Diz a lenda que foi a maior de sempre.
Diz a lenda que a nova será ainda maior.
Digo eu que aqui vamos fazer a nossa.
Com aqueles textos de gente imortal porque vivem no que escreveram.
Falemos do que gostamos quando um conjunto de letras é uma obra.
Falemos de livros.
Falemos.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Posso escrever, por exemplo: "A noite está estrelada, e os astros, azuis, tiritam à distancia."
Gira o vento da noite pelo céu e canta.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Tanto a amei, e às vezes ela também me amou.
Em noites como esta eu a tive entre os meus braços.
Beijei-a tantas vezes debaixo do céu infinito.
Ela me amou, e às vezes eu também a queria.
Ah, como não amar seus grandes olhos fixos.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que já a perdi.
Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E cai o verso na alma como na relva o orvalho.
Que importa que meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.
Pablo Neruda, poeta, chileno e universal.
Prémio Nobel da Literatura de 1971
gwynplaine 27-03-2003, 22:24 Ora, aqui uma excelente ideia do Gatsby.
Os confrades meterem aqui Obras que julgam interessantes.
Eu vou começar com uma :
A CRISE DA ECONOMIA MUNDIAL
De Christian Stoafaes, editora Presença.
Esta é das melhores obras sobre economia que existem actualmente.
Ler esta obra deveria ser obrigatório para os estudantes de economia, para os políticos e para os jornalistas.
Retoma de um modo genial, os trabalhos de Karl Marx, Schumpeter e até do Kondratiev.
Hoje fala-se muito de Paul Romer, mas este "apanhou" uma abordagem de Karl Marx e Schumpeter e "desenvolveu" o seu trabalho.
Outro autor famoso ( merecidamente ) é Francisco Louçã, que "revira" os trabalhos de Marx, Shumpeter e até de Romer, para fazer trabalhos académicos muito interessantes e bons.
Para Liberais, "socialistas" e até conservadores, a obra A Crise da Economia Mundial é "obrigatória".
A não perder.
Mohandas 28-03-2003, 02:25 ... I'm coming!
Alexandria
http://alexandria.e-text.it/italiano/logo/immagini/logo05b.jpg
http://aleph0.clarku.edu/~djoyce/mathhist/image/egypt.gif
Tenho homenageado o meu grande amigo Alexandre Magno, por razões da minha Babilónia, mas acho que já chegou a hora de dizer mais sobre ele e sobre o que nos deixou de herança - A Cultura
http://www.phanes.com/ALEXAN5-200.jpg
http://www.phanes.com/ALEXAN2-200.jpg
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Alexandre
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Foi ele que mandou edificar a “bela ninfa das águas” (sou eu que o digo) chamada de Alexandria. Alexandria a pérola brilhante do Mediterrâneo que irradiou a sua cultura e herança para todo mundo.
http://ce.eng.usf.edu/pharos/alexandria/Gallery/alex.gif
Cidade de Alexandria
É hoje a 2ª maior cidade e principal porto do Egipto e foi construída pelo arquitecto grego Dinocrates em 332-331 BC ao lado de uma velha aldeia, Rhakotis, às ordens do meu amigo Alexandre o Grande!
Alexandre era mesmo grande e, como já vos disse, eu tive o privilégio de o conhecer, bem como de ter acompanhado todo o processo e maneira como esta cidade imortalizou o nome de Alexandre. Ràpidamente floresceu, numa proeminente metrópole cultural, intelectual, política e económica e essas evidências ainda hoje se notam.
Alexandria foi a capital renovada dos Ptolomeus, com numerosos monumentos.
Foi o grande Farol de Alexandria, uma das sete maravilhas do mundo, bem como a Grande Livraria.
Depois apareceram os romanos, e deu-se uma volta trágica com o aparecimento de Júlio César, Marco António e Octávio Augusto, na vida de Cleóptara.
Alexandria situa-se no noroeste do Delta do Nilo e estende-se ao longo de uma estreita faixa de terra entre o Mar Mediterrâneo e o Lago Mareotis. Está ligada ao Cairo pelas duas maiores auto-estradas e uma linha de caminho de ferro.
É uma das mais notáveis estâncias turísticas do Médio Oriente, porque em adição aos seus invernos temperados, as sua praias, com areias brancas e cenários magníficos expandem-se por 140 kms ao longo do Mar Mediterrâneo, desde Abu Qir, no Leste até Al-Alamein (alguém se lembra?) e Sidi Abdul Rahman, no oeste.
Após a morte de Alexandre, ninguém reclamou o seu Império e todo aquele grande território foi dividido entre os seus vários generais O Egipto foi entregue ao mais experto deles – Ptolomeu.
Ptolomeu era Macedónio por nascimento mas testemunhou o nascimento de Alexandria e qui-la para ser a capital cultural e intelectual do mundo. Ptolomeu governou o Egipto desde 323 a 304 BC, e expandiu o seu reino incluindo nele a (Cirenaica) Líbia, Palestina, Chipre e outras terras. Os seu títulos reais incluíam King Soter (Sábio) e Faraó.
http://images.amazon.com/images/P/0810991012.01.LZZZZZZZ.jpg
Sob o Reino de Soter, a idade de ouro de Alexandria, começou a nova Capital do Egipto. Houve uma dinastia de Ptolomeus até à nossa famosa Cleóptra a rainha linda disputada como uma jóia por César e por Marco António.
O Farol de Alexandria é bem mais importante como ponto de referência de cultura mundial que pròpriamente de ponto de referência para levar os barcos a porto seguro.
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Farol antigo - uma das sete maravilhas do Mundo
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Farol moderno
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Grande centro cultural e bibliotecário moderno de Alexandria.
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Já viram os milénios que esta corujinha atravessou?
Faz hoje 2335 anos ...
... a Fundação de Alexandria.
Poucas cidades fizeram uma entrada tão magnificiente na história da humanidade como Alexandria. Ela foi fundada por Alexandre o Grande, o meu amigo Macedónio.
http://www.alexanderthegreatmountain.com/image.jpg
Alexandre o Grande, visitou o lugar de Alexandria, e Homero escreveu na sua Odisseia, que havia uma ilha chamada Faros, que tinha um bom porto de onde os barcos podiam entrar mar dentro, ao tocar na água. A outrora Ilha de Faros é hoje a península de Ras-El-Tin.
http://www.alexandriaegypt.com/images/picture.gif
Parte do Porto da Alexandria actual
Em plena terra do Egipto, oposta a Faros, ficava a aldeia de Rhakotis, onde hoje se levanta o Pilar de Pompeu. Esta aldeia, segundo evidências arqueológicas sugerem já existir desde o séc.XIII BC, mas pouco se ouviu falar de Faros e Rhakotis, uma vez que todo o Antigo Egipto se desenvolveu ao longo do Nilo, nesses tempos. Provàvelmente, Rhakotis, não terá passado de uma aldeia de pescadores.
Quando Alexandre chegou a Memphis, no Egipto, foi bem recebido pelo povo que odiava os persas. Ele dirigiu-se ao Oásis de Siwa, para consultar o Oráculo de Amon.
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Oráculo de Amon
Nesse trajecto, Alexandre admirou essa faixa de terra entre o Mar Mediterrâneo, o lago Mareótis e a ilha próxima. Por isso ordenou que uma cidade fosse aí construída para servir de capital uma vez que o local era ideal para contactos entre os gregos vindos do Mediterrâneo e o restante Egipto. Nesse tempo, o Nilo estava ligado ao Mar Vermelho por um canal e Alexandria serviria de portão para o Oceano Índico. O plano da cidade foi desenhado pelo arquitecto grego Dinocrates. As muralhas exteriores da cidade foram marcadas pelo próprio Alexandre e a nova capital do Egipto, nasceu em 7 de Abril de 332. BC.
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Uma vista da nova e velha Alexandria
Ela foi baptizada após Alexandre, embora ele nunca tivesse chegado a ver um único edifício lá construído. Voltou depois da sua morte para ser lá enterrado, segundo se diz.
O Plano da Cidade, não foi criativo, mas foi prático. Como a maioria das antigas cidades gregas, o plano consistia de ruas ortogonais com o mar a servir de elemento paisagístico principal.
A rua principal, a Canopic, hoje Fouad Street, ligava a porta da Lua a Ocidente com a porta do Sol a Oriente. Entre 323 BC e 30 BC, Alexandria pertenceu mais ao Mediterrâneo do que ao Egipto.
Os territórios conquistados por Alexandre o Grande, foram divididos por vários dos seus comandantes militares. O Egipto ficou para o mais inteligente dos seus generais - Ptolomeu. Era macedónio, assistiu ao nascimento de Alexandria e queria fazer dela a capital cultural e intelectual do mundo, e durante 323, BC e 304 BC, expandiu o seu reino até à Cirenaica (hoje Líbia), Palestina, Chipre e outras terras. Os seus títulos reais incluíam King Soter (Sábio) e Faraó.
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Grande parte da velha Alexandria já faz pesca submarina. Até já o velho Farol irá, segundo parece, ser trazido para a superfície!
Sob o reino de Soter, a idade de ouro de Alexandria, começou a nova capital do Egipto, e assim uma dinastia de Ptolomeus geriu o Egipto até à Cleópatra VII, acabando em 30 BC, quando Cleópatra perdeu a famosa batalha naval de Actium no Mar Adriático, tornado-se o Egipto uma Província Romana sob o Império de Octávio Augusto.
Alexandria proliferou durante os três primeiros reis Ptolomeus e cresceu até ser uma das maiores capitais do mundo senão mesmo a maior e tornou-se a Meca científica e intelectual do Mundo.
Foram construídos o célebre Farol e o sistema Museu/Grande Libraria de Alexandria. Foi construído o Palácio, o Dique Heptastadium foi completo e foi construído o Templo de Serapis.
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A azáfama da construção
vamos lá tentar reactivar este post.
eu assumo que adoro ler, e que tenho muito pouco tempo, mas os que já andaram comigo no carro (no meu) sabem que ando sempre com livros.
é para ver se chego a doutor :D (como sou burro, carrego os livros).
bem, falarei a partir de agora de cada livro que leio, mal termine.
às vezes demora meses, porque leio dois ou três ao mesmo tempo, às vezes de um fôlego.
e como decidi começar com isto outra vez e tinha falado ao moh do que andava a ler, aì vai :
Sem Destino
Imre Kertész (acho que é assim que se escreve)
o homem recebeu o nobel de 2002 e é hungaro.
o livro é sobre um jovem que viveu os campos de concentração. Mas é aqui que o livro é fascinante. É a tentativa (mais que conseguida) de explicar como se vivia realmente nesses campos, o que significa para um jovem de 14/15 anos lá chegar sem fazer a mínima das ideias do que se passava. E o dia seguinte em que ia aprendendo mais, e outro dia, e outro ainda.
Judeu, o jovem passa por alguns campos e termina chegando a Budapeste natal.
O livro é fantástico, com uma visão completamente diferente dos campos que, terriveis como sempre, se tornam mais compreensiveis na vivencia dos que lá estiveram.
a frase final:
"Pois também lá, entre as chaminés, nos intervalos do sofrimento, algo se assemelhava à felicidade. Toda a gente me pergunta só pelas vicissitudes, pelos 'horrores': todavia, no que me diz respeito, é talvez a experiência mais memorável. Sim, é disso, da felicidade dos campos de concentração, que eu lhes falarei na próxioma vez, quando me perguntarem.
Se é que perguntam. E se eu próprio não me esqueci."
Todo o livro fala da tentativa da normalidade e da 'existência' dessa normalidade no meio do caos.
não perder.
classificar livros é muito dificil.
este aconselho a quem goste da palavra escrita, a quem goste de uma história escorreita, e para quem goste de aprender um pouco mais sobre um momento da história de nós todos.
choca?
Muito. Pela falta de raiva e revolta.
E mais, porque sobreviver por vezes é uma coisa que não sabemos aonde nos leva.
http://www.fnac.pt/images/catalog/Livros/9789722330220.jpg
Olá Gatsby
Vê lá tu que me convenci que irias iniciar a tua "mostra" com o velho amigo Scott Fitzgerald ...
"What will we do with ourselves this afternoon ? cried Daisy, and the day after that, and the next thirty years ?"
meu caro blue...
acabas de me trazer memórias antigas...
sobre este livro escrevi um dia já antes, numa outra época, num fórum onde uma boa amiga escrevia e me dava o prazer da sua existência e o prazer e honra e gosto de a ler...
Foi essa frase exacta que escreveu, sobre o mesmo livro.
Coisas há que realmente nos fazem remar contra a corrente do passado que não mais volta.
Daisy, Gatsby, amores diferentes e paixões com tempos desiguais.
Porque gosto de Gatsby? Porque a vontade de ser mais do que é, de ser o que desejam dele o leva ao irónico da morte.
um grande livro? sem dúvida.
E Blue, mais que o grito de Daisy é o local e o momento dessa fuga...
a quem não leu, leia.
a quem leu, leia outra vez.
a quem leu muitas vezes... sabem bem que uns óculos nos vigiam para sempre.
um abraço.
quem serás tu, blue?
Como deve tudo a andar a ler livros enormes, cabe-me a mim falar de outro que terminei agora:
mas antes, quero chamar a atenção e um pormenor que pode escapar a muitos (???) que podem ler este post: o meu post sobre o livro "Sem Destino" foi escrito antes da crítica que saiu no Expresso. Assim, não há influência, só se fôr pelo crítico que escreveu quase o mesmo que eu, hehehe.
Para que conste, pois quem ler (???, anybody???) a apresentação que faço pode pensar em algum tipo de plágio...
Para hoje poucas linhas para um livro fundamental e que está na base de toda a obra de um escritor fundamental: James Joyce.
Falo de Retrato do artista quando jovem.
Como 'Ulisses', este também não é nada simples. O Dedalus e Ulisses, o 'nick' que James escolhe para si em 'Ulisses' é aqui analisado ao limite.
E tudo ele analisa: a religião, a lúxuria, a família, a infancia e a amizade, o conhecimento erudito, tudo analisa, tudo põe em causa, tentando demonstrar que apenas livre se pode criar.
Um livro quase de filosofia, com a escrita complexa e riquíssima de Joice, tem no entanto um capítulo dedicado à visão do Inferno feita pela igreja católica da altura, que é de uma pressão psicológica e de analogia com a vida real que é simplesmente sublime e terrivel ao mesmo tempo.
Claro que é Joice. Por isso não é facil, leve, e deve ser lido aos tragos, e com ambiente mental perfeito.
umas frases do livro :
Não é assim no Inferno. Aì, em virtude do grande número de condenados, os prisioneiros encontram-se amontoados na sua horrivel prisão, cujas paredes se diz terem quatro mil milhas de espessura: e os condenados estão de tal forma impotentes que (...) nem sequer podem retirar dum olho o verme que o devora.
Jazem nas trevas exteriores. Porque, não esqueçam, o fogo do Inferno não produz Luz. (...) É uma incessante tempestade de trevas, chamas negras e fumo negro do enxofre a arder.
enjoy...
ou vocês não lêem de todo ou eu leio demais.
lembrai-vos ò gentes do meu apelo para que aqui escrevam algo sobre o acabaram de ler...
e viu-se (melhor, não viu-se, hehehe)
Bem, cabe-me a mim continuar solitário esta saga. Como leitor compulsivo agarro um bocado de tudo o que me vem parar à mão.
O último foi a A Tenda Vermelha de A.Diamant.
E como leio tudo o que aparece, é lógico que muita coisa é 'assim uma coisa'. O caso deste livro.
Bem, escrito, escorreito, tenta a façanha de contar a história de Dinah, irmão de José, filha de Jacob.
Uma visão dos tempos bíblicos pelos olhos das mulheres que afinal também existiam, e contada de uma modo leve, nada bíblico (aliás manda a história 'oficial' para as urtigas).
Se a ideia seria muito boa, a continuação do livro torna-a banal, muito 'dias de hoje'.
Resultado: um explêndido livro para ler à sombra do sol de verão, e esquecido como as areias que caiem à nossa passagem. Mas as areias são boas... só que passam discretamente.
Para as feministas pode ser uma aproximação interessante a uma época e mundo de homens. Falta o enquandramento social da época.
Em muito poucas palavras: podia ter sido hoje a trama. E se calhar o que Diamant desejou foi isso mesmo. E se calhar eu, como masculino, não 'agarrei' a mensagem do feminino.
nem bom nem mau, antes pelo contrário...
É O Périplo de Baldassare
Este livro de Malouf passa-se no ano da besta : 1666 (para o judeus seria o ano do fim do mundo e do advento do Messias).
O bom Baldassare conta em diário a sua história na procura de um misterioso livro.
O livro é um chatice, não o que ele procura, mas este de que falo.
Tempo perdido.
Mas algo fica sempre. O autor é libanês e tem um estilo misto de escrita, acontecendo neste livro páginas de rara beleza de escrita, no estilo muiot próprio árabe.
não suficiente para tal périplo que acaba em nada.
sei que a crítica louvou loas a este livro.
defeito meu.
um abraço e ando a ler mais dois.
eu lá vou lendo por vcs. todos.
...
sabem, fico meio triste por não escreverem um título que seja. Seguramente que lêem e seguramente que agora alguns vão entrar de férias e dicas para livros são um coisa importante.
não espero encontrar por este fórum um dia um texto contra a iliteracia e coisas assim.
ao falar de um livro cria a curiosidade nos outros em ler... se calhar outro livro qq.
mas não importa, eu continuo...
"O Lobo da Estepes" (Steppenwolf) o romance mais conhecido de Hermann Hesse, retrata a vida de um homem que vive uma enorme crise de personalidade. Harry Haller, o lobo das estepes, está simultaneamente dissociado da realidade e extremamente dependente dela. O livro divide-se no "Tratado do Lobo das estepes - só para loucos" e no "Manuscrito de Hary Haller". Hesse construiu um livro dentro de um livro, uma personalidade dentro de outra personalidade.
"Como em todos os artistas cujas obras se mantêm sempre actuais, mesmo para além das próprias fronteiras, o conceito de humanidade que Hesse tinha ultrapassava tudo o que as ideologias, o Estado e a sociedade podem oferecer aos homens. Não é pois de estranhar que tome sempre partido, nas suas obras, pelo indivíduo, pois "cada pessoa - com os seus atavismos e as suas possibilidades - escreve Hesse - bem precisa de um defensor: é preciso ver como estão contra ele todos os grandes e poderosos - o Estado, as igrejas, as entidades colectivas de qualquer classe, os patriotas, os ortodoxos e os católicos de todas as proveniências, sem esquecer os comunistas e os fascistas".
Um pequeno excerto para aguçar a curiosidade ....
"Impõe-se aqui acrescentar uma última coisa. Existe um número bastante significativo de pessoas do mesmo género de Harry; entre os artistas, sobretudo, há muitos que pertencem a essa casta. São pessoas que têm em si duas almas, duas essências, neles o divino e o diabólico, o sangue materno e o sangue paterno, o dom da felicidade e o dom do sofrimento, coexistem e interpenetram-se tão hostil e desordenadamente como o lobo e o homem em Harry. E essas pessoas, cuja vida é de imenso desassossego, experimentam por vezes nos seus raros momentos de felicidade uma sensação de tão indizível beleza e de uma tal intensidade, a escuma dessa momentânea felicidade irrompe por vezes tão alta e resplandecente por sobre o mar do seu sofrimento, que essa felicidade breve e luminosa na sua irradiação também aflora e enfeitiça os outros. É assim que nascem, como espuma de felicidade fugaz e preciosa acima do mar do sofrimento, todas aquelas obras de arte pelas quais um só homem sofredor se elevou tão alto, no espaço de uma hora, acima do seu próprio destino, que a sua felicidade irradia como uma estrela e aparece a todos os que a vêem como algo de eterno, e como o seu próprio sonho de felicidade. Todas essas pessoas, quaisquer que sejam os nomes dos seus actos e das suas obras, não têm realmente vida de espécie nenhuma, quer dizer, a sua vida não é existir, não tem forma, não se trata de heróis, artistas ou pensadores no sentido em que outros são juizes, médicos, sapateiros ou professores, não, a sua vida é um fluxo, uma rebentação eterna e penosa, é miserável e dolorosamente despedaçada, e é horrenda e vazia de sentido, se não estivermos dispostos a descobrir-lhe um sentido naquelas tais raras vivências, acções, pensamentos e obras que resplandecem por sobre o caos de uma vida assim. Entre os homens dessa espécie nasceu a perigosa, a terrível ideia que talvez toda a vida humana não passe afinal de um grave equívoco, de um aborto violento e fracassado da Mãe primeira, de uma tentativa selvagem e sinistramente malograda da Natureza. Mas entre eles surgiu também aquela outra ideia de que o homem talvez não seja apenas um animal medianamente racional, mas antes um filho dos deuses, e destinado à imortalidade [...]", in O Lobo das estepes.
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Prepare-se o leitor, esta obra tem um grande impacto sobre nós. É favor ler com muita atenção.
agradeço Blue.
agradeço duas coisas, (sempre te agradecendo algo, não é?)
- a primeira é o livro, que amo e que foi de cabeceira por muito tempo. O meu voto na leitura deste livro de um horror belíssimo.
- a segunda é o texto que escolhes. Pena será senão fôr lido com muita atenção e interpretado e sentido por aqueles que aqui ou no livro o lerem.
de génio e de louco todos temos um pouco, mas eu sempre me senti com algo de lobo em mim. Dom dos Deuses ou praga em vida, nunca o saberei, apenas vivo com isto como se uma cruz fosse mas tantas vezes a minha joia mais querida.
Pelas estepes ando, e encontro-vos na busca.
http://www.magnumphotos.com/c/htm/%2E%2E/%2E%2E/LowRes/nyc/TR3/ERE/86IKIGO/NYC21172.jpg
a ti, por me sentir menos só aqui.
Depois de escrever o excerto achei que talvez fosse um pouco longo para aqui.
Mas os interessados nas letras de certeza que o lêem ...
E o livro permanece tão actual ... é uma surpresa do principio ao fim. Cheguei a reler vários parágrafos antes de continuar ...
Pena que não haja mais pessoal a dar sugestões ... decerto que também usufruem do gosto da leitura, mas talvez receiem expôr os seus Gostos literários.
O meu livro de férias foi mais leve ... "Timbuktu" de Paul Auster. Interessante mas não tanto para se escrever sobre ele. Talvez mais para uma conversa de café.
Passei ainda os olhos pela poesia de Al Berto, "Horto de incêndio". Muito forte ...
http://www.opennature.com/nico/signatus/lobos2.JPG
Chamaram-me?
Eu bato estepes, vales, pradarias e montanhas e tal como o Harry Haller, também fui mal interpretado por toda essa gente. Fui perseguido, odiado, ameaçado, envenenado, abatido, morto. Nunca ignorado!
Para eles, um lobo tem sido o maior dos males deste mundo. Nunca entendi porque me viam como o animal mais temível para as suas vidas e bens se até nós olhávamos "essa outra coisa de duas patas" como animal superior e por isso respeitado e não odiado.
Nós os lobos vimos tombar os nossos, perseguidos pelos mais inconcebíveis ódios que o homem enjendrou!
Agora vivemos nas encostas do nada!
As nossas serranias foram-nos roubadas e os homens, na sua maioria, já lamentam a perseguição vergonhosa que sempre nos moveram! Por isso, em todo o Mundo se levantam em defesa dos lobos, e sós ou em grupos, nós lobos, sentimos o "uivar triste" desses nossos companheiros que, tal como nós, também eles atirados para a tortura da vida que a evolução da sociedade os está empurrando! Todos caminhamos nas estepes do medo de um futuro ignoto e, por certo, cada vez mais destruidor!
Tal como o desespero provocado ao Harry Haller, oiçam o meu uivo e o grito de todos os perseguidos por forças hostis descontroladas!
jleandro 13-06-2003, 20:10 confesso que de há uns anos para trás quase deixei de ler
fico surpreendido por ver que ainda há gente a gostar do Hermann Hesse, de quem li há muitos anos uns romances (mas não este aqui referido), sendo livros que marcam, não são quanto a mim aqueles livros que MARCAM.
do Al Berto há uma edição com quase tudo o que ele publicou (onde estou não o tenho, senão daria referencias dessa edição),
mas poesia em Português e deste século, para mim, é o Zé Gomes Ferreira, o Timorense (agora escapa-me o nome) e claro o Álvaro de Campos.
mas continuando sobre os livros que marcam, e sem ter pensado a sério no assunto, vou por várias fases e alturas diferentes:
os neo-realistas Portugueses - Alves Redol e outros - fase de iniciação á política e de iniciação também noutras coisas.
logo a seguir os brasileiros com Jorge Amado à cabeça e mais um romancista e outro poeta ( o problema dos nomes é o de sempre-falta de memória)
depois vêem outros latinos do qual o Vargas Llosa é de longe o meu preferido, e a obra prima "conversas na catedral", sendo polémico - não aprecio da mesma maneira Garcia Marquez.
e depois vem a desbunda: Jack Kerouac, Ferlingetti e todos os beat, incluindo um menos beat mas que me acompanhou o tempo suficiente para ler tudo o publicado em Portugal, o Henry Miller.
dos Portugas faltou-me falar do "maluco mor" o Zé Luis Pacheco, que tendo obra que pode ser aproximada do Miller, é em muitos casos anterior, e que nunca foi bem acolhido pelas criticas por rebelde, homo, comunista e outros vícios que não ficam bem a um escritor, eheheh
a última e já antiga grande descoberta é o chileno Luis Sepúlveda, se não conhecem comecem com a "História do velho que lia romances de amor"
Bons amigos, se fosse noutros tempos, teria todo o prazer em expor aqui os livros que acabaria de ler. Mas para mim os tempos são outros. Continuam a ser tempos de leitura, mas não de romances.
Leio tudo, desde as bulas dos medicamentos à publicidade que me colocam nos correios. O Último livro que comprei foi a biografia de Churchill e ainda não a comecei a ler bem como o livro Guerra Colonial que continua à espera na prateleira e livros sobre alimentação e saúde, revistas etç. Já não tenho tempo para perder com romances.
O último livro que me ofereceram chama-se, critérios fundamentais em FRACTURAS E ORTOPEDIA um brinquedo com cerca de 500 páginas e limito-me a olhar para os ossos e articulações, fotografados ou fotografias de chapas em que entram parafusos, torniquetes etç., mas não me atrevo a pegar-lhe para esmifrar tudo como eu tenho a mania de fazer. Para vos dizer como gostos de livros, comecei a trabalhar na Livraria Bertrand quando acabei a guerra em África e para complementar, a minha mulher teve sociedade numa livraria, que montou de raiz com outros três colegas e tiveram a minha "preciosa" ajuda, que me tirou muitas horas de sono!
Já vos disse que iria aqui falar de livros, na outra tasca, mas cheguei à conclusão que não valia a pena pois falar de livros obriga a falar de política e isso torna-se perigoso para o bem estar do grupo de amigos que acho devemos preservar!
Também vou revendo e relendo velhos livros e tenho muito por onde lhe pegar, mas continuam todos a embicar na vida real do nosso tempo em confronto com o passado. Todos ou quase, têm a ver com as guerras frias ou quentes, a Leste ou a Oeste, a Norte ou a Sul, no Deserto ou na Selva, bem como nas Estepes, Pradarias ou Montanhas, como diz o Lobo que coloquei acima só para vos dizer que estou atento.
http://www.yourbestshots.com/galleries2/archives/00000001.jpg
Emerald Eyes
Um abraço, e continuem
jleandro 14-06-2003, 22:33 quando no meu post anterior referi um poeta Português Timorense, estava a falar do Alexandre O'Neil, agora que o nome me veio à memória levanta-se outra dúvida: o Timorense é ele ou o Rui Cinaty - ???
esta cabeça....
Infelizmente, e até porque tenho os livros todos dele lá em casa, não 'atinei' muito com Jack Kerouac.
Talvez por ter tentado o original On the Road ... acho que tem a ver com o tipo de escrita, a maneira de pontuar (ou não pontuar ...).
Mas encontrei um CD estupendo ( e ainda por cima era exemplar único).
É uma colectânea de poemas e ensaios de Kerouac declamados por vários artistas, e com respectiva música de fundo.
O CD abre com Morphine ... e conta ainda com Steven Tyler (Aerosmith) entre outros.
Alguns dos textos nunca foram publicados e outros estão nas Selected Letters e Book of Blues (a minha próxima tentativa no mundo Beat).
Para ti, Jl e para os fãs de Kerouac é um MUST.
http://www.artistdirect.com/Images/Sources/AMGCOVERS/music/cover200/drc700/c780/c780283hr78.jpg
Kerouac: Kicks Joy darkness
jleandro 17-06-2003, 17:03 Blue
o Kerouac tinha que ficar na minha memória dos sentimentos.
pela idade em que o li: acho que naquela idade andamos todos a "sonhar" com mundos novos e diferentes; e ainda por cima vivendo numa sociedade fechada e velha como era a nossa dos anos 60
porque o conhecimento do que se passava lá por fora, era na altura díficil.
.Esta é uma verdade que eu percebo que seja dificil de entender para os mais novos, e temos que nos situar nesse tempo.
com a censura forte nos jornais onde as "modernices" e tudo o que fosse contestário do sistema não podia entrar;
a Tv só falava das verdades "oficiais", o cinema também era constantememte vigiado;
a maior parte das pessoas não tinha telefone em casa, comput... e télélés nem em sonhos.
e porque era uma escrita diferente e nova para mim, encantou-me desde o começo pois deixava antever o que podia ser uma forma diferente de viver e dava-nos a "provar" um bocadinho de Liberdade
um abraço (estou com pressa agora)
Eu conheço Mogli mas nunca li o livro da selva, eu quiz que Connery quer ser o Rei do Mundo mas nunca li a origem do seu sonho.
Ou seja, Conheço Kipling mas nunca li Ruydard.
E assim, na colecção do Diário de Notícias vi a brecha que me permitia colmatar esta falha.
Kim, de Ruydard Kipling, é um livro que está de certo modo na linha de mogli (nunca li o livro por isso...), só que neste existem pessoas e não animais.
Um pastel muito impressivo de uma Índia desconhecida de todos nós mas bem conhecida por Kipling, que nos transmite nesta aventura (é de uma aventura que se trata afinal...), todos o mesclado cultural, religioso e mágico de um povo que um mundo em si. E de como os 'sahibs' tentavam viver naquela enorme confusão que afinal é de uma harmonia nunca compreendida.
Ser 'chella' num grande jogo.
MrChance 02-07-2003, 23:53 Senhor dos Anéis - J. R Tolkien
Obra maior da literatura mundial em geral e fantástica em particular, é um encantador, mágico e indescritível mergulho num mundo criado de raiz, que tem encantado gerações.
Afirmava o Sunday Times que o mundo da língua inglesa se encontrava dividida em duas partes: a dos que leram "O Senhor dos Anéis" e a daqueles que o vão ler.
É o diz-se diz-se!
A destruição da grande biblioteca de Alexandria terá sido completada pelos árabes em 646 da era cristã, mas várias outras destruições a terão precedido. Nunca conheceremos o furor com que essa fantástica colecção de saber foi aniquilada pois será um mistério que permanecerá para sempre. Terá existido uma Ordem Secreta que terá tido por objectivo manter a humanidade fora do seu direito de conhecer a sua real origem. Essa ordem seria identificada como "Os Homens de Negro".
A biblioteca compreendia dez grandes salas, e algumas divisórias para consultas e pesquisas e sabe-se através de documentos secretos que foi a partir de sua construção que foi organizada uma Ordem Secreta conhecida como Os Bibliotecários, os guardiões do saber ocidental, que teriam tido um intercâmbio cultural com diversas Escolas de Mistérios, entre as quais, a dos Druidas.
O fundador da Biblioteca de Alexandria terá sido Demétrios de Phalère que desde o começo agrupou setecentos mil livros e continuou a aumentar esse número, comprando os livros às custas do tesouro do Faraó.
Esse Demétrios de Phalère, nascido entre 354 e 348 a.C., parece ter conhecido Aristóteles. Segundo consta, a sua primeira aparição ocorreu em 324 a.C. como orador público, em 317 foi eleito governador de Atenas e governou-a durante dez anos, de 317 a 307 a.C. Como legislador impôs um certo número de leis, com nota especial para a de redução do luxo nos funerais. Considerável!
Depois foi banido de seu governo e partiu para Tebas, onde escreveu um grande número de obras, uma com um título estranho: "SOBRE O FEIXE DE LUZ NO CÉU", que é, provavelmente, a primeira obra relatando a presença dos discos voadores.
Em 297 a.C., o faraó Ptolomeu convenceu Demétrios a instalar-se em Alexandria. Reza a lenda que fundou então, a biblioteca. Ptolomeu I morreu em 283 a.C. e seu filho Ptolomeu II exilou Demétrios em Busiris, no Egito, onde foi mordido por uma serpente venenosa e morreu.
Demétrios tornou-se célebre no Egipto como mecenas das ciências e das artes, em nome do Rei Ptolomeu I. Ptolomeu II continuou a interessar-se pela biblioteca e pelas ciências, sobretudo pela zoologia. Nomeou como bibliotecário, Zenodotus de Éfeso, nascido em 327 a.C., e do qual ignoramos as circunstâncias e data da morte. Depois disso, uma sucessão de bibliotecários, através dos séculos, aumentou a biblioteca, acumulando pergaminhos, papiros, gravuras e mesmo livros impressos, se formos crer em certas tradições.
Sabe-se que um bibliotecário se opôs, violentamente, à primeira pilhagem da biblioteca por Júlio César, no ano 47 a.C., mas a História não tem seu nome. O que é certo é que já na época de Júlio César a biblioteca de Alexandria tinha a reputação corrente de guardar livros secretos que davam poder praticamente ilimitado.
Os documentos que sobreviveram dão-nos uma idéia precisa. Haviam livros em grego. Evidentemente toda essa parte que nos falta da literatura grega clássica. Mas entre esses manuscritos não deveria aparentemente haver nada de perigoso.
Ao contrário, o conjunto de obras de Bérose é que poderia interessar. Sacerdote babilônico refugiado na Grécia, Bérose deixou-nos o relato de um encontro com extraterrestres: os misteriosos Apkallus, seres semelhantes a peixes, vivendo em escafandros, e que teriam trazido aos homens os primeiros conhecimentos científicos.
Bérose viveu no tempo de Alexandre, o Grande, até a época de Ptolomeu I e foi sacerdote de Bel-Marduk na Babilônia. Era historiador, astrólogo e astrônomo.
Foi Bérose que inventou o relógio de sol semicircular. Fez uma teoria dos conflitos entre os raios do Sol e da Lua que antecipa os trabalhos mais modernos sobre a interferência da luz. Terá nascido em 356 a.C. e morrido em 261 a.C. Uma lenda do seu tempo diz que a famosa Sybila, que profetizava, era sua filha.
A História do Mundo de Bérose, que descrevia seus primeiros contatos com os extraterrestres, foi perdida. Restam alguns fragmentos, mas a totalidade desta obra estava em Alexandria. Nela estavam todos os ensinamentos dos extraterrestres.
Encontrava-se em Alexandria, também, o obra completa de Manethon. Este, sacerdote e historiador egípcio, contemporâneo de Ptolomeu I e II, conhecera todos os segredos do Egito. O seu nome pode ser interpretado como “o amado de Toth" ou "detentor da verdade de Toth”.
Manethon era o homem que sabia tudo sobre o Egito, lia os hieróglifos, e tinha contato com os últimos sacerdotes egípcios. Teria ele mesmo escrito oito livros, e reuniu quarenta rolos de pergaminho, em Alexandria, que continham todos os segredos egípcios, e provavelmente o Livro de Toth. Se tal colecção tivesse sido preservada, poderíamos saber tudo sobre os segredos do Egipto.
Foi exatamente isto que se quis impedir!
Na biblioteca de Alexandria também existiam obras de um historiador fenício, Mochus, ao qual se atribui a invenção de teoria atômica, e continha, também, manuscritos indianos raros e preciosos dos quais não resta nenhum traço. Conhecemos o número total dos rolos quando a destruição começou: quinhentos e trinta e dois mil e oitocentos. Sabemos que existia uma seção de “Ciências Matemáticas” e outra de “Ciências Naturais” e um Catálogo Geral.
Os especialistas em história egípcia pensam que o edifício da biblioteca deveria ser de grandes dimensões para conter setecentos mil volumes, salas de trabalho, gabinetes particulares.
Diocleciano terá querido destruir todas as obras que davam os segredos de fabricação do ouro e da prata, isto é, todas as obras de alquimia. Ele pensava que se os egípcios pudessem fabricar à vontade o ouro e a prata, obteriam assim meios para levantar um exército e combater o Império. Não possuímos a lista dos manuscritos destruídos, mas a lenda conta que alguns dentre eles eram obras de Pitágoras, de Salomão ou do próprio Hermes.
Os livros secretos que dizem respeito às civilizações desaparecidas, à alquimia, à magia ou às técnicas que não mais conhecemos desapareceram para sempre bem como os clássicos gregos.
Voltemos ao Egito. Se um exemplar do Livro de Toth existiu em Alexandria, César apoderou-se dele como fonte possível de poder. Mas o Livro de Toth não era certamente o único documento egípcio em Alexandria. Todos os enigmas que se colocam ainda sobre o Egito teriam, talvez, solução, se tantos documentos egípcios não tivessem sido destruídos.
E entre esses documentos, eram particularmente visados e deveriam ser destruídos, no original e nas cópias, depois os resumos: aqueles que descreviam a civilização que precedeu o Egito conhecido e deu origem às Escolas de Mistérios.
Assim também a História, a ciência e a situação geográfica de uma eventual civilização egípcia anterior àquela que conhecemos nos são totalmente desconhecidas.
Formulou-se a hipótese que se tratava de civilização de Negros. Nessas condições, as origens do Egito deveriam ser procuradas na África. Talvez tenham desaparecido em Alexandria, registos, papiros ou livros provenientes dessa civilização desaparecida; outra corrente acredita que os chamados Reis Divinos fossem os últimos atlantes, já que o primeiro Faraó humano foi Manés, fundador da primeira dinastia.
Foram igualmente destruídos tratados de alquimia, os mais detalhados, aqueles que permitiram, realmente, obter a transmutação dos elementos. Foram destruídas obras de magia. Foram destruídas provas do encontro com extraterrestres do qual Bérose falou, citando os Apkallus.
Agora, racionalmente, terá sido de facto assim? Terão havido os tais Homens de Negro incumbidos em termos organizativos de destruir as hipóteses de conhecermos as nossas raízes? Deixo estas perguntas à consideração de todos os BT's e submeto-as à sabedoria do meu amigo Apolo!
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