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DO SOBREIRO À ROLHA

manel
15-06-2003, 13:36
Caros Amigos,

coloco este trabalho aqui, neste fórum (eventualmente com menos visibilidade), porque além de trabalhar nesta área, gosto imenso dela, e como se trata de um espaço de "GOSTOS" não poderia ser noutro lado...

Para os menos "conhecedores" da indústria da cortiça, este post é de alguma forma um livro registo, para que possam ficar com uma ideia do processo de manuseamento da casca da mais bela árvore (para mim) que a natureza nos oferece...

AQUISIÇÃO

O ciclo da nossa actividade inicia-se com o acompanhamento da operação de extracção chamado “Descortiçamento”, que se efectua no Verão quando a actividade vegetativa da árvore é mais intensa. A preocupação dos industriais no que diz respeito à satisfação dos seus clientes começa na aquisição da matéria-prima. A cortiça de mato que adquirimos é seleccionada e analisada com o máximo rigor e provem das melhores zonas de Portugal e Espanha para que permita garantir as melhores rolhas.

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ESTACIONAMENTO

Após o descortiçamento, as pranchas são empilhadas permanecendo assim por um período sempre superior a 9 meses. Durante este período, por acção da chuva, do vento e do sol, a cortiça sofrerá diversas transformações tornando-se um material mais adaptado à sua finalidade. As pilhas de pranchas serão feitas de forma a facilitar a circulação do ar e o escoamento da água.

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COZIMENTO

O cozimento da cortiça é efectuado em tanque com água a ferver a 100ºc durante oitenta minutos, tendo por finalidade a eliminação da flora animal proveniente da floresta, a extracção dos contaminantes e de a tornar mais flexível para as operações que se lhe seguem.

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REPOUSO DAS PRANCHAS

As pranchas de cortiça, após cozedura, devem repousar durante cerca de 3 semanas, empilhadas sobre paletes de plástico e em local arejado. O objectivo é aplanar as pranchas e obter a consistência necessária para a sua transformação.

ESCOLHA E CLASSIFICAÇÃO DAS PRANCHAS DE CORTIÇA

Escolha das diversas qualidades e calibres apropriados para a fabricação das rolhas. É uma operação que exige muita experiência por parte do operador.

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RABANEAÇÃO

A cortiça é cortada em rabanadas de forma a que a largura exceda ligeiramente o comprimento da rolha.

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BROCAGEM

Após a rabaneação, segue-se a brocagem que é efectuada na direcção perpendicular ao do crescimento da cortiça. Desta maneira as lenticelas ficam numa posição transversal logo que a rolha é introduzida na garrafa, diminuindo assim a possibilidade de fugas ocasionais pelas lenticelas. Devido à heterogeneidade da cortiça de uma rabanada, dependerá do operador que trabalha a broca manual obter um máximo de rolhas de qualidade.

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PRÉ-SECAGEM

Operação onde as rolhas são secas antes da rectificação do corpo e dos topos.

PONSAGEM E TOPEJAMENTO

As rolhas passam pelas ponçadeiras para rectificar o corpo de forma a evitar ovalizações e com o diâmetro correcto no sentido de optimizar o processo de engarrafamento. O topejamento consiste em lixar os topos das rolhas para que fiquem paralelos e perpendiculares ao corpo e colocar a rolha no cumprimento correcto.

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LAVAÇÃO

A lavação é a operação que visa desinfectar as rolhas. O objectivo é, assim, a descontaminação microbiológica e a melhoria da aparência das rolhas, com recurso às lavagens com produtos químicos alimentares.

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SECAGEM

Após a lavação as rolhas são secas para que se obtenha uma percentagem de humidade na vizinhança dos 5% 6%.

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COLMATAGEM

Operação que consiste em tapar os poros da rolha com uma mistura de pó de cortiça e cola. O objectivo é melhorar a apresentação das rolhas de qualidade média/fraca e obter uma melhor vedação.

ESCOLHA

As rolhas são escolhidas, em função da porosidade e do número de defeitos encontrados em 8 grupos diferentes. Esta operação é feita inicialmente por uma máquina electrónica que faz uma 1ª e 2ª escolha, posteriormente operadores qualificados retiram manualmente as rolhas que estão fora das qualidades previstas.

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MARCAÇÃO, DESPOEIRAMENTO E TRATAMENTO DE SUPERFÍCIE

As rolhas são marcadas com a marca do cliente a fogo ou tinta. O processo de acabamento da rolha começa com o despoeiramento que se efectua em tambores perfurados. Em seguida as rolhas são tratadas com parafina, silicone ou uma mistura das duas para que o engarrafamento se faça à cadência imposta pela máquina, confiando às rolhas boas características de vedação.

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EMBALAGEM

A embalagem poderá ser em sacos de poliotelénio ou em sacos de plástico. Nestes e após a formação de vácuo é injectado SO2, para minimizar o eventual crescimento de micro-organismos, sendo em seguida fechados hermeticamente. Estes sacos são, então, introduzidos em caixas de cartão, cintadas, prontas a serem expedidas.

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Caros Amigos,

um dia destes coloco aqui a parte dos aglomerados, que não deixam de ser de cortiça...

Um abraço para todos, e desculpem a intensidade do post, mas a grandeza do produto assim o exige...

Cali
15-06-2003, 15:31
LIIIIIIIIINDOOOOOOOOOOO !

As coisas que eu já aprendi hoje ! és um verdadeiro mestre-rolha, Manel !

E fiquei banzado com as voltas que as rolhas ainda levam depois de já terem sido cortadas da cortiça ! Nunca me passou pela cabeça ! Julguei que depois de cortadas estavam praticamente prontas.

Obrigado Manel ! Manda mais !
:D

nova
15-06-2003, 16:39
subescrevo o que o Cali disse.

Mohandas
15-06-2003, 17:07
Espero que tenha sido a minha pergunta a desencadear isto.:D

Mas se não foi não faz mal. Está lindo na mesma...

Obrigado Manel... :D

manel
15-06-2003, 17:40
não é graxa, mas por acaso foi.

Pensei, e porque não falar mais um pouco daquilo que gosto muito, uma vez que, até já fui interpelado para responder a algumas questões?

deu algum trabalho, mas não é nada ao gozo que me deu...

Mohandas
15-06-2003, 17:45
... imagino o trabalho que te tenha dado. Agora imagina o meu, sobre o Michael Jordan, e ninguém diz coisa alguma... :(

Cali
15-06-2003, 23:41
eheheheeh...

ó Mohandas, o M.Jordan deve ter-te dado, primeiro que tudo, imenso prazer a compilar e escrever. Esse deve ser o objectivo nº1 . Depois, se mais pessoas gostam ou não do Jordan, já é outra questão.

Eu admito não ser fã do Jordan, embora o admire q.b.

Admito tambem que li o teu extenso tratado (e é esse o seu unico defeito) na 'diagonal' porque aquilo é uma biografia detalhadissima e não tenho o grau de paixão necessário para consumir tudo aquilo. O mesmo se passará com muitos outros. Se conseguires pegar no que escreveste, e fazer um resumo aliciante (eu sei que consegues, se quiseres...), conseguirás muito melhores resultados, pá !

Olha, como exemplo, do que eu disse acerca do "gosto de escrever, em primeiro lugar", relembro um topico sobre o Mark Wilkinson, que eu coloquei na "Esplanada", pedindo opiniões acerca do local onde o 'arrumar'. Opiniões, tive zero. Comentários, tive o teu e o do Manel. E mais nada. O resultado é que esse tópico para lá ficou, esquecido, e eu nunca o coloquei aqui neste fórum. Claramente não tinha publico, apesar de eu gostar do trabalho do homem, e ter pretendido divulgá-lo. vou deixar de escrever por causa disso ? Não. Quando me apetecer, sai mais um.

Abrações para ti !

Mohandas
16-06-2003, 00:09
... a cultura do abstencionismo está instalada e difundida por todas as áreas...

Mas não vou pôr mais pequeno não. Aquilo já é um resumo. Não te esqueças que foram 6 anos com dois intercalados, ou seja 8 épocas marcadas por Michael Jordan e depois mais dois anos...

40.000 carateres por 10 anos dá 4.000 por ano. Não é muito... :D

Cali
16-06-2003, 00:15
AHAHAHAHAHA ! O GAJO PASSOU-SE !

olha vê lá se eu fosse escrever 4.000 caracteres por cada ano da carreira do Sérgio Godinho ! ....
:rolleyes:

Mohandas
16-06-2003, 00:34
... nos bons tempos do Michael Jordan?

Não sabes o que perdeste. É um tratado, é arte pura na sua mais sublime expressão. É sonho, é liberdade, é movimento angelical.

Eu tenho vários jogos gravados das finais que os Chicago Bulls ganharam, inclusivamente a última do 6 anel...

Os últimos segundos desse jogo são qualquer coisa de surrealista...

Os Utah estavam a ganhar. Michael Jordan faz um lançamento e reduz a desvantagem para 1 ponto. Faltam 17 segundos (cada equipa pode ter a bola durante 24 segundos), o que permitia aos Utah ganhar e empatarem a 3 e levarem tudo para a negra.

Junto ao garrafão, Karl Malone recebe a bola. Sem perceber como vê uma mão dar uma pancada na bola e sair com ela. Era Michael Jordan que tinha roubado a bola a Karl Malone, nos últimos segundos, em casa dos Utah...

Com a defesa da casa recomposta, Michael trabalha a bola. Faz que passa mas não passa... e o tempo a esgotar-se... De repente, Michael Jordan entra em drible e em movimento. Faz que vai para a esquerda e leva o defesa consigo, subitamente vira à direita e desequilibra totalmente o seu adversário. Pára, enquanto o jogador dos Utah cai, sem perceber o que lhe tinha acontecido.

O tempo como que pára. Michael Jordan pára. Segura a bola. Olha para o cesto. Eleva-se. Do alto do seu metro e oitenta mais um metro e tal de elevação larga a bola a 6 segundos do sinal do fim do jogo...

Todas as cabeças se viram para a esfera que viaja, atravessando mundos e pensamentos em milésimos de segundo. O relógio marca 5,6 para o final quando, cansada de ser o centro das atenções, a Spalding se deixa cair, anichando-se na rede que se equilibra sob o aro. The Shot!

Os poucos fãs de Chicago estoiram exultantes, e eu também. Michael Jordan fica por momentos parado, de braço no ar, o mesmo braço que tinha enviado aquela bola que concretizava mais um sonho.

Era o sexto anel. O terceiro da segunda série de três, que o maior desportista de todos os tempos (talvez Lance Armstrong venha a disputar este título) conseguia para a sua equipa.

Pois que ninguém duvide. Enquanto jogou em Chicago, os Bulls eram Michael Jordan... e os outros. Alguns deveras importantes mas que nada seriam sem a estrela: Air Jordan.

E por aqui vês... se isto foi para te descrever 10 segundos... :rolleyes:

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