O dia começou normal, mais um sábado.
Agora que sabíamos que íamos para outro lado, lá isso sabíamos. E mais cedo que costume começam os telefonemas, as combinações, os caminhos a seguir, e tudo a ouvir nos carros e em casa os míticos.
O almoço foi rápido porque era hora de saltar para a estrada e fazer-se ao cominho, porque o se queria mesmo era estar lá.
E começa o hapenning logo, logo, nas bombas da A1 em Gaia. Pelas 15h cheira a festa. O grupo vai-se juntando, e ao mesmo tempo outros grupos fazem o mesmo, e todos, mas todos com o olhar a brilhar, uns a cantarolar, outros apenas a falar mais alto e mais depressa.
O amarelo dos bilhetes ressalta num bolso ou numa mão e a troca fugaz de olhares cumplices indiciam uma noite anunciada em grande.
A viagem até Coimbra, foi normal, como outra qq., apenas um carro ou outro ia a abanar com danças dos lugares ao som de Please to meet you ou outra velharia dos velhotes.
A saída em Coimbra Norte é que demonstra que Coimbra estava a ser assaltada, literalmente. Milhares de carros e gentes e gargalhadas e bocas inter-carros e gentes que não se conheciam mostravam que a família andava por ali. Comunhão também é o nome.
Satisfaction is the game, want you guess my name.
E foi uma hora para fazer 3 km.
Estava a ficar feiote e já a hora era fora dfo que se esperava.
E de repente o milagre. Tudo a sír na saída errada e a entrada em Coimbra foi feita a todo o o gás, quase sós, Portugal dos Pequeninos até que nem tinha gente, foi um tiro até próximo do estádio. Só uma particularidade pelos passeios e pelas ruas... a peregrinação das idades, era de tudo, dos 8 ao 88 como com o Tintin.
Parar carro, tomar café, beber a primeira bejeca e toca a seguir a marcha nada silenciosa e bem colorida, que o branco era noutros sítios.
No estádio, cá fora a confusão era total e absoluta. Mas ninguém se importava, o pessoal é civico e educado, tudo na maior e a rir-se da absoluta e perigosa falta de organização. Como sempre, somos um exemplo para os que de lá e fora nos acham uns broncos.
Aquilo estava uma bomba relógio, de tal modo que estva não organizado. E por isso corre bem a entrada. Deve ser por isso.
E lá dentro, é a alegria, já tavamos ali e o estádio é bonito, o palco enorme, as roupagens linguais compradas de feição. Uns lenços para o pescoço azuis e amarelos dados à discrição eram fixes para limpar as cadeiras, juntam-se outra vez os grupos, vai-se e vem-se do relvado, a festa era aquela gente... tudo na maior como se diz... your a star !
sempre a entrar mais e mais e comendo as sandes e com mais bejecas aparecem uns tipos conhecidos no palco. Uns Xutos e uns Pontapés eram esperados e de que maneira...
Foi um festival de alegria. Pena que ainda não estivesse cheio por que o Tim e companhia mereciam. Mesmo assim até que nem precissava de cantar, a gente poupava-lhe a voz com o cores d milhares.
A Minha Alegre Casinha foi relembrada, e foi total, fascinante ver todas as idades a cantar como um... Amália e Tim e Portugal.
Foram-se bem depressa embora, mais conversa, mais uns passeios no cinzento que cobria o relvado, ir ver o palco um pouco mais de perto que lá à frente nem se chegava já.
Cai a noite e com ela chega um grito primitivo: Primal Scream. E aquilo foi muita mau. O ppl. não ligou pevide aos moços que bem se esforçaram, mas o som preparado para o prato de resistence estava completamente deslocado para este acepipe. Até que deu para descansar mesmo com o barulho dos moços, porque conversar era imposssivel.
Para esquecer...
A saída do grito foi saudada indecendentemente, e depois é que começou a festa: era olas, era gritos, era cantares, até que deu para uns POOOORRTTTOOO à la Antas entre as bancadas e os SPPPPOORRRRRTTTTIIINNNGGGSSSS ao mesmo nivel. De vermelho realmente apenas a lingua.
Cantou-se, e fez-se olas e mais olas e mais olas, até que eram 22h10m.
Aì apagaram-se as luzes, eu reparei que os dois ecrans ao lado do palco tinham desaparecido, fiquei na minha que nem as trombas aos tipos ia ver, o palco fica azul com luzes lindas a subir e a descer, e logo, logo, os dragões pelo estádio a gritar POOOORRRTOOOO outra vez.
O estádio? Ah, esse estava cheio. Mesmo cheio, bancadas relvado, só o palco era um imenso vazio que repentinamente vê iluminar um tipo...
If you start me up, you start me up, I'll never stop, never stop ...
Mohandas 02-10-2003, 20:17 ... agora vai dar uma de Óscar e nunca mais escreve o resto... :(
Será altura de explicar o que estavamos a ver antes mesmo de ouvir. O palco era grande, sim senhora. Indo de ponta a ponta do estádio, tinha duas passerelles que entravam pelas bancadas não ocupadas de cada lado e tinha uma terceira que entrava pelo relvado dentro até talvez o meio, ou pouco menos. Terminava esta num segundo espaço mais ou menos quadrado e pequenito. Parecia uma passerelle de moda.
O palco vertical era enorme, altíssimo e formado por várias colunas com as das pontas sendo mais grossas, como se fossem chaminés de inox. A unir por cima estas colunas uma barra que ia de ponta a ponta deste desenho, ficando as pontas das chaminés acima um pouco apenas.
Para todos os efeitos, percebia-se que as luzes iriam subir e descer por estas colunas e pouco mais. Por enquanto.
Bem, A luz abre sobre o palco, o pobo (isso mesmo, o pobo todo) levanta-se e começa um Brown Sugar bem tocado mas ainda com o som não tão perfeito como deveria ser. Mas quem liga a isso? Os men's mexiam-se no palco, dava para perceber quem era o Jagger, e o rapaz corria e o pessoal cantava e dançava.
Brown sugar how come you taste so good, now?
Brown sugar just like a young girl should, now - yeah!
Percebia-se depressa que não iamos ver os rapazes e que era em casa que íamos saber se eram eles ou outros a tocar a dançar. Nas tebês pois claro. Vinha à memória o concerto dos Pink em que não se via quase ninguém no palco, mas o pessoal estava a borrifar-se para isso, logo à primeiro música tudo gritava e dançava. Estava dado o mote: sentado nem pensar, eles estavam a tocar a acompanhar 50.000 bocas, ia ser uma noite bué da fixe.
Os stones? eram como uma banda de suporte para o pessoal.
Mas começa a maravilha logo na segunda música: claro que era mais uma para cantar e dançar: Start me up!!!
Esta bem rasgadinha, com Ronnie be Good muito em forma leva o ppl ao rubro. E percebe-se para que serve a barra de cima: era para iluminar o estádio e o pessoal.
If start me up
Give it all you got
You got to never, never, never stop
Never, never
Slide it up
e era aos berros que isto se cantava, nem percebia porque o Mick se esforçava. Já agora, um problema era vê-lo pois ele corria de ponta a ponta do palco, desaparecia do centro e, repentinamente começa uma gritaria infernal, é que, milagre das tecnologias, afinal o coincerto ia ser visto em 10x20m. Começam as deslizar para o centro das tais colunas quatro ecrans com uma imagem incrivel, pondo toda a gente na boca do palco literalmente. Viamos e ouviamos tudo!!! O máximo, igual nunca tinha visto. Nem eu, nem ninguém realmente.
E rápido os ecrans se juntam para formar um único que mostra a banda aos saltos, e logo a seguir o mesmo enorme ecran mostra o publico e é a euforia total, como se pudesse ser ainda mais.
E assim termina a segunda berrada a plenos pulmões :Slide it up
jleandro 03-10-2003, 14:40 enm sequer te passa pela cabeça não acabar esta crónica, pois não???
vou acabar, mas ainda vou quase no inicio, hehe.
aos bocados conforme o meu tempo e também para que n~ºao fique enoooormmmmeeee...
mas fico feliz por haver quem leia
:D
Aqui começa uma série rápida de gigs, com o pessoal a curtir o show visual tanto como o sonoro. Com os ecrans já interiorizados rápidamente começam as brincadeiras nos mesmos: na guitarra de Ron Wood, no topo da mesma, é colocada uma web cam, permitindo imagens divertidissimas e ao mesmo tempo explendidamente conseguidas, o rapaz ainda toca e está em boa forma. A barra superior que une os tubos afinal tem focos de elevada qualidade que são feitos para que o espectaculo seja completo pois iluminam-nos ,a nós que também somos espectaculo, que nos vemos a dançar por aquele recinto fora. Profissionais os meninos que imaginaram este show, mas o ppl nem liga, o que quer é dançar.
Com algumas músicas menores prepara-se o best off do melhor que os Stones têm para vender. E começam assim com Angie, tocada a preceito, profissionalmente. Cantada como sempre por todos.
Nessa altura o meu míudo manda-me uma msg. lá da frente, onde se perdia entre tantos braços: TÁ FIXOLA MÊMO. Tinha percebido outra vez que é a música que une.
E quem une? Os que lá estavam. Na minha frente, eu estava nas bancadas que tinham acesso pelo relvado, havia de tudo. À minha frente um puto de 3 anos dormia como um santo (mas curtiu largo os Xutos, o cachopo), à minha volta eram os doces 40's e um pouco atrás de mim estava um grupo bem acima dos 60 com alguns 70 e muitos... e dançaram todo o tempo, até se ouvia os ossos a gingar. Mas não era noite para dores.
Ah, importante, não havia maneira de usar os telélés, tudo a querer puxar para ali os seus que estavam mais longe.
Nem que fosse um minuto de som.
Nem classes, nem mariquices parvas, tavamos todos para o mesmo, eramos iguais entre os iguais.
É aqui, que um dos enormes momentos tem lugar. No ecran vemos e ouvimos um trompete, o arrepio é imediato. A banda à volta dos rapazes (?) era enorme, já tinhamos percebido, e tinha com ela uma voz feminina explendida (escolhida a dedo para secundar o Jagger). Boa voz e boas pernas, filmadas a bel prazer num ecran do tamanho do King Kong.
Mas o momemto é de lágrimas, porque começa a ouvir-se o inicio de You can't allways get what you want.
Uma versão muito pura e muito próxima do original.
Mas os amigos de Alex choram. Todos temos um Alex na nossa vida (eu tenho o melhor amigo que flipava nesta 'tune') e foi o coro mais bonito de todo o concerto, porque se sentia que havia coração nas vozes.
You can't always get what you want
You can't always get what you want
You can't always get what you want
But if you try sometimes, well you might find
You get what you need
Mick é jogral, o actor, o mentor, o heroi, era AQUELE.
Foi um momento único para mim e para muitos, não pelo espectaculo, mas sim pela memória, pela vivencia, porque sim!
allways get what you need!!!
A partir daqui acho que poucos saberão dizer o alinhamento porque, olha porque se perderam na noite.
Mas estão eles todos iguais a si próprios?
Ah, nem por sombras. Ron Wood está excelente e o melhor músico da banda em palco, ali ainda há tempo para lavar e durar..., o Keith, ora este está igual a ele próprio, uma velha tola mas com muita nice. O baterista está a ganhar o dele. Não se importa, não liga nada ao que se está a passar, bate na bateria e prontos, Charlie definitivamente já não tem Watts. Bill? Wyman? nem se viu ou se soube.
E Mick? Ah, ele é o guru, ele é o mito, ele é a banda, ele é o R'N'R, uma presença em palco a envergonhar qualquer um com menos 30 anos, ele corre,ele actua como poucos, ele é uma 'performance' total. Eu fiquei como uma criança a ver um clown perfeito. Uma particularidade uimportante: a voz tá ainda lá, boa, limpida, rebelde.
A sua qualidade profissional leva-o ao ponto de falar em português com cuidado para não meter erros (aprendido à pressa thou).
É quando ele fala para nós que o estádio desata em cantorias e gritos imensos de Portugal, Portugal; os cantares foram bonitos, era uma voz só, mas com um sentir de 50.000 mil linguas.
É aqui que se começa a notar quem é quem por ali. Mick apresenta toda a banda mas a ele ninguém ao apresenta (aquilo de musicos de suporte eram mais que as mães). O profissionalismo destes tipos é tal, que à apresentação de cada um dos músicos (Ron, Charlie e Keith), aparece no ecran um cartaz a puxar pelo apresentado que estava algures no publico. Era a organização ao limite da qualidade, porque os cartazes eram quase iguais - logo era staff que estava com eles nas mãos, mas que importa?
O que importa é que Ron teve uma enorme ovação, tão grande que foi cortada por Mick ao apresentar outro, não vá o diabo que vinha tecê-las.
Logo após a apresentação Mick desaparee e deixa Keith e Ron a solo. Foi uma curtição, uma risota infinda, o Keith já nem trauteia, deu para descansar um pouquinho e ver destruir 'Star' em publico.
Mick? Who Knows... mas parece que se foi preparar para se apresentar...
Please allow me to introduce myself
I'm a man of wealth and taste
I've been around for a long, long year
Stole many a man's soul and faith
jleandro 03-10-2003, 19:13 só para te dizer que está cada vez melhor.
O Ecran enorme fica negro, as luzes vermelhas. O aspecto de um inferno.
Os primeiros acordes e tudo voa, é Symphaty for the devil. Tenho de reconhcer que me lembrei logo de vocês e do primeiro cd do rio de sons, mas o Mick e o show não deram tempo para mais,
Please allow me to introduce myself
I'm a man of wealth and taste
I've been around for a long, long year
Stole many a man's soul and faith
A banda rasga e nós todos preparados para o refrão, as vozes prontinhas para um perfeito
Pleased to meet you
Hope you guess my name
But what's puzzling you
Is the nature of my game
só que não saiu, as bocas calaram-se, os olhos abriram-se, o show estava no seu máximo: as colunas das pontas que eu chamei de chaminés eram tubos de fogo: as chamas de metros invadiram o céu, a lingua /simbolo do stones em fogo invadiu o ecran, o calor e fumo daquilo tudo deixou tudo e todos calados. Boquiabertos, espectantes até ao grito que saiu de cada um por si pelo que estavam a ver e não conseguiam acreditar. Na realidade, o fogo e o fumo imediato e o calor sentido (para quem conhece as chaminés de fogo de uma refinaria fica com uma ideia)... é impossivel de descrever.
E Mick continua majestoso, agora sim Imperador e nós subditos ajoelhados à imaginação e poder e eficácia de imagem face à música...
I stuck around St. Petersburg
When I saw it was a time for a change
Killed the czar and his ministers
Anastasia screamed in vain
Agora já estava tudo preparado, já sabiamos que o orgão de chamas reagia ao refrão e todos fomos a ele...
Pleased to meet you
Hope you guess my name, oh yeah
Ah, what's puzzling you
Is the nature of my game, oh yeah
Foi exemplar de qualidade e eficácia. De muitas andanças nunca tinha visto uma ligação tão perfeita (embora óbvia) entre uma letra, a sua simbologia, uma música e os efeitos do show... e pelo meio da fumarada sai uma voz que eu pensava já não existir, Mick, o rapazinho androgino que há 30 anos inventou este hino. Ele aqui deixou o profisionalismo por um minuto e foi na onda
E gritou mais ainda que nós outros...
Tell me baby,(whoo whoo) what's my name
Tell me honey,(whoo whoo) can ya guess my name
Tell me baby, (whoo whoo) what's my name
I tell you one time, (whoo whoo) you're to blame
com muitos whoos e muitos yeahs lá terminou o momento. Para mim já tinha valido a pena ter ido lá. Pela festa de antes e pelo momento interior de uma música muito minha (e das memórias que me tráz e de que já falei) e pela sinfonia que tinha acabado de ver.
Agora era um descanso merecido, porque o que se passou a seguir só mesmo porque são eles... e aquilo era uma festa...
um bocado como descanso desta descrição, alguém mais esteve lá?
e continuarei, pois ainda vou a meio da noite...
e mais uma coisita pequena, alguém está a le isto além do jl?
não será por isso que não continuarei a divertir-me escrevendo e descrevendo, mas já agora...
será que alguém espera por um proximo post, será que alguém quer ler até ao fim?
:)
o momento era de descanso.
e começa uma música de fundo que mais tarde deu para discussões: seria Massive Attack (o que me pareceu na altura) ou St.Germain (como se fossem parecidos), mas o que importa é que temos música de fundo que não é Stones, e... é mesmo verdade, a tal passerele era para a moda.
Foi o show da noite. Tenho de referir que já antes Mick a tinha usado para cantar, uma ou outra vez, mas desta vez, um a um, os Stones percorrem a passerele, atiram beijinhos, cumprimentam o ppl. que está à volta (verdade, tocaram com as suas mãozinhas nos mortais que estavam no relvado).
Chegam uns 5 minutos depois ao tal espaço no fim que era um pouco mais largo, quase quadrado. E porquê 5 minutos? Porque eles andam mas nunca juntos, é sina mesmo, veio um de cada vez, deve ter sido para ter mais 'panache'.
O que é certo é que a cantoria no publico não pára, estavam a gostar, só faltou um raminho de rosas. Tou irónico porque aquilo deu-me uma enorme vontade rir e principalmente de cumprimentar os que imaginaram tudo isto, porque depois do 'Devil' não seria facil continuar em crescendo.
Mas a coisa não ficou por aqui, como devem imaginar. Apagam-se as luzes do palco principal e 'nasce' do palco mais pequeno um grupo de instrumentos, bateria, teclados, guitarras e umas colunas baixas por detrás do baterista.
Qual era a ideia ò meu???
Ficamos a saber bem depressa.
Os meninos iam dar um pouco de show à moda antiga: eles, os instrumentos (um teclista 'guest star') e prontos, um som de arrasar.
De arrasar de mau, como era em tempos idos.
E que tocam eles no inicio? Na realidade nós nas bancadas nem entendemos até que o refrão nos chega :
It's only Rock'n'Roll but i like it!!!
Eu sei que sou mauzinho nestas coisas e ponho a memória a funcionar com imagens semelhantes que já assisti ou vi. E sabem o que me pareceu? E me parece ainda hoje, tantos dias depois passados? Que Mick tem um fixação nos Beatles. Aquilo era um especactulo como os Beatles fizeram 'so many years ago, your mother should know...'.
Para quem estava próximo (poucos comparados com os milhares longe) foi o máximo. Para nós? deu para descansar um pouquinho das emoções.
De 'Rock'n'Roll' passam para 'Like a Rolling Stone' de Bob Dylan (que não foi escrita em honra destes moços, mas a história é uma coisa em movimento mesmo), e quando atacam a terceira eu fiquei em transe esperando um 'Back in USSR' ou 'Revolution'. Ao menos assumiam na totalidade.
Mas não, foi uma coisa qq. que nem reconheci bem.
E assim passou o momento estranho da noite. Com uma bela versão da música de Dylan, com o segundo assassínio musical no ' It's only Rock'n'Roll'.
Mas uma coisa eu percebi: eles mesmo calados e sentados levariam tudo ao rubro, estava ali um messias de nome Jagger e os seus aduladores iriam até ao fim de mundo atrás e por ele, pelo menos naquele momento.
Tou a exagerar? Tivessem lá e teriam sentido o mesmo. Um arrepio de medo, quase.
e depois?
será que querem saber?
sei lá...
Mohandas 10-10-2003, 17:37 Eu estou a ler e estou lá... ai de ti se páras antes do fim... :mad: :rolleyes: ;) :D
jleandro 10-10-2003, 17:40 claro que querem saber
todos os dias aqui venho à espera do fim da crónica
anda lá com isso, ó meu...
Acaba o momento 'íntimo'.
Com mais uma ou outra festa nas mãos dos fãs mais próximos, os Stones voltam ao palco principal.
E agora que o espectáculo é para todos outra vez, Mister Mick decide falar ao povo indicando na sua voz meliflua que iriam cantar algo 'new'.
Esta era uma novidade? uma música nova dos Stones? Claro que passou ao lado de toda a gente que o que queria era dançar e cantar... e por isso a novidade chamava-se Don's Stop.Realmente tem menos de 10 anos, hehe, mas continua o show em crescendo. Começamos aqui um terceiro espectaculo. E este é virado para a modernidade, os ecrans muito MTV debitam imagens distorcidas, a voz feminina é cá uma voz que nem imaginam, as pernas são o 'plus' que nos metem pelos olhos dentro, podem crer que um pé com 10 metros de altura é uma coisa graaannnde.
E rápido se passa para a continuação do erotismo sempre existente em Jagger e nos Stones.
Arranca Honky Town Woman, o espectaculos entra nas rodas outra vez, e é vermo-nos a dançar a cantar, the show must go on indeed.
It's the honky tonk women
Gimme, gimme, gimme the honky tonk blues.
O ecran sempre presente apresenta-nos um desenho animado profundamente sexy com a lingua e uma sádo-masoquista que a cavalga. Pormenor curioso, a lingua/simbolo/imagem tem um piercing no centro da mesma. Sinais dos tempos, e vontade de agradar a todos mesmo com o preço da alteração de uma imagem que é do nosso imaginário e história comum.
Mas que importa, tudo dança, tudo canta, e as luzes são usadas de modo a que se tenha a certeza que todo o estádio está em pé de guerra.
Nesta altura já devem notar que estava um pouco cansado de um belíssimo show que no entanto há uma hora não me dava os momentos que se procura nesta coisas...
A hora, íamos a chegar às 24h00m... hora da abóbora como lhe chamam.
Mas ainda faltava alguma coisa. Faltava Satisfaction completa.
E é aì que eu me espanto outra vez com estes rapazes, é que eles vão-se a ela, a Satisfaction com uma garra que não esperava ver em nenhum momento daquela noite e muito menos no fim das correrias das ultimas horas.
I can't get no satisfaction
I can't get no satisfaction
'Cause I try and I try and I try and I try
I can't get no, I can't get no
Apanha tudo e todos de surpresa, e é neste simples refrão que se vai o resto das cordas vocais dos milhares, porque desta vez não cantam, gritam literalmente o no ao limite do absurdo. Senão caiu, não cairá, nova sala do capítulo nasce no centro de Portugal, pois os tratos dados aos alicerces do Estádio são piores que 'de polé'.
When I'm watchin' my TV
And that man comes on to tell me
How white my shirts can be
But he can't be a man 'cause he doesn't smoke
The same cigarrettes as me
I can't get no, oh no no no
Hey hey hey, that's what I say
E com este say, explode por todo o estádio uma miria de de confetis, e fogo de artificio no palco, fazendo da Stones a equipoa campeã, a noite merecida, os louros a César Jagger que não pára de correr e cantar e saltar (ele também salta e não é pouco) e a festa é total, Keith lembra-se que sabe tocar aquela música, vai-se à guitarra e dá lições, Ronnie vai-se a ela e dá mestrado, os papeis voam às dezenas de milhares, as luzes fazem deles milhões e o povo olha, canta, grita, pincha e nem repara que a música não mais acaba, ia sendo esticada até um quase absurdo, mas seria?
Não, acaba exactamente às 0h00m. Com um beijo de uma boca feminina do tamanho do palco.
The show is Over.
Bye bye, adeus e bona noite.
Jagger pensa que nos cala assim. Mas ele sabe mais que isso.
Muito mais.
Contas são deitadas muito rápidamente pelos Stones fans e conhecedores presentes: que hits faltam, que poderá ser o encore e fomos mais rápidos que eles na conclusão... eles abrem mas nós já sabiamos...
Jumping
Jack
Flash
It's a gas, gas, gas!
E foi rapidinho que os rapazes tocaram o Jack, sem alma, sem vontade. Foi pena. Logo no final da música inicia-se um fogo de artificio por cima do estádio, sinal de fim e de apoteose.
Estava eu convencido que tinha a ver com a inauguração do Estádio mas vim a saber que eles terminam assim os espectaculos.
E prontos? Parece um anti-climax este final? Pois, lá também foi. Pelo menos para mim. Faltou alguma coisa, mas acho que estavamos era todos a pedir demais, e não era facil ou mesmo possivel ultrapassar momentos anteriores como 'You can't allways get what y ou want', 'Please to meet you', 'Honky Tonk Woman' ou 'Satisfaction'.
E agora? Tava lá gente pra burro e era preciso sair dali, pelo menos na próxima hora, que nestas coisas gosto de entrar cedo e sair tarde.
Claro que não se falava de outra coisa, e a fome tb. apertava e prontos tinha valido a pena e isto e aquilo do costume destas festas, tudo a falar a monte e ninguém a se entender, mas que importa, era mais para nós que falavamos naquele nervoso miudinho que advém da adrenalina em sobrecarga. É sempre assim, não é?
Bem, lá começa a nossa tribo a subir os degraus e a entrar nas arcadas por baixo das mesmas e que dão saída para a rua. E de novo nós portugueses somos mesmo boa gente, mesmo já muitos copos muitos cheiros e muito swing depois, aceitamos a total confusão de portas fechadas (que só se sabia depois de descer degaruas em curva, tais a ver?)
Mas vi civismo incrivel, dezenas de pessoas a subir degraus e os de cima a não empurrar, vi placas a dizer que as portas estavam fechadas e afinal estavam abertas (e claro que o contrário já contei), a sinalização dentro do estádio não existe, são coisinhas muito pequeninas... e já cá fora descubro que a poucos metros de onde estava havia uma enorme porta... não sinalizada lá em cima. Mau, muito mau, mas a gente é boa, porreira, ria-se e prontos.
E agora? Cá fora, foi procurar um sitio escondido para comer, o que se conseguiu.
Foi uma parte boa da noite, comer qq. coisa. Saímos 2 horas depois do tasco para encontrar um fila imensa de carros nas portagens.
Incrivel
Até ao Porto devagar que o ppl. vinha a 60 pela auto estrada e quando viam umas luzes vermelhas au fundo travavam logo, tudo xanado agarrado ao volante era o que era. Paramos nas bombas da Mealhada e a fauna era só vista... hehehe. O que vale era que eu não procurei espelho...
Bem, cheguei pelas 5h e tal.
Foi assim....
Foi nada de especial se calhar, mas para mim It's only Rock'n'Roll but i like it, i like it, yes i do!!!
e está, promessa cumprida.
e venha o próximo.
thks aos que leram,
:)
Gatsby
jleandro 17-10-2003, 18:19 talvez dos melhores textos teus que li por aqui, e
fossem as crónicas dos concertos, as dos jornais, parecidas e ainda mais gente iria aos espectáculos.
obrigado.
E guardei-me, de proposito, durante 15 dias, á espera do fim, para ler do inicio. E hoje li. Tudo de seguida, que assim é que faz mais sentido , como quem devora um filme sem intervalos. E o termo é esse mesmo : devorar.
Homem, aliás, HOMEM, tu escreves que ESCREVES ! Nota-se o gosto, a paixão, a vontade de passar ao papel o retrato fiel de uma noite que não queres esquecer. Por isso, muito mais do que pra nós, escreveste para ti, porque sei que decerto terás o gosto de mais tarde rever este 'filme' realizado por ti, para poderes relembrar todos os deliciosos pormenores que o tempo acaba por apagar.
E portanto, e por isso, obrigado por teres partilhado conosco o teu diário desse dia.
Termino dizendo que é simultaneamente uma tristeza e um privilégio ler-te assim, quando estás pleno de entusiasmo. Um privilégio porque pintas imagens com as tuas palavras como poucos, e uma tristeza porque esta pérola narrativa deveria estar á disposição de um país inteiro que não esteve lá e gostaria de ter estado, mas está apenas aqui, para poucos, muito poucos.
AQUELE ABRAÇO , MESTRE GATSBY ! :D
(e não percebo como tão poucos foram acusando a sua presença neste post. Afinal, a musica não deve ser assim tão universal...)
sem palavras para vcs.
tou envergonhado...
um das penas que tenho é que o forum não suporta este texto como unico, teri de pensar como o guardar aqui em duas ou três partes...
tá giro, num tá?
mas é como diz o jl, eu não ganho dinheiro com estas coisas (ou o red nas dele e a blue nos seus poemas (saudosa blue... :( ) ou o moh por enquanto nos seus textos e o ventor nas suas passagens pela memórias ou tantas coisas lindas que aqui escrevem por vcs. todos) e assim, permito-me libertar-me e, como diz cali muito bem, escrevo muito para mim tb.
espero que tenha sido um bom momento a leitura, porque a vida é feitas desta coisas tb. , ou mais ainda é mesmo feito destas coisas.
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