vifer
21-11-2005, 15:26
Portugal na linha da frente do aproveitamento dos oceanos.
Semanário Económico
21-11-2005
Energia das ondas pode valer quase 30% do PIB. Portugal está numa posição privilegiada para estar na frente do aproveitamento da energia das ondas. Se o Governo apoiar e as empresas souberem aproveitar as oportunidades, o país poderá dominar 10% do mercado mundial de equipamentos, o que adicionado ao mercado nacional equivalerá a 40 mil milhões de euros, quase 30% do PIB, além de gerar 10 mil postos de trabalho durante 40 anos.
è lá!!!!!!!!
Vejo aqui muito optimismo!!!!!
“Portugal pode dominar 10% do mercado mundial de equipamentos para gerar electricidade a partir das ondas, calculado em 325 mil milhões de euros, se souber aproveitar as oportunidades”, afirma o presidente do Centro de Energia das Ondas (CEO). Investigador e professor do Instituto Superior Técnico, António Sarmento, diz que a dimensão do negócio internacional combinado com as estimativas para o mercado nacional, garantirão “um negócio total da ordem dos 40 mil milhões de euros”, ou seja quase 30% do PIB nacional, “exportações da ordem dos mil milhões de euros durante 32 anos”, bem como “a criação de 10 mil postos de trabalho directos durante 40 anos”. Isto sem contar, naturalmente, com a redução da dependência energética face ao estrangeiro e da factura devida pela importação de gás para geração de electricidade, para além de permitir mais facilmente o cumprimento do protocolo de Quioto.
Do ponto de vista energético, “a costa ocidental portuguesa tem potencial para gerar cerca de 5 GW, ou seja 20% do consumo anual de energia eléctrica do país”. Dos quase 800 quilómetros da costa oeste só 335 estão disponíveis para aproveitamento da energia das ondas. Mesmo assim, ainda não estão contabilizadas as possibilidades de geração de electricidade nas zonas económicas exclusivas dos arquipélagos dos Açores e da Madeira. A costa algarvia não entre nos cálculos por ter um potencial bastante mais baixo. “A atractividade desta forma de produzir electricidade, além de ambientalmente limpa - quase perfeita - advém do facto de se perspectivar como a mais barata de todas a um prazo de 15 anos”, afirma António Sarmento.
No que diz respeito à oportunidade do ponto de vista oceânico, o presidente do CEO refere que “é uma forma de explorarmos as oportunidades que nos oferece a zona económica exclusiva, para a qual não temos meios disponíveis”. Isto para além de contribuir para o desenvolvimento de uma tecnologia e do tecido empresarial. Sublinha ainda a oportunidade de o país ocupar espaço no que diz respeito a um recurso que pode vir a ser cobiçado pelos parceiros comunitários, como já aconteceu em relação às pescas, hoje geridas por Bruxelas.
Ondas geram mais electricidade que o vento
António Sarmento, que investiga a energia das ondas desde 1977, afirma que, numa mesma área de implantação, um campo de energia das ondas tem capacidade para gerar três vezes mais electricidade que um campo de energia eólica. A energia eléctrica gerada a partir das ondas tem também a particularidade de ser mais facilmente integrável na rede eléctrica nacional, graças à maior previsibilidade. “As ondas do Atlântico Norte propagam-se sem perder energia, permitem fazer previsões fáceis, com, pelo menos, seis dias de antecedência e Portugal beneficia de estados de mar estáveis, o que permite instalar equipamentos sem medo de os perder “, salienta António Sarmento. A opinião de muitos investigadores internacionais é que Portugal, não sendo o país cuja costa tem maior intensidade de energia das ondas (ver mapa) é dos que têm mais condições de atractividade para desenvolver a energia das ondas. A facilidade de acesso, a existência de povoações ao longo da faixa litoral e a existência de rede eléctrica nas imediações da costa contribuem para valorizar a posição do país.
Estas condições fizeram com que diversos projectos, entre os quais o Archimedes Wave Swing, fosse inicialmente instalado no off-shore português. A quebra de compromissos por parte do Estado e alguma animosidade das comunidades piscatórias contra os dispositivos de geração de energia eléctrica fizeram com que os promotores - a empresa holandesa Teamwork Technology e a portuguesa Enersis - escolhessem a Galiza para continuar as experiências.
EDP em três projectos
O presidente do Centro de Energia das Ondas é bem claro ao afirmar que o Estado deve preocupar-se em facilitar a vida das empresas, nacionais e estrangeiras, e remover as barreiras administrativas e burocráticas que, muitas vezes, acabam por inviabilizar iniciativas da maior importância nesta área. O Centro de Energia das Ondas (CEO), além de participar no desenvolvimento científico dos projectos, tenta identificar as barreiras existentes, aconselhando depois o Estado a removê-las, dando também assessoria na criação de legislação e regulamentação sobre o sector e orientação de fundos de apoio, como o PRIME.
Apesar de ainda não estar muito divulgado entre o tecido empresarial, este sector já conta com algumas empresas portuguesas. A Enersis, já presente no projecto Archimedes Wave Swing (ver infografia), está a desenvolver a tecnologia Pelamis (ver infografia) na Aguçadoura, perto da Póvoa de Varzim. Também a Martifer Energia, empresa do grupo Mota-Engil, está a desenvolver um modelo, actualmente em testes, que deverá ser desenvolvido pelos técnicos da empresa até à instalação de um protótipo no mar em 2008. O grupo EDP, através da Labelec, está presente na central experimental da ilha do Pico, nos Açores, desde 1998, na coluna de água oscilante do molhe da foz do Douro (foto), com uma potência instalada de 500 MW em cada uma das duas fases previstas para estarem concluídas em 2008 e 2009 e no Aqua Buoy, a instalar no off-shore nacional, com arranque previsto para 2006, primeiro com 250 kW de capacidade instalada e depois de 2 MW. A ideia é desenvolver um campo de energia das ondas até 100 MW.
Quem já está no sector afirma que “este é o momento” para Portugal apostar. Será necessário pagar os custos do pioneirismo nesta área, mas os benefícios a longo prazo e perspectivam-se como muito atractivos. Além disso, o país é respeitado nos meios científicos internacionais. A próxima conferência europeia de energia das ondas terá lugar em Portugal, em Setembro de 2007, previsivelmente no Porto, sob a presidência de António Falcão, professor do IST. A grande diversidade de equipamentos, cerca de cem modelos distintos ainda coloca algumas barreiras à actividade industrial, mas, com a experiência, os mais viáveis acabarão por se afirmar no mercado.
O mar já representa 11% do PIB e 12% do emprego em Portugal
“A economia marítima tem uma expressão muito significativa na economia portuguesa, em termos de produto e de emprego.”, conlui um trabalho realizado pelo Centro de Estudos Aplicados da Universidade Católica, para a Comissão Estratégica dos Oceanos em 2001. Tal afirmação baseou-se nas estimativas efectuadas, em que a economia marítima representaria, de modo directo, 5% do PIB e do emprego em Portugal. Mas, se tivéssemos em conta, também, os efeitos indirectos, o peso deste sector no PIB subiria para 11% e a sua importância no emprego cresceria para os 12%.
Perante esta realidade, é notório que as actividades relacionadas com a economia marítima têm uma importância muito superior ao que se poderia esperar. Atente-se que, por exemplo, no cluster da indústria automóvel que representa em Portugal, cerca de 3% do PIB. E a importância da economia marítima pode aumentar, consideravelmente, caso seja aplicada uma estratégia de desenvolvimento adequada ao sector.
Ernâni Lopes defende que a economia do mar é, claramente, um dos domínios estratégicos com maior capacidade para alavancar a economia portuguesa da crise em que se encontra. Este conceituado economista tem vindo a afirmar a necessidade de se construir um verdadeiro hypercluster do mar (ver coluna ao lado), com o intuito de aumentar a competitividade das actividades ligadas a este sector. Esta estratégia de desenvolvimento já tem sido implementada com sucesso em países como a Holanda ou a Inglaterra.
Seja qual for a estratégia de desenvolvimento a implementar no sector marítimo, esta deverá incluir algumas características importantes, nomeadamente: uma participação empenhada do Governo com uma política consistente para os assuntos do mar; uma maior aposta por parte dos empresários neste sector; investimentos iniciais avultados; uma interligação da economia do mar com todos os outros sectores económicos; uma vertente internacional extremamente vincada; e um quadro de recursos humanos extremamente qualificado.
Portugal tem nos seus recursos marítimos uma clara oportunidade de desenvolvimento económico. Neste momento esta vantagem comparativa não está a ser convenientemente aproveitada. É um sector negligenciado, quer pelo sector público quer pelos empresários.
À atenção do Governo
No entanto, as potencialidades de crescimento económico proporcionadas pelo mar são enormes. O seu aproveitamento deveria ser, claramente, um rumo a seguir pelo governo, implementando este políticas estratégicas, fiscais e de investimento de modo a estimular o desenvolvimento do sector marítimo. Claro que neste momento de forte contenção orçamental não se pode exigir ao executivo gastos que ponham em causa a sustentabilidade das contas públicas.
Um futuro modelo de crescimento económico não poderá negligenciar as oportunidades oferecidas pelo mar. O mais que conhecido choque tecnológico, anunciado pelo governo, deveria direccionar alguma da sua atenção às áreas ligadas à economia do mar.
No dia 16 de Novembro celebrou-se o dia mundial e nacional do mar. Este recurso, que é um forte factor de identidade nacional, tem vindo, progressivamente, a perder importância na economia portuguesa. Todo o potencial estratégico e económico que o mar oferece não tem sido devidamente aproveitado.
A situação actual não é, realmente, muito brilhante. Em termos geo-estratégicos, não se tem sabido explorar o facto de sermos um elo de ligação intercontinental privilegiado. Portugal deveria utilizar a sua posição geográfica para se impor como um dos maiores interpostos marítimos da Europa. O comandante Casimiro Barreto da Associação dos Oficiais da Reserva Naval (AORN) refere que: “O mar tem uma grande importância estratégica que não está a ser aproveitada apropriadamente; A nossa posição de ponto de entrada na Europa não está a ser aproveitada como devia ser, devido a uma falta de coordenação e qualidade na utilização dos nossos recursos marítimos”.
Numa vertente mais económica, existem várias actividades ligadas ao mar. Estas passam pelos transportes marítimos, as pescas, a utilização dos portos, a construção e reparação naval, o turismo, a investigação científica na área da energia, entre outras. Duas análises produzidas por Ernâni Lopes e Vieira Matias, ambos membros da AORN, transmitem a ideia de que este sector vive períodos de grandes dificuldades
Retrato do estado actual da Economia do Mar
As conclusões dos estudos já efectuados sobre a actual situação da economia do mar são peremptórias:
- O sector dos transportes marítimos tem sofrido uma forte queda, devido, principalmente, a uma frota de navios antiquada;
- A pesca tem vindo a diminuir continuadamente a sua produção, situando-se esta em cerca de metade do valor registado em 1985;
- A construção naval passa por grandes dificuldades em função da enorme concorrência que sofre dos países asiáticos. Estes países conseguem construir navios tecnologicamente avançados a preços mais baixos;
- A reparação naval, apesar da sua alta qualidade, atravessa um período de menor fulgor;
- O turismo, o desporto e o lazer têm algum dinamismo, mas podem ser melhor aproveitados;
- Os portos são caros, ineficientes e estão subaproveitados;
- O desinteresse dos empresários na economia do mar é latente;
- O investimento, público e privado, é escasso.
Semanário Económico
21-11-2005
Energia das ondas pode valer quase 30% do PIB. Portugal está numa posição privilegiada para estar na frente do aproveitamento da energia das ondas. Se o Governo apoiar e as empresas souberem aproveitar as oportunidades, o país poderá dominar 10% do mercado mundial de equipamentos, o que adicionado ao mercado nacional equivalerá a 40 mil milhões de euros, quase 30% do PIB, além de gerar 10 mil postos de trabalho durante 40 anos.
è lá!!!!!!!!
Vejo aqui muito optimismo!!!!!
“Portugal pode dominar 10% do mercado mundial de equipamentos para gerar electricidade a partir das ondas, calculado em 325 mil milhões de euros, se souber aproveitar as oportunidades”, afirma o presidente do Centro de Energia das Ondas (CEO). Investigador e professor do Instituto Superior Técnico, António Sarmento, diz que a dimensão do negócio internacional combinado com as estimativas para o mercado nacional, garantirão “um negócio total da ordem dos 40 mil milhões de euros”, ou seja quase 30% do PIB nacional, “exportações da ordem dos mil milhões de euros durante 32 anos”, bem como “a criação de 10 mil postos de trabalho directos durante 40 anos”. Isto sem contar, naturalmente, com a redução da dependência energética face ao estrangeiro e da factura devida pela importação de gás para geração de electricidade, para além de permitir mais facilmente o cumprimento do protocolo de Quioto.
Do ponto de vista energético, “a costa ocidental portuguesa tem potencial para gerar cerca de 5 GW, ou seja 20% do consumo anual de energia eléctrica do país”. Dos quase 800 quilómetros da costa oeste só 335 estão disponíveis para aproveitamento da energia das ondas. Mesmo assim, ainda não estão contabilizadas as possibilidades de geração de electricidade nas zonas económicas exclusivas dos arquipélagos dos Açores e da Madeira. A costa algarvia não entre nos cálculos por ter um potencial bastante mais baixo. “A atractividade desta forma de produzir electricidade, além de ambientalmente limpa - quase perfeita - advém do facto de se perspectivar como a mais barata de todas a um prazo de 15 anos”, afirma António Sarmento.
No que diz respeito à oportunidade do ponto de vista oceânico, o presidente do CEO refere que “é uma forma de explorarmos as oportunidades que nos oferece a zona económica exclusiva, para a qual não temos meios disponíveis”. Isto para além de contribuir para o desenvolvimento de uma tecnologia e do tecido empresarial. Sublinha ainda a oportunidade de o país ocupar espaço no que diz respeito a um recurso que pode vir a ser cobiçado pelos parceiros comunitários, como já aconteceu em relação às pescas, hoje geridas por Bruxelas.
Ondas geram mais electricidade que o vento
António Sarmento, que investiga a energia das ondas desde 1977, afirma que, numa mesma área de implantação, um campo de energia das ondas tem capacidade para gerar três vezes mais electricidade que um campo de energia eólica. A energia eléctrica gerada a partir das ondas tem também a particularidade de ser mais facilmente integrável na rede eléctrica nacional, graças à maior previsibilidade. “As ondas do Atlântico Norte propagam-se sem perder energia, permitem fazer previsões fáceis, com, pelo menos, seis dias de antecedência e Portugal beneficia de estados de mar estáveis, o que permite instalar equipamentos sem medo de os perder “, salienta António Sarmento. A opinião de muitos investigadores internacionais é que Portugal, não sendo o país cuja costa tem maior intensidade de energia das ondas (ver mapa) é dos que têm mais condições de atractividade para desenvolver a energia das ondas. A facilidade de acesso, a existência de povoações ao longo da faixa litoral e a existência de rede eléctrica nas imediações da costa contribuem para valorizar a posição do país.
Estas condições fizeram com que diversos projectos, entre os quais o Archimedes Wave Swing, fosse inicialmente instalado no off-shore português. A quebra de compromissos por parte do Estado e alguma animosidade das comunidades piscatórias contra os dispositivos de geração de energia eléctrica fizeram com que os promotores - a empresa holandesa Teamwork Technology e a portuguesa Enersis - escolhessem a Galiza para continuar as experiências.
EDP em três projectos
O presidente do Centro de Energia das Ondas é bem claro ao afirmar que o Estado deve preocupar-se em facilitar a vida das empresas, nacionais e estrangeiras, e remover as barreiras administrativas e burocráticas que, muitas vezes, acabam por inviabilizar iniciativas da maior importância nesta área. O Centro de Energia das Ondas (CEO), além de participar no desenvolvimento científico dos projectos, tenta identificar as barreiras existentes, aconselhando depois o Estado a removê-las, dando também assessoria na criação de legislação e regulamentação sobre o sector e orientação de fundos de apoio, como o PRIME.
Apesar de ainda não estar muito divulgado entre o tecido empresarial, este sector já conta com algumas empresas portuguesas. A Enersis, já presente no projecto Archimedes Wave Swing (ver infografia), está a desenvolver a tecnologia Pelamis (ver infografia) na Aguçadoura, perto da Póvoa de Varzim. Também a Martifer Energia, empresa do grupo Mota-Engil, está a desenvolver um modelo, actualmente em testes, que deverá ser desenvolvido pelos técnicos da empresa até à instalação de um protótipo no mar em 2008. O grupo EDP, através da Labelec, está presente na central experimental da ilha do Pico, nos Açores, desde 1998, na coluna de água oscilante do molhe da foz do Douro (foto), com uma potência instalada de 500 MW em cada uma das duas fases previstas para estarem concluídas em 2008 e 2009 e no Aqua Buoy, a instalar no off-shore nacional, com arranque previsto para 2006, primeiro com 250 kW de capacidade instalada e depois de 2 MW. A ideia é desenvolver um campo de energia das ondas até 100 MW.
Quem já está no sector afirma que “este é o momento” para Portugal apostar. Será necessário pagar os custos do pioneirismo nesta área, mas os benefícios a longo prazo e perspectivam-se como muito atractivos. Além disso, o país é respeitado nos meios científicos internacionais. A próxima conferência europeia de energia das ondas terá lugar em Portugal, em Setembro de 2007, previsivelmente no Porto, sob a presidência de António Falcão, professor do IST. A grande diversidade de equipamentos, cerca de cem modelos distintos ainda coloca algumas barreiras à actividade industrial, mas, com a experiência, os mais viáveis acabarão por se afirmar no mercado.
O mar já representa 11% do PIB e 12% do emprego em Portugal
“A economia marítima tem uma expressão muito significativa na economia portuguesa, em termos de produto e de emprego.”, conlui um trabalho realizado pelo Centro de Estudos Aplicados da Universidade Católica, para a Comissão Estratégica dos Oceanos em 2001. Tal afirmação baseou-se nas estimativas efectuadas, em que a economia marítima representaria, de modo directo, 5% do PIB e do emprego em Portugal. Mas, se tivéssemos em conta, também, os efeitos indirectos, o peso deste sector no PIB subiria para 11% e a sua importância no emprego cresceria para os 12%.
Perante esta realidade, é notório que as actividades relacionadas com a economia marítima têm uma importância muito superior ao que se poderia esperar. Atente-se que, por exemplo, no cluster da indústria automóvel que representa em Portugal, cerca de 3% do PIB. E a importância da economia marítima pode aumentar, consideravelmente, caso seja aplicada uma estratégia de desenvolvimento adequada ao sector.
Ernâni Lopes defende que a economia do mar é, claramente, um dos domínios estratégicos com maior capacidade para alavancar a economia portuguesa da crise em que se encontra. Este conceituado economista tem vindo a afirmar a necessidade de se construir um verdadeiro hypercluster do mar (ver coluna ao lado), com o intuito de aumentar a competitividade das actividades ligadas a este sector. Esta estratégia de desenvolvimento já tem sido implementada com sucesso em países como a Holanda ou a Inglaterra.
Seja qual for a estratégia de desenvolvimento a implementar no sector marítimo, esta deverá incluir algumas características importantes, nomeadamente: uma participação empenhada do Governo com uma política consistente para os assuntos do mar; uma maior aposta por parte dos empresários neste sector; investimentos iniciais avultados; uma interligação da economia do mar com todos os outros sectores económicos; uma vertente internacional extremamente vincada; e um quadro de recursos humanos extremamente qualificado.
Portugal tem nos seus recursos marítimos uma clara oportunidade de desenvolvimento económico. Neste momento esta vantagem comparativa não está a ser convenientemente aproveitada. É um sector negligenciado, quer pelo sector público quer pelos empresários.
À atenção do Governo
No entanto, as potencialidades de crescimento económico proporcionadas pelo mar são enormes. O seu aproveitamento deveria ser, claramente, um rumo a seguir pelo governo, implementando este políticas estratégicas, fiscais e de investimento de modo a estimular o desenvolvimento do sector marítimo. Claro que neste momento de forte contenção orçamental não se pode exigir ao executivo gastos que ponham em causa a sustentabilidade das contas públicas.
Um futuro modelo de crescimento económico não poderá negligenciar as oportunidades oferecidas pelo mar. O mais que conhecido choque tecnológico, anunciado pelo governo, deveria direccionar alguma da sua atenção às áreas ligadas à economia do mar.
No dia 16 de Novembro celebrou-se o dia mundial e nacional do mar. Este recurso, que é um forte factor de identidade nacional, tem vindo, progressivamente, a perder importância na economia portuguesa. Todo o potencial estratégico e económico que o mar oferece não tem sido devidamente aproveitado.
A situação actual não é, realmente, muito brilhante. Em termos geo-estratégicos, não se tem sabido explorar o facto de sermos um elo de ligação intercontinental privilegiado. Portugal deveria utilizar a sua posição geográfica para se impor como um dos maiores interpostos marítimos da Europa. O comandante Casimiro Barreto da Associação dos Oficiais da Reserva Naval (AORN) refere que: “O mar tem uma grande importância estratégica que não está a ser aproveitada apropriadamente; A nossa posição de ponto de entrada na Europa não está a ser aproveitada como devia ser, devido a uma falta de coordenação e qualidade na utilização dos nossos recursos marítimos”.
Numa vertente mais económica, existem várias actividades ligadas ao mar. Estas passam pelos transportes marítimos, as pescas, a utilização dos portos, a construção e reparação naval, o turismo, a investigação científica na área da energia, entre outras. Duas análises produzidas por Ernâni Lopes e Vieira Matias, ambos membros da AORN, transmitem a ideia de que este sector vive períodos de grandes dificuldades
Retrato do estado actual da Economia do Mar
As conclusões dos estudos já efectuados sobre a actual situação da economia do mar são peremptórias:
- O sector dos transportes marítimos tem sofrido uma forte queda, devido, principalmente, a uma frota de navios antiquada;
- A pesca tem vindo a diminuir continuadamente a sua produção, situando-se esta em cerca de metade do valor registado em 1985;
- A construção naval passa por grandes dificuldades em função da enorme concorrência que sofre dos países asiáticos. Estes países conseguem construir navios tecnologicamente avançados a preços mais baixos;
- A reparação naval, apesar da sua alta qualidade, atravessa um período de menor fulgor;
- O turismo, o desporto e o lazer têm algum dinamismo, mas podem ser melhor aproveitados;
- Os portos são caros, ineficientes e estão subaproveitados;
- O desinteresse dos empresários na economia do mar é latente;
- O investimento, público e privado, é escasso.
