria! Viveu em Espanha, em Marrocos, nas Canárias e em Portugal, o “país das maravilhas”!
A sua história é cheia de vida, de confrontos de beleza. Também ele era um homem de corpo inteiro. Era judeu, portanto, um homem!
Gostava de conversar connosco, de falar dele e das terras por onde tinha caminhado, e fundamentalmente, de Andorra, onde ele, segundo me dizia, aprendeu a ser homem!
Em Andorra, com o estatuto de Engenheiro, ele era adjunto de um outro que tinha traçado os planos para a primeira barragem daquele país maravilha, no leito do rio Valira. Mas esse outro Engenheiro teve um colapso cardíaco e foi-se! Este meu amigo, à altura, um jovem Engenheiro, sem grande experiência, segundo me disse, ficou entrincheirado entre o colapso, de outro tipo, ou a glória!
Escolheu a glória. Afinal era um adjunto! Alterou os projectos dos vários componentes da barragem e assou a coordenar todos os trabalhos sobre a mesma. Aí começou a fama do meu velho amigo Edmond Dardel!
A 2ª Guerra Mundial, perseguiu-o através dos nazis, e ele, aguentou os trabalhos da barragem e depois, refugiou-se, em Portugal, o tal país fascista que perseguia os judeus, segundo se diz, talvez por conveniência de uns tantos, como no caso de um tal senhor que era consolado de Portugal, em Bordéus! Não digo o nome para vocês puxarem pela cabeça!
Este homem, disse-me muitas vezes, o quanto amava este país, o seu Governo e as suas gentes! O mesmo terá dito Calouste Gulbenkian, e por o dizer, é que permitiu que a sua fortuna fosse gerida através de Portugal, os tais perseguidores! São histórias muito complicadas que só interessam a uns quantos, aqueles que podem torná-las em jogos de conveniência política!
Ao Edmond Dardel, um desconhecido ou pouco conhecido do povo português, um homem a quem tanto devo por apenas uns dedos de conversa, umas gírias de conhecimento, uns desabafos de conversa, as minhas sinceras homenagens!
Morreu com 96 anos e parecia um jovem!
O homem que fugiu do pai, que correu mundo a trabalhar e que se refugiou neste quintalzinho à Beira-Mar plantado, a que nós chamamos Portugal, e ele chamava "país das maravilhas", "Ma petit grand Patrie"!
Escreveu assim, na sua língua original, o francês da Suiça:
Printemps
Nous sommes, vous êtes, je suis,
accompagnhez-moi... Ô frères!...
Nous sommes, nous serons,
car magique impulsion des vies
exige notre totale et simple existence.
Le printemps est
notre élan, notre espérance!
...
Pourquoi tenter comprendre
nous, modestes vivants?
Obéissons
à l'étrange alchimie
des pensées toujours renouvelées
espérées...
parfois,
indûment caressées.
...
Comprendre, qu'esr-ce?
L'élan d'un atome fier
rêvant d'être un Univers?
Vie... élan... toujours...
Omniprésente, es-tu,
VIE?
Este desarranjo dos versos é devido à mania dos poetas se querem fazer também Naïfs!
Diz Anaïs Jaquet
Segundo Baudelaire disse: "La poésie est de l'enfance retrouvée à volonté".
De cet ingénieur suisse né à Genève et résidant au Portugal, je reçois très souvent un coup de téléphone de Lisboa.
Cette voix du soleil me dit un poème pour enchanter mes heures.
Les cris, les rires et les pleurs sont les chants de l'âme de ce poète qui exprime les jours, les mois e les saisons de la vie ...
Este já morreu, e por isso, mais um pendorado na memória do tempo. Mas este deixou algo para a posteridade. Deixou uns livros de poesia e eu tenho aqui uma oferta que ele fez à minha mulher, pois dizia que sabendo que eu é que o iria ler, as ofertas fazem-se às senhoras!
Este livro chama-se:
Dans Cet Espace ...
Vivez ! … Vivons ! …
Cést un petit souvenir de l’auteur à madame …, et mes meilheurs vœux d’heureuse et long vie.
Amadora, 30 de Outubro de 1982.
Este homem era um Engenheiro famoso de nacionalidade suíça, filho de judeus, que adoptou Portugal como sua segunda pátria! Viveu em Espanha, em Marrocos, nas Canárias e em Portugal, o “país das maravilhas”!
A sua história é cheia de vida, de confrontos de beleza. Também ele era um homem de corpo inteiro. Era judeu, portanto, um homem!
Gostava de conversar connosco, de falar dele e das terras por onde tinha caminhado, e fundamentalmente, de Andorra, onde ele, segundo me dizia, aprendeu a ser homem!
Em Andorra, com o estatuto de Engenheiro, ele era adjunto de um outro que tinha traçado os planos para a primeira barragem daquele país maravilha, no leito do rio Valira. Mas esse outro Engenheiro teve um colapso cardíaco e foi-se! Este meu amigo, à altura, um jovem Engenheiro, sem grande experiência, segundo me disse, ficou entrincheirado entre o colapso, de outro tipo, ou a glória!
Escolheu a glória. Afinal era um adjunto! Alterou os projectos dos vários componentes da barragem e assou a coordenar todos os trabalhos sobre a mesma. Aí começou a fama do meu velho amigo Edmond Dardel!
A 2ª Guerra Mundial, perseguiu-o através dos nazis, e ele, aguentou os trabalhos da barragem e depois, refugiou-se, em Portugal, o tal país fascista que perseguia os judeus, segundo se diz, talvez por conveniência de uns tantos, como no caso de um tal senhor que era consolado de Portugal, em Bordéus! Não digo o nome para vocês puxarem pela cabeça!
Este homem, disse-me muitas vezes, o quanto amava este país, o seu Governo e as suas gentes! O mesmo terá dito Calouste Gulbenkian, e por o dizer, é que permitiu que a sua fortuna fosse gerida através de Portugal, os tais perseguidores! São histórias muito complicadas que só interessam a uns quantos, aqueles que podem torná-las em jogos de conveniência política!
Ao Edmond Dardel, um desconhecido ou pouco conhecido do povo português, um homem a quem tanto devo por apenas uns dedos de conversa, umas gírias de conhecimento, uns desabafos de conversa, as minhas sinceras homenagens!
Morreu com 96 anos e parecia um jovem!
O homem que fugiu do pai, que correu mundo a trabalhar e que se refugiou neste quintalzinho à Beira-Mar plantado, a que nós chamamos Portugal, e ele chamava "país das maravilhas", "Ma petit grand Patrie"!
Escreveu assim, na sua língua original, o francês da Suiça:
Printemps
Nous sommes, vous êtes, je suis,
accompagnhez-moi... Ô frères!...
Nous sommes, nous serons,
car magique impulsion des vies
exige notre totale et simple existence.
Le printemps est
notre élan, notre espérance!
...
Pourquoi tenter comprendre
nous, modestes vivants?
Obéissons
à l'étrange alchimie
des pensées toujours renouvelées
espérées...
parfois,
indûment caressées.
...
Comprendre, qu'esr-ce?
L'élan d'un atome fier
rêvant d'être un Univers?
Vie... élan... toujours...
Omniprésente, es-tu,
VIE?
Este desarranjo dos versos é devido à mania dos poetas se querem fazer também Naïfs!
Diz Anaïs Jaquet
Segundo Baudelaire disse: "La poésie est de l'enfance retrouvée à volonté".
De cet ingénieur suisse né à Genève et résidant au Portugal, je reçois très souvent un coup de téléphone de Lisboa.
Cette voix du soleil me dit un poème pour enchanter mes heures.
Les cris, les rires et les pleurs sont les chants de l'âme de ce poète qui exprime les jours, les mois e les saisons de la vie ...
