Bolsa e Mercados Financeiros
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Artigos de Roberto Torrão

RedDust
01-11-2003, 12:04
Curto ou Longo

Por: Roberto Torrão
16-04-2002

Uma das primeiras lições que aprendi no trade, é que importa negociar as tendências de médio prazo, usando as de curto prazo para escolher os melhores pontos de entrada e de saída do mercado, deixando de fora a negociação dos “pull-backs” (pois estes negócios comportam maior risco), nunca esquecendo todavia, a tendência soberana de longo prazo.

A tendência de longo prazo, não tenho dúvida, ainda continua bem marcada (Bear), não obstante, parece não ser consensual aquilo que podemos identificar como tendência de médio prazo: será aquela que começa em meados de Setembro do ano passado(Bull), que veio tirar os mercados de terreno muito “oversold”? Ou a que iniciou-se em meados de Março último(Bear), a qual ainda não foi quebrada até ao momento? De facto, as opiniões divergem, e o que é certo, é que ninguém consegue ficar com posições longas ou curtas durante alguns dias de forma confortável, simplesmente pela dificuldade de vislumbrar uma tendência que seja dada como minimamente plausível para estar no mercado com algum grau de confiança.


Os dados macro-económicos têm demonstrado que a economia está no bom caminho da recuperação, portanto o pior parece ser coisa do passado. Entretanto, será mesmo que uma recessão económica é tão fácil assim de expurgar-se, e as sequelas do desemprego e do abrandamento do consumo e da confiança de longo prazo sanadas?

Se realmente estamos no caminho da recuperação, por que razão os mercados têm dificuldade de demonstrar força? Onde está o volume? Você está a comprar também neste momento, ou está a espera que “os outros” comprem, para você poder vender mais acima aquilo que comprou a meses atrás? Não esqueça que para “os outros”, você faz parte “dos outros”.


Será que os resultados das empresas e as suas respectivas projecções de lucros futuros conseguem acompanhar a melhoria dos indicadores económicos?

Uma questão fundamental é saber se neste momento as cotações dos activos negociados reflectem ou não aquilo que principalmente devem reflectir: a capacidade de gerar “cash flows”, já pensaram por um instante, que muitas empresas podem estar neste momento (depois de inúmeras quedas) mais “caras” do que no ápice do “Bull Market”? Loucura?

Basta entender que naquele tempo a empresa reflectia (ou deveria reflectir...) a capacidade de gerar lucros em alguns anos, entretanto, agora apesar de uma dada empresa estar com a sua cotação cerca de 50% mais barata em valor absoluto, pode ainda estar mais cara, se não conseguir obter os resultados, agora revistos, que são esperados para os próximos anos.


Não está de parte a hipótese dos mercados testarem os valores de Setembro passado, não causando nenhuma estranheza todavia, que os mercados pudessem continuar o seu longo e lento caminho ascendente para novos máximos históricos. A capacidade de recuperação da economia é algo de notável e de surpreendente como de resto já se pôde verificar em outras ocasiões.

Nunca foi tão fácil perder dinheiro nos mercados como nos últimos meses, a volatilidade aumentou, o que é verdade de manhã, pode não ser à tarde. O recurso a ordens Stop Loss ajustadas a dimensão e particularidade de cada mercado, e a realização de mais-valias sempre que haja lugar a tal, parecem conselhos arcaicos que nunca estiveram tão em voga como agora.


Cumprimentos,

Roberto Torrão



AVISO:


Os artigos aqui expostos apenas têm a pretensão de informar, segundo a óptica pessoal do autor, não devendo assim ser conotados com qualquer tipo de aconselhamento acerca de investimentos, pois como já é público e notório, apenas as entidades financeiras autorizadas têm a competência legal para o fazerem.

RedDust
01-11-2003, 12:06
Analisando Fundamentalmente a Técnica

Por: Roberto Torrão
17-04-2002

É inevitável a atracção inicial pela análise técnica de todos aqueles que iniciam-se nas lides dos mercados financeiros, quem é que não ouviu falar do “Metastock” ou da “Média Móvel” ? O vocabulário técnico é extenso e bastante complexo, no entanto, engrossam as fileiras daqueles que diariamente vão aprendendo esta forma de análise e predição dos movimentos do mercado, através do recurso de dados e técnicas estatísticas.

A facilidade com que se encontra material disponível para os interessados em tal assunto é cada vez mais vasto, abundam os sites onde é disponível Análise Técnica para todos os gostos, para os que querem aprender, para os que querem fazê-la, e ainda para aqueles que não sabem, e também não estão minimamente interessados em conhecer, apenas gostam de deglutir toda a “papinha” já feita por outros, que são pretensamente entendidos (ou não, conforme o caso), interessando apenas a frequência com que o dito cujo acerta.


É fácil portanto perceber a predilecção de muitos por esta via de análise, afinal de contas, fazer algumas linhas, figuras geométricas e ler alguns livros de 400 páginas sobre o assunto, é sempre mais cómodo e viável do que concluir uma Licenciatura em Economia ou Gestão.


Todavia o recurso a Análise Fundamental, desde sempre foi a base de decisão de investimentos de qualquer Fundo de Investimento ou de Gestão de Património em qualquer parte do mundo, e provavelmente têm a sua razão de ser, não faz sentido afectar qualquer tipo de capital a um determinado tipo de instrumento financeiro sem uma análise prévia quantitativa e qualitativa. Perceber qual a importância dos diversos rácios financeiros, demonstração de resultados, balanços, indicadores macro-económicos e outros aspectos fundamentais, é condição "sine qua non" para os gestores dos grandes fundos e casas de investimento, e se têm sucesso e grande rentabilidade, é porque afinal a coisa funciona (...)


Mas e o caso Enron ? Era a sétima capitalização bolsista do S&P500 e transformou-se na maior falência da história, ultrapassando o caso da TEXAS co.! Dois meses antes do fatídico descalabro, uma prestigiada casa estrangeira alterava o seu rating da Enron para “Strong Buy” com o seguinte epíteto: “Still the best of the best”...


Casos como estes vêm lançar dúvida acerca do research feito pelas conhecidas casas internacionais, da forma como é contabilizada a actividade das empresas, e ainda dos díspares price targets que são diariamente atirados para os mercados, deixando confuso (ainda mais) o mais atento dos investidores. Não será um exercício algo titânico, controlar o sector, a actividade, as contas (supondo que estão correctas), os ratings, os price targets, e os rácios dos principais activos financeiros, dos principais mercados, dos principais países?


Se de facto há excelentes empresas, com óptimas recomendações que não param de afundar-se, e não obstante, péssimas empresas com horríveis recomendações que em um dado momento teimam em continuar a subir, parece mais fácil e acertado validar o “POR QUE tem que subir ou descer” conjuntamente com o “QUANDO vai subir ou descer”, pois o fim último parece ser sempre o de “ganhar dinheiro”, a não ser que goste de participar das Assembleias Accionistas...


Cada qual faça o seu juízo de valor, uns fundamentais outros técnicos, lembrando sempre, que se apertar demais as cordas de uma guitarra elas arrebentam, e se apertar de menos, ela não toca!



AVISO:


Os artigos aqui expostos apenas têm a pretensão de informar, segundo a óptica pessoal do autor, não devendo assim ser conotados com qualquer tipo de aconselhamento acerca de investimentos, pois como já é público e notório, apenas as entidades financeiras autorizadas têm a competência legal para o fazerem.

RedDust
01-11-2003, 12:07
Entrada e Aumento de Posições

Por: Roberto Torrão
24-04-2002

Pelo que tenho observado ao longo do tempo, muitos investidores têm o hábito de negociar sempre a mesma quantidade inicial quando abre uma posição em determinado activo, independente do valor deste mesmo activo. Apesar de não ser o objectivo, tentar julgar métodos e procedimentos, mas antes tentar deixar algum testemunho útil, convém salientar que as quantidades a serem negociadas devem depender do grau de certeza que tem-se na abertura da posição, não descurando o facto de que, sendo os preços dos activos díspares, as quantidades devem ser ponderadas em função destes. Portanto, parece interessante pensar em entrar sempre inicialmente com 100, 200, ou 1000 (quantidade) sempre tendo em relação o preço (2, 4, 20...).

Contudo, em determinado momento, o investidor decide adicionar ou completar a sua posição inicial em um dado activo, de forma a que possa beneficiar da continuação da tendência escolhida, como de novos negócios individuais se tratassem, beneficiando do facto de que é minorado o efeito de perda de cada posição adicionada (se houver perda), conseguindo um efeito de média nos preços (para continuar, assumiremos por princípio, que ao adicionar novas posições, adicionamo-las a anteriores posições ganhadoras, e não perdedoras, pois assume-se aqui que não há médias quando há posições perdedoras, mesmo porque, as perdedoras já foram, ou estão na iminência de serem fechadas (com perdas, lógico), por uma ordem do tipo “stop loss”).

Apesar de haver muitas técnicas para adicionar novas posições, o momento para fazê-lo é crucial, e haver uma tendência ascendente no comportamento do preço do activo também é factor fundamental, ainda assim convém não descurar as posições, para que os lucros não transformem-se rapidamente em perdas.

O padrão utilizado no aumento das posições, assemelha-se geometricamente com uma pirâmide.


A pirâmide normal é formada quando a maior parte do investimento é feito inicialmente, e a medida que evoluem os preços, é adicionada metade da posição previamente aberta, e assim sucessivamente até chegar ao número de posições que fora inicialmente estabelecido, ainda é comum o facto de que a posição inicial é normalmente composta por cerca de metade da posição total (Ex.: 20, 10, 5, 2, 1, para uma posição total previamente estabelecida de aproximadamente 40). A vantagem aqui, reside no facto de que uma possível perda em uma dada posição, não chega a comprometer a posição total.


Quando adicionamos sempre a mesma quantidade à posição inicial, (Ex.: 20, 20, 20, 20, 20) obtemos uma pirâmide invertida (figura esta conseguida imaginando, não as posições adicionadas, mas as posições obtidas em cada momento da adição, no exemplo utilizado, seria: 20, 40, 60 ,80, estando assim a base da pirâmide em cima). Sendo esta técnica susceptível de maiores ganhos, o risco também aumenta substancialmente. É importante aqui, não deixar que uma nova posição aberta, quando perdedora, acabe com todos os ganhos das posições anteriores. Também é possível minimizar um pouco o risco aqui assumido aumentando as posições usando a mesma quantia despendida inicialmente em vez da mesma quantidade.


Uma forma de diminuir o risco é usar a técnica da pirâmide reflectida (imagina-se uma pirâmide unida pelos vértices a outra pirâmide inversa ), onde começa-se com uma adição do tipo pirâmide normal, e quando alcançado metade do lucro estabelecido “a priori”, começa a diminuição das posições de forma inversa até o fecho total das posições (Ex.: 20, 10, 5, -5, -10, -20). Nesta técnica portanto, as posições totais pré-estabelecidas, são sempre abertas em um nível muito abaixo do lucro estabelecido.


Comparando as três métodos de adição de posições com o método de uma única posição assumida até o momento de saída, chega-se a conclusão que ambos os métodos de pirâmide aumentam tanto o risco como os lucros, sendo que o método da pirâmide reflectida é aquele que consegue o melhor rácio retorno/risco, enquanto que a pirâmide invertida possui a maior alavancagem, susceptível assim, de maior possibilidade de lucro.


Não é preciso no entanto nenhum estudo aprofundado para chegar-se a mesma conclusão prática que muitos investidores chegam intuitivamente:

- Posições perdedoras não são aumentadas, como são perdedoras são más posições, e portanto ninguém gosta de possuir mais daquilo que não é bom.

- Ao entrar no mercado convém ser aos poucos, a posição inicial não deve ser a total.

- Assim como entra-se adicionando posições, também a saída é feita da mesma forma, obtendo-se um preço de venda mais ponderado.


Cumprimentos,

Roberto Torrão.





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Os artigos aqui expostos apenas têm a pretensão de informar, segundo a óptica pessoal do autor, não devendo assim ser conotados com qualquer tipo de aconselhamento acerca de investimentos, pois como já é público e notório, apenas as entidades financeiras autorizadas têm a competência legal para o fazerem.

RedDust
01-11-2003, 12:08
Os “Grandes” Ganham Sempre!?

Por: Roberto Torrão
28-04-2002

Há alguma dificuldade de minha parte em aceitar o facto de que um dado mercado possa ser rotulado como manipulado. Para haver manipulação (entenda-se como a tentativa de levar a cotação de um determinado activo para um dado nível ou valor) é necessário antes de tudo que conjuguem-se algumas variáveis ao mesmo tempo.

Parece-me consensual o facto de que a liquidez é inversamente proporcional ao desejo de elaborar qualquer tipo de estratégia levada a cabo que possa ser considerada como manipuladora. Todavia, o que considera-se uma grande liquidez? Neste campo, parece-me que em termos de valores absolutos é complicado chegar-se à alguma conclusão, mas tão somente em valores relativos.


Tomando como exemplo o nosso mercado, não há dúvidas que um título que tenha uma quantidade diária negociada de cerca de 1000 acções em uma sessão inteira de bolsa possa ser classificado como pouco líquido, e que, por exclusão de partes, os que negociem mais (1 a 5 milhões) possam ser tidos como líquidos. Mas quando são alargados um pouco mais os horizontes da negociação, e fazendo menção a títulos de outros mercados accionistas, a realidade é “algo diferente”, onde a título de exemplo, fica o facto de que a NOKIA , na Finlândia, no dia 18/04 ter negociado cerca de 50 milhões de acções em apenas três horas de negociação, pese ainda o facto de que o valor desta ronda os 20 euros (apesar de provavelmente muitos saberem que a NOKIA pertence a bolsa de Helsínquia( Finlândia), a expressão acima “na Finlândia”, foi propositadamente usada, não como pleonasmo, mas sim para lembrar que esta acção é negociada em diversos mercados europeus, e ainda no mercado americano, e não só em ADR’s, o que faz com que o volume total negociado sejam ainda muito maior).


No entanto a relação liquidez/manipulação não só depende dos volumes negociados, pois apesar de grandes em alguns casos, podem não ser um empecilho para aqueles que possuem disponíveis quantias consideráveis de capital, como por exemplo, os fundos de cobertura (hedge funds). Ora, mas será que existe apenas um interveniente, em um dado mercado, com muito capital disponível?


O Free-Float é aqui outra variável importante a ter em conta neste assunto. A quantidade disponível do total dos títulos de determinada empresa cotada em bolsa é determinante para qualquer tentativa menos lícita de viciar o comportamento destes. É bastante clara a influência, que os detentores de um grande percentual da quantidade total de um determinado título possam ter na cotação deste.


Não é menos importante ter em conta, que as tendências primárias dos mercados (Bull/Bear) têm também influência determinante para o sucesso de qualquer tipo de manipulação, quando o mercado está com tendência de queda, normalmente há uma tendência para haver maior pressão vendedora (é por isso que afinal a tendência é de queda...), e com menos força na parte compradora, o trabalho de forçar as cotações para baixo, neste cenário, seria mais fácil; o que no caso de termos um mercado com tendência ascendente, eufórico e muitas vezes irracional, seria muito complicado, uma vez que em qualquer situação momentânea de baixa de preços apareceriam imediatamente novos compradores impossibilitando tal “manobra”.


Em suma, gostaria de partilhar a ideia que não acredito que, de forma sistemática, haja manipulações nos mercados. O que poderá haver são estratégias de venda ou de compra que como consequência podem levar as cotações para determinados níveis, o que até aqui, não me parece que haja algum ilícito, a não ser nos casos em que haja algum manifesto inside trade, o que já foge as regras habituais de transparência e rigor, e que assim devem ser tratados pelos órgãos competentes para tal. É provável no entanto, que possa haver tentativas de controlar as cotações em algum momento, com ordens de compra ou de venda (nada de errado, uma vez que o mercado é livre), mas se tal acontece, é porque naquele momento não conjugou-se um interesse antagónico, pois bastaria uma força contrária de compra ou de venda para anulação de tal intento. Em cada mercado há sempre grandes e pequenos, os primeiros têm mais força, entretanto, não estão sempre combinados ou inclinados para o mesmo lado como pode parecer.


Acredito que o estudo constante de tudo o que envolve os mercados financeiros, em suas mais variadas componentes é aquilo que deve ter como preocupação todos os investidores, pois aqueles que ao longo do tempo conseguem ter lucros de forma mais ou menos constante, são a prova cabal de que as pretensas manipulações nos mercados (se as houver) não são de forma alguma determinantes para o insucesso. Não estará ainda, “estampado” e “escrito” de forma mais ou menos clara o comportamento, manipulado ou não, dos títulos através do recurso ao historial da relação preço/tempo (Análise Técnica)? Então qual a razão de tanta preocupação? A experiência neste campo diz-me ainda que é possível ter maiores ganhos proporcionais que qualquer fundo de investimento, seja grande ou pequeno, pois no campo dos bons resultados, os “tubarões” têm uma dificuldade acrescida de entrarem e saírem do mercado devido ao seu peso. Ter pouco capital para gerir joga ao favor dos pequenos, e com muito estudo e trabalho, e em igualdade de condições estes têm maior hipóteses de sucesso.


Cumprimentos,

Roberto Torrão.



AVISO:


Os artigos aqui expostos apenas têm a pretensão de informar, segundo a óptica pessoal do autor, não devendo assim ser conotados com qualquer tipo de aconselhamento acerca de investimentos, pois como já é público e notório, apenas as entidades financeiras autorizadas têm a competência legal para o fazerem.

RedDust
01-11-2003, 12:09
Cenário de Médio – longo Prazo

Por: Roberto Torrão
01-05-2002

Sem querer entrar a fundo na Análise Técnica dos mercados, por achar que tal pode vir dar a ideia de alguma sugestão de minha parte para a tomada de posições, entendi colocar aqui, com um breve comentário, apenas dois gráficos semanais do índice alemão (futuros) e do Nasdaq Composite representando aqui respectivamente o mercado europeu e o mercado americano.

O facto do gráfico do Xetra ser do mercado de futuros, não comporta nenhuma razão especial, e em nada contribui positiva ou negativamente para a análise em questão. A escolha do índice alemão apenas prende-se ao facto de que neste momento considero-o como mercado líder na Europa, o qual é bastante monitorizado pela maior parte dos investidores. Já a escolha do Nasdaq Composite é feita baseado na ideia que tenho, de que todos os mercados estão sempre a reboque da performance deste índice, todavia, em minha opinião, o índice S&P500 é o que melhor representa o comportamento geral do mercado accionista americano.


Apesar dos fundamentais da economia global mostrarem alguma melhoria nos últimos tempos, os gráficos de médio-longo prazo mostram que o “rebound” que ocorreu nos mercados após Setembro do ano passado foi até agora apenas um “pull-back” e que a tendência principal do mercado ainda é marcadamente de queda.


É interessante verificar que o "sell-off" verificado no mercado em Setembro do passado do ano, acontece logo após a quebra de um suporte importante nos mercados, que foi os mínimos atingidos neste mesmo ano por volta de Março-Abril, em termos de valores, podemos apontar os 5400 pontos para o mercado alemão, e os 1600 pontos para o Nasdaq. Ora, em termos técnicos era péssimo a quebra deste suporte, pois abriria espaço para novos mínimos do ano, e o episódio de 11 de Setembro veio acelerar de forma exponencial tal facto. Entretanto estes mercados já estavam a cair seguidamente desde o início de Junho, o que denotava algum estado sobrevendido em termos semanais, mas mesmo assim após o fatídico acontecimento em Nova York os mercados caíram ainda cerca de 20-25 % em três ou quatro semanas, o que deixava de resto os mercados ainda mais sobrevendidos, propiciando assim a tão esperada recuperação no curto-prazo (entenda-se como curto-prazo semanal,e algumas empresas chegaram até a subir cerca de 100% nos meses seguintes.


Apesar desta grande subida dos mercados desde Setembro, verifica-se que o anterior máximo em termos semanais não é alcançado, (cerca de 2300 pontos no Nasdaq e de 6350 no Xetra), e no caso do mercado alemão, a região dos 5400 pontos que era o anterior suporte, funciona agora na perfeição como importante resistência a ser vencida. Aliás a tendência primária de queda na Alemanha (LT1) nunca foi quebrada. Ao contrário da linha de tendência homóloga do Nsdaq (LT1) que foi quebrada, apesar do pouco sucesso até o momento, chegando mesmo a funcionar também como suporte em Março do corrente ano, como podemos ver no gráfico.


Algumas linhas de tendência de subida de curto-prazo já foram violadas, e agora é crucial que os mercados recuperem nas próximas semanas. Foi um mau sinal a quebra da região dos 1730-1700 pontos do Nasdaq a qual era um importante suporte, e não havendo mais nenhum suporte importante antes dos 1400 pontos de Setembro de 2001, a hipótese da formação de um duplo fundo em Setembro-Outubro deste ano não está de forma nenhuma descartada. Ficando para o Dax Xetra a região dos 4800 pontos como suporte importante antes do derradeiro suporte dos 3600 pontos.


Cada um que tire as suas próprias conclusões, mas, apesar de ser explícito que parece ainda cedo para uma inversão de tendência, “in the other hand” é natural e aceitável que a recuperação dos mercados seja lenta e menos “visível”, pois quando a certeza do Bull Market for geral, é porque já está na hora de vender e eventualmente começar a ficar curto!


Cumprimentos,

Roberto Torrão



AVISO:


Os artigos aqui expostos apenas têm a pretensão de informar, segundo a óptica pessoal do autor, não devendo assim ser conotados com qualquer tipo de aconselhamento acerca de investimentos, pois como já é público e notório, apenas as entidades financeiras autorizadas têm a competência legal para o fazerem.

RedDust
01-11-2003, 12:10
CFD’s (Contract for Difference)

Por: Roberto Torrão
07-05-2002

Os CFD’s começaram no mercado inglês, e a sua génese prende-se com duas situações inconcebíveis neste mercado:

- impossibilidade do comum investidor viabilizar as suas expectativas de queda do mercado, estando vedado naquela altura (1990) o empréstimo de títulos para quem não beneficiasse do estatuto de “Market Maker”.

- imposto de selo de 0.5% sobre o total da transação, sendo este, o imposto de selo mais caro do mundo praticado para operações similares.

Os CFD’s aparecem assim como instrumento financeiro transaccionados em mercado OTC (Over the Count), estando portanto fora do circuito normal que conhecemos, em que um activo é transaccionado dentro de determinado mercado bolsista e passa depois pelos normais processos de liquidação física e financeira. Uma característica básica dos CFD’s é justamente o facto de que, apesar de ser considerado como um activo derivado, não haver lugar a uma data de liquidação física ou financeira pré determinada, e portanto uma posição longa ou curta pode estar aberta por tempo indeterminado.


E porque a referência à “posição longa ou curta”? Justamente um dos atractivos deste instrumento e dar ao comum investidor a possibilidade de beneficiar com a queda dos activos, se for esta a sua expectativa, possibilidade esta, vedada nos mercados onde o “short selling” (venda de títulos a descoberto) é proibido.


Como é um produto derivado, a alavancagem acaba por estar presente, sendo este outro grande trunfo deste produto, normalmente exige-se cerca de 20% apenas do valor absoluto da transação, propiciando o aumento, neste caso, em 5 vezes do valor investido o que exponencia bastante os lucros, claro está que as perdas tais como os lucros serão agora 5 vezes maiores, e o que parecia uma vantagem também pode ser efectivamente um desastre caso não se tenha bem presente a noção do aumento do risco. As posições longas nos CFD´s possuem o ónus de terem de pagar uma taxa de juro anualizada, pelo facto de haver um investimento com recurso a apenas uma pequena parte do capital investido; normalmente esta taxa é composta por uma taxa de referência mais um spread adicional, sendo usual por exemplo a LIBOR( taxa homóloga da Euribor, em Londres) + 3%. Apesar do facto do investimento em acções não acarretar o pagamento de juros, é importante lembrar que “dinheiro custa dinheiro”, e o facto de ter que despender todo o montante para adquirir a mesma quantidade de acções, tem o custo de oportunidade da taxa de juro que eventualmente poderia estar a ganhar na parte do dinheiro que não utilizaria se tivesse negociado em CFD’s. Pese ainda o facto de que pode não conseguir financiamento em um banco para o investimento total que deseja (caso não tenha capital), e se consegui-lo provavelmente o conseguirá com taxas menos atractivas.


Nunca poderá ser descurado a situação cambial quando a negociação de activos é feita em outra moeda que não a nossa, senão vejamos que o ganho de 2% por exemplo, no trade de acções da Microsoft fica sujeito as seguintes situações:

- câmbio para liquidar a compra em dólares

- câmbio novamente para euros aquando do fecho da posição

- custo extra da cobertura cambial euro/dolar no montante investido para não correr o risco de uma evolução negativa do dólar em relação ao euro.

Como poderá notar, uma situação de ganho poderia vir a ser de perda se levado em conta todos os custos associados a uma compra normal de acções em outros mercados. Nos CFD’s isto não acontece, pois a liquidação é sempre feita na sua própria moeda, não tendo que arcar com custos de compra/venda de moeda, e ainda o risco cambial é apenas da diferença entre a compra e a venda do activo (portanto apenas de um pequeno percentual do valor total investido, que será o ganho ou a perda resultante do negócio).


Dados de alguns anos atrás dá-nos conta do mercado de CFD’s em Londres já significar mais de 20% do total de negócios naquele mercado. Para as coberturas de carteira no curto prazo também torna-se um poderoso instrumento, não sendo necessário a venda dos activos e todas as implicações decorrentes deste facto, como por exemplo a situação fiscal de reporte de ganhos/perdas ou ainda situações de altos impostos de selo, como no caso inglês, (imagine o impacto no resultado final de uma transação, que além das comissões, paga 0.5% de imposto de selo...).


Há algumas situações onde o uso dos CFD´s pode ser igualmente interessante, como no chamado “pairs trade” onde alguns investidores estando em um mesmo sector tentam beneficiar de estados sobrecomprados/sobrevendidos de dois activos. Por exemplo comprar CFD´s da Shell que está sobrevendida, e vender CFD’s da British Petroleum que está sobrecomprada, e esperar que este rácio possa evoluir favoravelmente e assim poder fechar as posições com ganho.


Fica assim os CFD’s como mais um instrumento para poder ser usado independentemente das expectativas de subida ou de descida dos mercados, com suas particularidades próprias como em qualquer outro instrumento financeiro.




Para aqueles que ainda não têm grande familiaridade com este produto financeiro, fica aqui uma breve digressão neste instrumento com cada vez mais adeptos em todo mundo...




AVISO:


Os artigos aqui expostos apenas têm a pretensão de informar, segundo a óptica pessoal do autor, não devendo assim ser conotados com qualquer tipo de aconselhamento acerca de investimentos, pois como já é público e notório, apenas as entidades financeiras autorizadas têm a competência legal para o fazerem.

RedDust
01-11-2003, 12:11
Os Futuros e a Noção do Fair Value

Por: Roberto Torrão
09-05-2002

Mais importante do que saber qual o valor dos futuros sobre os índices Nasdaq100 e S&P500, é saber qual é o “fair value” para os respectivos contratos de futuros. Entenda-se aqui como “fair value”, o valor justo que tal contrato de futuro deveria estar a cotar no mercado em relação ao valor do respectivo activo subjacente.

Para percebermos melhor o que tal conceito implica, é importante fazer algumas considerações acerca dos contratos de futuros. Quando compramos 1 contrato de futuros sobre o índice Nasdaq100, tal como de outro índice qualquer, estamos exactamente a comprar as quantidades ponderadas de cada acção que compõem estes mesmos índices. Portanto, em nada difere se tivesse comprado a mesma quantidade ponderada de acções que compõem o respectivo índice, no mercado á vista. Todavia há uma diferença fundamental, que é o facto de ter de despender quantias diversas de capital em um e em outro caso.


No primeiro caso, em que é feita a réplica da composição do índice através de 1 contrato de futuros, apenas há que dispor de um valor residual (designado por “margem”) para efectuar esta compra (normalmente cerca de 10% do valor total do contrato). No segundo caso, haverá que fazer face ao valor total da compra das acções, e suas respectivas quantidades ponderadas, no mercado à vista.


Tendo em vista que no primeiro caso, apenas foi empregue cerca de 10% do capital disponível para a compra dos activos, sobra cerca de 90% do capital que poderá ser aplicado com intuito de receber juros. É exactamente esta taxa de juros que faz com que haja um valor justo (“fair value”) diário de um contrato de futuros em relação ao preço à vista deste mesmo activo. Esta diferença de preço é chamada de “cost of carry”. Portanto o preço justo, ou preço teórico do contrato de futuros para um dado dia, deve ser o valor do activo subjacente no mercado à vista, adicionado do ganho efectivo que originará de uma taxa de juros de referência aplicada ao valor do contrato, para o período que medeia, entre este dia em questão até ao dia de expiração deste contrato.


Para exemplificar com um contrato do nosso mercado, imaginemos que o índice PSI20 estará nos 8000 pontos no dia 18 de Maio, data que o contrato de futuros do PSI20 de Junho começa a vigorar como contrato principal, tendo este contrato maturidade de 30 dias, e supondo uma taxa de juros (passiva = activa) de 3% ao ano, teremos como preço justo do contrato de Junho, o valor de 8020 pontos neste dia:


PSI20 (cash) no dia 17 de Maio: 8000 pontos

PSI20 (Futuros Junho/2002) no dia 17 de Maio: 8000 pontos * (1+3%*30/360) = 8020 pontos


Seria portanto 8020 pontos o valor justo da cotação do contrato do PSI20 de Junho, caso os “imputs” acima fossem reais. É claro que no mercado, os valores negociados em dado momento podem estar acima ou abaixo deste valor, conforme as expectativas de subida ou de descida do índice à vista por parte dos investidores.


A causa final de toda esta dissertação, é a chamada de atenção para o facto de que a variação positiva ou negativa dos futuros dos índices americanos (Nasdaq100 e S&P500) apenas dizem respeito a uma variação em relação ao fecho do dia anterior, quando no fundo, o mais importante é saber se estão a cotar acima ou abaixo do seu valor justo, dando assim uma conotação positiva ou negativa respectivamente, em relação à abertura dos mesmos índices. Fica mais este exemplo elucidativo:


Fecho do Futuro do Nasdaq100 (Dia D): 1700 pontos

Cotação do Futuro do Nasdaq100 (Dia D +1): 1704 pontos (+ 4 pontos)

“Fair Value” do Futuro do Nasdaq100 (Dia D+1): 1710 pontos (- 6 pontos)


Se por um lado os futuros do Nasdaq100 no exemplo acima, indicam uma subida de 4 pontos para o dia seguinte, um olhar mais atento mostra que afinal ainda está negativo 6 pontos, pois está 6 pontos abaixo do valor justo para este dia, e assim sendo, o que poderia parecer um cenário positivo, denota uma situação menos favorável para a sessão vindoura.


Fica também como referência um “site”, que já será conhecido por muitos, para ter acesso ao valor diário do “fair value” para os contratos de futuros do Nasdaq100 e do S&P500, ficando talvez mais fácil criar alguma expectativa acerca da evolução da sessão seguinte destes mercados.

http://money.cnn.com/markets/morning_call/


Cumprimentos,

Roberto Torrão.





AVISO:


Os artigos aqui expostos apenas têm a pretensão de informar, segundo a óptica pessoal do autor, não devendo assim ser conotados com qualquer tipo de aconselhamento acerca de investimentos, pois como já é público e notório, apenas as entidades financeiras autorizadas têm a competência legal para o fazerem.

RedDust
01-11-2003, 12:14
"Open Interest"

Por: Roberto Torrão
14-05-2002

O “open interest” é o total das posições abertas que existe em determinado contrato de futuros. As posições são simétricas e de igual quantidade, ou seja, se um dado “open interest” é de 1000 contratos, entenda-se que há 1000 posições longas e 1000 posições curtas abertas neste contrato.

A interpretação do open interest segue mais ou menos a mesma linha de raciocínio que no caso do volume, entretanto, requer mais algumas explicações:


-Quando os preços estão em uma tendência ascendente, entenda-se com o mercado a subir, e o “open interest” está também a aumentar, há uma leitura “bullish” desta situação, com a conotação de mais dinheiro a entrar no mercado.


-Quando todavia, há uma tendência claramente ascendente e o “open interest” diminui, esta divergência é conotada com um “short covering”, ou seja as posições curtas a serem fechadas. Considera-se uma situação “bearish”, saída de dinheiro do mercado. Possível mudança de tendência.


-Já com uma tendência de queda, e o aumentar do “open interest”, os analistas técnicos entendem como um reforçar desta tendência, com mais dinheiro a entrar para o mercado com esta expectativa de queda; considerado um sina “bear”.


-Todavia, o “open interest a diminuir com a tendência de queda, interpreta-se como sendo posições longas a serem fechadas. Fraqueza da tendência de queda, sinal “bullish”. Possibilidade de haver mudança de tendência.


Há algumas situações em que o “open interest” tem particular importância, como por exemplo, no caso em que no final das grandes tendências há um diminuir de posições abertas, denota-se aí que uma bandeira de aviso foi hasteada, e que uma mudança de tendência pode estar para breve.

Outra situação é quando um grande aumento das posições abertas é feito em um mercado lateralizado, quando ocorre um “breakout”, para cima ou para baixo, é natural que este movimento (breakout) seja intensificado por via daqueles que irão fechar posições, uma vez que agora têm a noção de que estão do lado errado do mercado (lembre, que quando o mercado estava lateralizado, e ninguém tinha muita certeza acerca da sua direcção, houve quem abrisse posições longas e houve quem estivesse a abrir posições curtas, e agora uma destas duas posições está seriamente comprometida).

Fica também a noção de que tal como o volume, o “open interest” valida e ratifica a tendência nos casos de confirmação de padrões, como por exemplo, a quebra do “neckline” no “head&shoulders” ( quebra da linha do pescoço na formação “cabeça e ombros”) ou ainda em alguns triângulos, bandeiras e pendões.


Há no entanto quem pense que poucas ilações possam ser tiradas do “open interest”, uma vez que para cada posição aberta há uma posição aberta contrária, e que portanto, há sempre uma força de equilíbrio entre curtos e longos, todavia, as concentrações de posições são diferentes, imaginemos um caso em que há 1000 contratos abertos, supondo haver, por exemplo, um único grande investidor em determinado lado (longo ou curto), e outros 1000 investidores com 1 contrato do outro lado; se assim for... adivinha em que direcção irá este mercado? Exactamente... na direcção em que a posição mais concentrada estiver!!!


Cumprimentos,

Roberto Torrão.



AVISO:


Os artigos aqui expostos apenas têm a pretensão de informar, segundo a óptica pessoal do autor, não devendo assim ser conotados com qualquer tipo de aconselhamento acerca de investimentos, pois como já é público e notório, apenas as entidades financeiras autorizadas têm a competência legal para o fazerem.

RedDust
01-11-2003, 12:15
Os Warrants, mas afinal o que são?

Por: Roberto Torrão
20-05-2002

Desde que foram lançadas inicialmente para o mercado algumas séries (não foram todas ao mesmo tempo), houve desde logo uma grande aceitação por parte dos investidores, apesar de que, na altura, a maioria destes não faziam a mínima ideia acerca daquilo que estavam a negociar, nem tampouco de quanto supostamente tal valor mobiliário poderia valer, e ainda, que estavam a adquirir direitos, uma vez que eram detentores de tal produto.

Há dois tipos de warrants, os do tipo “call” e do tipo “put” os warrants do tipo call dão direito a comprar o activo que está subjacente em determinada data, a um determinado preço, e os warrants puts dão direito a vender o activo que está subjacente a um determinado preço e em determinada data. Portanto há aqui já três características dos warrants, uma tipologia call/put, uma data de exercício, e um preço de exercício que são dados aquando da emissão do warrant. Há ainda mais dois dados que são: a paridade, e o tipo de exercício americano/europeu. A paridade é um coeficiente, o qual deverá ser multiplicado pelo número de warrants detidos para que após o exercício possa designar-se qual o valor do ganho por cada variação de um tick. O tipo de exercício, vai permitir um exercício deste direito de compra ou de venda (call ou put) ao longo da vida do warrant se for do tipo americano, ou permitir o exercício apenas na data do exercício, se tratar-se do tipo europeu.


Exemplificando, imaginemos que comprando 500 warrants call do activo subjacente “DAX XETRA” com o preço de exercício de 5400 e data de exercício 24 de Junho de 2002 com uma paridade de 0.01, com o tipo de exercício europeu um indivíduo adquiriu um direito, mas que direito é esse?

Se o índice Dax Xetra estiver acima do valor de 5400 pontos no dia 24 de Junho de 2002, poderá, uma vez que detém estes warrants, exercê-los, e ganhar dinheiro. Mas ganhar quanto?

Se, voltando ao exemplo que demos, na altura do exercício, o índice estiver nos 5500 pontos, por suposição, irá ganhar (5500 – 5400) * 500 * 0.01 = 500 euros (pois o valor do “tick” é em euros). É claro que não convém esquecer de deduzir o custo com a compra dos warrants.


Ora, parece que até aqui não há grande problema, mas eis que surge uma grande questão: Dado que os preços de exercício são tão diferentes dos valores actuais dos activos subjacentes, e ainda as datas de exercício também são algo distanciadas da actual, como poderei saber o preço justo de compra dos warrants?

O conceito de valor teórico dos warrants é subdividido em dois valores, um intrínseco, e um temporal. Por valor intrínseco, podemos entender como o ganho que o comprador do warrant poderia realizar se exercesse-o imediatamente, portanto o warrant call terá valor intrínseco se o preço de exercício for menor que o valor do activo subjacente, e no caso de ser um warrant put terá valor intrínseco se o preço de exercício for maior que o valor do activo subjacente.

Acontece, que às vezes o preço de mercado deste warrant, ainda é maior que o seu valor intrínseco, neste caso é atribuído pelo mercado também um valor temporal, que é maior quanto maior for o n.º de dias que faltarem para a data do exercício, e traduz-se na maior probabilidade de os preços moverem-se de forma vantajosa( subir, nas calls e descer nas puts) para o detentor do warrant até a data do exercício.


Para a correcto cálculo deste valor mobiliário, usualmente encontramos a fórmula de Black-Scholes e suas derivações como algo de consensual entre o meio académico e os mercados financeiros, todavia, se quanto a todos os “inputs”, como preço de exercício, data de exercício, paridade, tipologia, tipo de exercício, taxa de juros e preço do activo subjacente há um consenso, quando chegamos a volatilidade, divergem as opiniões acerca de qual será a melhor usada, se a histórica, (e ainda assim, de qual período de análise) ou a implícita, que é aquela que o mercado assume em dado momento. Para não complicarmos mais o artigo, deixamos ao leitor a ideia básica de que a volatilidade será o grau em que se espera que o preço do activo subjacente varie à medida que o tempo passa, e quanto maior for amplitude deste movimento esperado no preço do activo, maior será a probabilidade do warrant ser exercido com ganho.


Tudo isto é muito bonito diriam alguns, mas a maioria dos que negoceiam warrants têm como estratégia a especulação de curto prazo, basta comprar o warrant a 3 e depois vendê-lo por 4 que já é um bom negócio, e não há nada de errado com esta estratégia, todavia, há que saber os pressupostos inerentes a cada valor mobiliário para depois poder decidir-se acerca das estratégias de intervenção nos mercados financeiros.


Convém não descurar, por fim, do maior inimigo do comprador dos warrants...

...o tempo!




AVISO:


Os artigos aqui expostos apenas têm a pretensão de informar, segundo a óptica pessoal do autor, não devendo assim ser conotados com qualquer tipo de aconselhamento acerca de investimentos, pois como já é público e notório, apenas as entidades financeiras autorizadas têm a competência legal para o fazerem.

RedDust
01-11-2003, 12:16
The Commitment of Traders

Por: Roberto Torrão
10-06-2002

Desde sempre que os investidores perseguem o ideal de antecipação dos movimentos dos mercados através de técnicas de análises das mais variadas possíveis. A lista é bastante extensa, sendo os rácios, tanto fundamentais como de análise técnica, os mais usados pela maioria dos investidores. Há entretanto quem dê especial relevo à actividade nos mercados de futuros e opções, como sendo estes os mercados antecipadores das principais tendências.

E qual a razão, para que possa haver alguma veracidade na assumpção de que os mercados de futuros e de opções conseguem antecipar os movimentos?


Os mercados de futuros e opções possuem algumas características importantes, como sendo a liquidez e a capacidade de alavancagem, o que faz com que estes produtos financeiros sejam os ideais para a cobertura de carteiras, aliás, foi com este intuito que os mesmos foram criados.


A par dos especuladores (entenda-se investidores com expectativas de subida ou descida do mercado), teremos ainda os fundos, que devido a sua dimensão, têm a estratégia de cobrir as suas posições no mercado à vista com instrumentos derivados de futuros e opções, havendo assim maior facilidade de controlar os movimentos de subida e descida dos mercados em um universo temporal mais imediato. É fácil perceber que estando um dado fundo investido na compra de milhões de acções, para um período alargado de tempo, este não possui a capacidade de vender seus activos de forma rápida caso tenha a perspectiva que haverá um período de correcção nos mercados, e assim, para gerir melhor a sua posição, poderá vender contratos de futuros para cobrir de forma parcial ou total o seu conjunto de activos pelo tempo que desejar, e assim caso o mercado desça, tem a possibilidade de compensar as perdas do mercado à vista com os ganhos obtidos através da venda de contratos, e caso o mercado suba, estará de igual modo com ganhos e perdas na mesma proporção, só que agora com ganhos nos activos negociados no mercado à vista e perdas nos derivados.


E se houvesse uma forma de saber as posições abertas, tal como as posições líquidas de acordo com categorias pré-definidas por critérios de tamanho e finalidade de investimento, talvez houvesse ilações a serem tiradas. A razão de tal ideia assenta no facto de que tendo os grandes fundos maior capital, bem como maiores recursos humanos, tal traduz-se em maior tempo dispendido em "research", além de maior capacidade técnica, atribuindo-se assim uma maior probabilidade dos "comerciais" estarem certos a maior parte das vezes.


Em 1974 foi criado pelo congresso americano um organismo chamado "The Commodity Futures Trade Commission", com o objectivo de regular a actividade dos mercados de futuros e opções sobre as mercadorias (e também entram aqui nesta categoria os índices e as moedas). Semanalmente é divulgado um relatório, em que, dentre outros tópicos, é relatado as posições abertas totais dos contratos, bem como as posições longas e curtas em cada contrato de futuro ou de opção, por cada categoria, sendo estas as categorias as seguintes:


Comerciais: fundos ou outros intervenientes que usem os contratos para a cobertura de outras posições.


Não Comerciais: grandes investidores sem no entanto ter a finalidade de cobertura dos activos.


Outros: posições de investidores, os quais não encontram-se na obrigatoriedade de serem catalogados devido a sua importância e dimensão (pequenos).


(click aqui para ver um exemplo do relatório de um mercado com várias "commodities", inclusive os futuros do NASDAQ)


Assim sendo, é possível semanalmente ter acesso a evolução das posições longas e curtas em cada categoria para cada tipo de contrato. E tendo acesso ao número de contratos longos e curtos da categoria dos comerciais (a mais importante...), teremos através de uma simples operação de subtracção a posição líquida desta categoria, e depois poderemos acompanhar semanalmente a evolução desta posição líquida, se aumenta ou diminui, e se há alguma tendência a formar-se. Fica o seguinte exemplo: se há 5000 posições curtas e 4000 longas, temos uma posição líquida total de 1000 contratos curtos. Na semana seguinte, verifica-se que agora há 2000 contratos curtos (fecharam-se 3000), e 5000 longos (aumentaram 1000), este facto fará com que haja uma nova posição líquida de 3000 longos, o que de resto demonstraria uma clara mudança na expectativa dos comerciais nesta semana. No gráfico abaixo poderá notar a evolução das posições líquidas de cada categoria, assim como a evolução das posições abertas (Open Interest).


(click aqui para ver o gráfico das posições líquidas de cada categoria e o "Open Interest" nos futuros do NASDAQ100)


Há inclusive hipótese de tratar os dados históricos de forma a analisá-los em qualquer programa normal de Análise Técnica, já havendo disponíveis muitos indicadores técnicos exclusivamente criados para o efeito, bem como sistemas de "trading" de longo-prazo unicamente fundamentados nas posições líquidas dos "comercias".


Não querendo de forma alguma influenciar as decisões de investimento de cada um, parece ser muito importante em uma óptica de longo-prazo, dar alguma relevância a este tipo de análise.


Fica a referência ao site onde poderá ter acesso não só aos relatórios semanais, bem como o histórico dos relatórios e outras informações adicionais.


Commodity Futures Trading Commission


Cumprimentos,

Roberto Torrão.



AVISO:


Os artigos aqui expostos apenas têm a pretensão de informar, segundo a óptica pessoal do autor, não devendo assim ser conotados com qualquer tipo de aconselhamento acerca de investimentos, pois como já é público e notório, apenas as entidades financeiras autorizadas têm a competência legal para o fazerem.

RedDust
01-11-2003, 12:17
Análise Técnica I - Médias Móveis

Por: Roberto Torrão
14-06-2002

O uso das médias móveis é muito comum em qualquer análise técnica, e por ser comum e básico não quer dizer, no entanto, que poucos resultados produzam, sendo estas excelentes confirmadoras de tendência, apesar de pouco sucesso no campo da antecipação, para esta finalidade, há outros indicadores mais adequados. Vamos então tecer algumas considerações acerca do assunto, com a menção que doravante será utilizado a designação de “MM” para fazer alusão à média móvel.

Como o próprio nome diz, trata-se de uma média de algum período (dias, semanas, meses... depende da escolha prévia segundo o horizonte temporal de investimento) de algum valor de referência escolhido, que normalmente é o valor de fecho do activo. Por exemplo, uma média móvel de 10 dias do valor de fecho de um activo X. E é chamada de móvel esta média, pelo facto de automaticamente retirar o primeiro valor de cada série a medida que adiciona um novo valor, ou seja, no exemplo acima, a cada dia que passa, a média é actualizada tendo em conta sempre os últimos 10 valores de fecho para o seu cálculo, sendo assim, a cada dia, é substituído no cálculo o primeiro valor de fecho da série de 10 valores pelo novo valor obtido neste dia.


Há vários tipos de MM, sendo no entanto as mais usuais as que iremos mencionar. A mais comum é a “Simples”, que é obtida através de uma simples média aritmética dos valores em questão, portanto para uma MM simples de 10 dias, teremos a soma dos fechos do activo em questão dos últimos 10 dias, dividido por 10, como valor final.


A MM ponderada, é obtida através da ponderação dos dias através do uso de múltiplos para cada dia, privilegiando em termos de importância os dados mais recentes, neste caso, em uma MM de 10 dias, teríamos o fecho do 10º dia multiplicado por 10, o fecho do 9º dia multiplicado por 9, e assim sucessivamente, para depois dividir o total pela soma dos múltiplos, que neste caso é 55 (10+9+8+...+1).


A MM exponencial, tem como característica básica a atribuição de um peso maior ao último valor da série em análise, no caso que temos usado, uma importância maior ao décimo dia, e poderá ser dado maior ou menor ênfase a este último valor conforme o n.º de dias escolhidos por exemplo, caso seja usado 21 dias, é dado automaticamente 9% de peso ao último dia. É portanto usada a seguinte fórmula: n.º de períodos = 2 / (percentagem-1).


Não são, entretanto, importantes as fórmulas, pois os programas de análise técnica fazem o trabalho todo, basta escolher o tipo de MM, e o período que quiser usar. E é na escolha dos períodos que encontra-se o “segredo” para a obtenção de maior ou menor sucesso na sua estratégia de investimento. Quanto menor for o prazo escolhido para o uso da MM, um maior n.º de “tradings” são feitos, e não sendo a quantidade de negócios feitos uma garantia de sucesso, as hipótese de falsos sinais (ruídos) aumentam. Todavia, o uso de maiores períodos têm o inconveniente de entrar-se mais tarde na tendência.


Na prática, deve-se comprar quando os valores do activo sobem acima do valor da MM, e deve-se vender quando os valores do activo descem abaixo da MM. Há ainda métodos que combinam 2 ou 3 MM, com prazos diferentes, como por exemplo a combinação de 5 e 10 ou 4, 9 e 18 períodos; e assim é gerado um sinal de compra quando a MM de menor período cruzar em movimento de subida a MM de maior período, e se houver três MM, espera-se então que a 1ª MM cruze, em movimento de ascensão, a 2ª MM e a 3ª MM, aguardando todavia, que a 2ª MM cruze a 3ª MM para a confirmação do sinal de compra, o mesmo esquema prevalece no caso de queda, onde as MM cruzam-se no sentido descendente. Se o prazo em questão for maior, poderá ser usado as MM de 50 ou 60 períodos para médio prazo, ou ainda os 180 ou 200 períodos para o longo prazo.


É comum também o recurso ao uso de bandas de flutuação acima e abaixo da MM para demarcação de zonas sobrecompradas ou sobrevendidas, é usual a estratégia de bandas de 3% para uma MM de 21 dias, ou ainda para prazos maiores, temos bandas de 5% para uma MM de 10 semanas ou 10% para uma MM de 40 semanas.


Para quem tem dúvidas acerca do n.º certo de períodos para as MM, fica a menção de que alguns preferem usar os “Números Fibonacci”, e sem querer entrar por agora em um assunto tão vasto, fica aqui a referência a esta variável, bem como os números pela sua respectiva ordem para vários prazos: 1-2-3-5-8-13-21-34-55-89-144-233 ...


Sendo as MM indicadores seguidores de tendência, têm a vantagem de “obrigar” o “trading” no sentido da tendência, entretanto, no espaço de tempo em que o activo encontrar-se em movimento lateral, será menor as hipóteses de sucesso, pois nestes casos funcionam melhor os indicadores osciladores. É fundamental ainda o recurso a testes exaustivos de várias combinações de tipos de MM com vários períodos para cada activo diferente, pois o que funciona bem para um activo pode não funcionar para outro.


Apesar de ser um indicador básico, parece-me bastante importante, e normalmente está presente, a par de outros indicadores, em uma completa análise técnica de qualquer activo.


Cumprimentos,

Roberto Torrão.

RedDust
01-11-2003, 12:17
A Negociação dos Certificados

Por: Roberto Torrão
19-06-2002

Iniciou hoje a negociação de mais um activo no mercado português, aumentando assim a diversidade dos produtos disponíveis para eventuais estratégias de especulação, arbitragem ou cobertura de carteiras.


O BCP Investimentos lançou duas emissões de certificados com data de reembolso de 3 de Junho de 2005 sobre o Índice DOW JONES EUROSTOXX 50 e sobre o Índice DOW JONES INDUSTRIAL AVARAGE ambos com a mesma paridade de 100 para 1 (ou rácio de 0.01) e ambos com a mesma data de emissão, apesar das quantidades emitidas serem diferentes.

Vamos entretanto fazer referência ao que realmente importa, ou seja, na prática, o que vem a ser um certificado, e de que forma é valorizado? Aqueles que estão familiarizados com a negociação dos “QQQ” no mercado americano, têm mais facilidade em compreender o conceito, pois trata-se de algo semelhante em termos práticos. Comprar um certificado sobre um índice, é na verdade negociar este índice sem no entanto recorrer a qualquer tipo de alavancagem, ao contrário do que acontece na negociação de futuros ou warrants, é portanto comprar (ou vender) o índice exactamente pelo seu valor absoluto, tendo em conta apenas a paridade (rácio) que foi convencionada na admissão dos certificados pela entidade emitente. Trata-se pois na prática de uma vulgar “acção”, só que de um índice (cabaz de empresas), em vez de ser de uma só empresa, com a pequena diferença de haver uma data (data de reembolso) em que é feito na prática o acerto final e definitivo dos ganhos ou perdas que até então eram potenciais, mais que já existiam se tivermos em conta a valorização diária do activo, como de resto é usual em qualquer método de gestão de activos.


A forma como são avaliados os certificados ainda é mais fácil de perceber do que no caso dos warrants, pois apesar de ser um produto com características diferentes, um certificado acaba por ser cotado da mesma forma que um warrant de estilo americano que está “in the money”, ou seja, em teoria o certificado deverá estar a ser cotado ao mesmo preço que estiver cotado o activo subjacente dividido pela paridade (ou multiplicado pelo rácio, que e a mesma coisa), corrigindo sempre a diferença cambial, caso haja (caso do índice DOW JONES INDUSTRIAL AVARAGE). Haverá, no entanto, lugar a um prémio ou desconto na cotação dos certificados, caso haja expectativa, de respectivamente subida ou descida, no activo subjacente.


Exemplificando, (ajuda sempre no entendimento), temos a seguinte situação:

João tem uma expectativa de subida para os mercados europeu e americano de uma forma geral, sendo assim, compra certificados do índice DOW JONES e do Índice EUROSTOXX 50, por achar que representam respectivamente o mercado americano e o mercado europeu. Supondo que o índice DOW JONES fechou a 9500 pontos e o EUROSTXX 50 está a 3200 pontos, a paridade é de 100 (rácio de 0.01) para ambos, e supondo o dólar a 1.05 Euros, temos um valor teórico para:

o certificado sobre o DOW JONES 9500 / 100 * 1.05 = 99.75 Euros.

o certificado sobre o EUROSTOXX50 3200 /100 = 32.00 Euros.


Caso o activo subjacente suba, é natural que o certificado suba na mesma proporção, e é natural que este caia se o activo subjacente cair, podendo assim o investidor ter a possibilidade de vender os seus certificados a qualquer momento. É importante no entanto frisar, que só poderá vender certificados depois de os ter, ou seja, não é permitido o “short selling”, tal como nas acções, e assim sendo, está vedada a hipótese de utilizar este instrumento para beneficiar com a queda dos activos subjacentes.


Caso o João (o investidor do exemplo acima) fique com os certificados até a data de reembolso, irá receber o valor de reembolso, que será o preço de referência do activo subjacente x o rácio (corrigido o câmbio, caso haja lugar a isso) , que em teoria será nada mais que o último valor cotado do certificado, e em termos práticos, é como se fosse obrigado a vender uma acção que possuía a 3 anos (tempo de duração do certificado), e que agora com a venda, assumirá as perdas ou encaixará os ganhos finalmente.


Esperamos que com este instrumento, e consequente aumento da diversidade de produtos disponíveis, os investidores possam potencialmente ter maior possibilidade de sucesso.


Fica por fim os códigos de negociação de cada certificado emitido:

DOW JONES EUROSTOXX 50 – CBCDX501

DOW JONES INDUSTRIAL AVARAGE - CBCDJI1


Cumprimentos,

Roberto Torrão.




AVISO:


Os artigos aqui expostos apenas têm a pretensão de informar, segundo a óptica pessoal do autor, não devendo assim ser conotados com qualquer tipo de aconselhamento acerca de investimentos, pois como já é público e notório, apenas as entidades financeiras autorizadas têm a competência legal para o fazerem.

RedDust
01-11-2003, 12:18
Tipos de Ordens na Negociação I

Por: Roberto Torrão
25-06-2002

Há uma grande variedade de tipos de ordens conforme os sistemas de negociação de cada mercado, entretanto há um conjunto de ordens que são usadas no quotidiano da negociação, e conhecê-las é tarefa básica para a implementação de qualquer estratégia de “trading”.

O processo de negociação passa invariavelmente por muitas fases, e o tipo de ordem a ser usado em cada momento é parte integrante da estratégia usada pelo investidor, haverá então uma breve incursão acerca de alguns tipos de ordens mais comuns, e outras menos comuns, que dependem do tipo de mercado e da plataforma de negociação.

O tipo mais comum de ordem talvez seja a ordem com limite de preço, onde o investidor dá instruções exactas de compra ou de venda com um limite máximo ou mínimo de preço respectivamente; é usual o uso destas ordens em zonas de suportes e resistências, ou a intenção de um melhor posicionamento de uma ordem em virtude de haver uma grande quantidade a um determinado preço nas ofertas (é mais fácil ser satisfeita a ordem que estiver em melhor posicionamento em relação as ordens com grandes quantidades, principalmente no caso de acções pouco líquidas), ou ainda simplesmente o desejo de “apenas” comprar ou vender tal activo a determinado preço.


As ordens “ao mercado” são ordens em que o desejo de comprar ou vender um activo por parte do investidor é imediatamente satisfeito (exceptuando os casos esporádicos em que não há comprador ou vendedor), este tipo de ordens é usado em algumas situações, em que é importante que o negócio seja feito naquele momento (o “timming” de entrada é sempre importante em qualquer estratégia de investimento, principalmente quando a estratégia de investimento é de curto-prazo), ou simplesmente para haver a garantia da realização do negócio (alguns “day-traders” desfazem-se das suas posições no pré-fecho da sessão, e este tipo de ordem é fundamental para a garantir que realmente não ficam com nenhum activo).

Há quem faça referência à “ordem ao melhor” como sendo a mesma coisa que “ordem ao mercado”, e efectivamente o resultado prático é o mesmo no nosso mercado, todavia, no mercado espanhol, é preciso ter mais cuidado com a terminologia usada, pois uma “ordem ao melhor”, é entendida como “ao melhor comprador ou vendedor” e está limitada a quantidade existentes no primeiro preço, enquanto que em uma “ordem ao mercado” a quantidade é totalmente satisfeita, não importando que esta seja realizada com vários preços.


Continua...



AVISO:


Os artigos aqui expostos apenas têm a pretensão de informar, segundo a óptica pessoal do autor, não devendo assim ser conotados com qualquer tipo de aconselhamento acerca de investimentos, pois como já é público e notório, apenas as entidades financeiras autorizadas têm a competência legal para o fazerem.

RedDust
01-11-2003, 12:19
Tipos de Ordens na Negociação II

Por: Roberto Torrão
26-06-2002

Continuação do artigo anterior...

Se, por exemplo, um investidor quiser colocar uma ordem “stop”, após ter comprado um dado activo, solicitará ao operador para colocar uma ordem “stop” de venda abaixo do último preço efectuado, e quando chegar a este valor previamente estipulado (chamado preço de disparo) imediatamente entrará para o mercado uma ordem de venda ao mercado, ou, caso haja a intenção de limitar o preço de venda, uma ordem de venda com um dado limite estipulado, preço limite este, que deverá estar abaixo do preço de disparo. Caso o mercado suba, poderá sempre ir subindo os valores da ordem “stop” de forma a aumentar os ganhos com a posição compradora inicial. Nos mercados em que é permitido abrir posições curtas (futuros, cfd’s ou “short-selling”) o raciocínio é feito ao contrário para as ordens “stop” de compra.

É de referir ainda, que em alguns mercados só é permitido ordens “stop” ao mercado, portanto não há a possibilidade de estabelecer um limite, como é o caso da negociação dos futuros sobre o índice alemão DAX. Entretanto, se por um lado, a falta de limite pode acarretar preços nem sempre desejados, todavia há sempre a garantia de ser realizada a ordem.


Há, entretanto, alguns tipos de ordens que são pouco conhecidas, mas igualmente usuais em alguns tipos de mercados, variando também de acordo com as plataformas de negociação. Nas ordens com limite de preço, há a variante chamada de “tudo ou nada”, em que após a intenção de compra ou de venda de uma dada quantidade a um determinado preço ser introduzida no sistema, esta só é satisfeita na totalidade da quantidade requerida, não admitindo a satisfação parcial da ordem.


Um outro tipo de ordem que não existe no mercado português, é a chamada M.I.T. (Market if Touched), sendo semelhante a uma ordem com limite normal, entretanto, quando é “tocado” o valor limite, imediatamente entra a ordem “ao mercado” e esta é satisfeita de forma garantida. Por exemplo, é colocada uma ordem de compra com limite a 2 euros, para um título que está a cotar nos 2.08 euros, e assim caso efectue alguma operação a 2 euros, imediatamente entra a ordem para executar o negócio ao preço de mercado, satisfazendo sempre a intenção do cliente. Este tipo de ordem é bastante interessante, pois qualquer investidor já deve ter feito o seguinte comentário: “Estava a comprar ao preço X, e apesar de ter sido o valor mínimo da sessão não consegui comprar...”, assim sendo no caso deste tipo de ordem não correrá o risco de ter acertado no valor mínimo de compra e não ver a sua intenção de compra satisfeita.


Existem ainda dois tipos de ordens bastante interessantes e que são muito úteis para algumas estratégias de negociação, uma chamada de “if trade” que como o próprio nome indica é activada em função de uma outra ordem, ou seja há por exemplo uma normal ordem de compra com limite, e que está já está colocada no mercado, e a seguir é colocada uma ordem do tipo “if trade”, em que só é activada automaticamente caso a primeira ordem seja executada, esta ordem “if trade” poderia ser, dando seguimento ao exemplo, uma ordem de venda com limite, ou uma ordem do tipo “stop” de venda com ou sem linite.

O outro tipo de ordem, é a chamada “uma cancela a outra” (one cancels the other), que igualmente tem bastante atractivos, e funciona ainda de forma mais simples: se por exemplo um investidor tivesse previamente comprado um activo, colocaria simultaneamente duas ordens no mercado: uma ordem de venda com limite, acima do seu preço de compra, com a intenção de assim ter ganhos; e uma ordem “stop” de venda abaixo do preço de compra para limitar as perdas, como as duas ordens estão ligadas uma à outra, quando uma for satisfeita, a outra é automaticamente anulada pelo sistema, e como neste sistema ainda é possível a validade das ordens ser por tempo indefinido, o investidor pode entrar no mercado e depois ir de férias sem preocupações, pois estão limitadas as perdas caso o mercado desça, ao mesmo tempo que há uma ordem de venda para a afectação de mais-valias caso o mercado suba!


É importante mais uma vez lembrar, que a preocupação quanto ao tipo de ordem a ser usado em cada mercado, para cada tipo de activo e para cada momento da negociação, faz parte de qualquer estratégia de investimento.


Cumprimentos,

Roberto Torrão.

RedDust
01-11-2003, 12:19
Análise Técnica - "Gaps"

Por: Roberto Torrão
29-06-2002

Muito já foi dito acerca destes fenómenos algo frequentes na negociação, e talvez seja importante tecer algumas considerações básicas sobre os mesmos.


Designa-se por “gaps” as áreas de um gráfico em que não encontram-se nenhum registo de negócios. Uma abertura acima do máximo do dia anterior, ou abaixo do mínimo da prévia sessão são acontecimentos originadores dos “gaps” no gráfico diário (seria o mesmo com períodos menores que o dia).

Estes também podem aparecer em gráficos, semanais ou mesmo mensais, o que de facto os revestem de maior importância, apesar de ser muito mais difícil tal acontecer nestas escalas temporais.


É importante referir que apesar de normalmente ter-se como um axioma que os “gaps” tem que ser preenchidos mais cedo ou mais tarde, tal conceito não está correcto, pois há “gaps” que simplesmente não são fechados, e este facto está intrinsecamente ligado a natureza dos mesmos, como adiante veremos, uns normalmente são fechados, outros não.


Há basicamente três tipos de “gaps”, os de quebra, os de fuga, e aqueles que são chamados de “gaps” de exaustão. Os “gaps” de quebra são aqueles que precedem um movimento significativo do activo, podendo ocorrer após a quebra de uma longa tendência, dando início a uma nova, e é comum ser acompanhado de um grande volume. Neste tipo de “gap”, é normal que não ocorra o seu preenchimento, apesar de muitas vezes haver uma retracção dos valores até uma parte do “gap”, sem no entanto preenchê-lo por completo. Quanto maior for o volume, maior é a hipótese da confirmação do não preenchimento, sendo neste caso um sinal de força do movimento.


Os “gaps” de fuga ocorrem normalmente a meio de uma tendência, e apesar de usualmente aparecer com volume moderado, indica que ainda há força nesta tendência (de subida ou descida). Também é bastante comum o seu não preenchimento, demostrando um claro sinal de continuação da tendência.


Os “gaps” de exaustão são aqueles que já de alguma forma são aguardados pelo analista técnico, pois após já ter verificado a formação dos outros dois tipos de “gaps”, este tem como perspectiva um provável fim do movimento. Será assim, um bom indicador do possível fim da tendência a verificação deste tipo de “gap”, principalmente após os preço terem retraído para valores anteriores ao acontecimento do “gap” (preenchimento do “gap”), denotando-se assim alguma falta de força.


Muitas vezes acontecem situações chamadas de “ilhas”, onde após a formação de um “gap” em uma dada tendência (ascendente ou descendente), acontece um movimento lateralizado de preços, e a seguir ocorre um “gap” em uma tendência oposta, provocando uma situação gráfica em que a parte do movimento que foi lateralizado fica como que com um aspecto de “ilha” uma vez que fica rodeado por espaços vazios (água...), formados pelos dois “gaps”. Normalmente esta figura denota uma forte hipótese de continuação do movimento na direcção seguida pelo segundo “gap”.

É comum ainda, os “gaps” formarem níveis de suporte ou resistência importantes, caso seja um “gap” formado em uma subida ou em uma descida respectivamente.


Para uma maior compreensão do que foi exposto, fica um gráfico com alguns “gaps” e ilhas (click aqui).


Cumprimentos,

Roberto Torrão.




AVISO:


Os artigos aqui expostos apenas têm a pretensão de informar, segundo a óptica pessoal do autor, não devendo assim ser conotados com qualquer tipo de aconselhamento acerca de investimentos, pois como já é público e notório, apenas as entidades financeiras autorizadas têm a competência legal para o fazerem.

RedDust
01-11-2003, 12:20
Repos

Por: Roberto Torrão
03-07-2002

As operações de reporte apesar de esporádicas, podem vir a dar alguma indicação acerca da evolução futura de um título, pois apesar de ser considerada tipicamente como uma operação de financiamento para o vendedor dos títulos, o comprador dos títulos poderá dispor durante algum tempo destes títulos para uma estratégia de “short selling”.

Uma operação de reporte (repo) é um acordo bilateral, onde “A” vende um activo a “B”, onde ao mesmo tempo, e como parte integrante desta transacção, “A” acorda recomprar este mesmo activo em uma dada data posterior, e a um dado preço (mais caro, em princípio). Em termos mais simples, uma operação de financiamento/aplicação a uma taxa repo, ou seja, temos “A” que pretende financiar-se através desta operação, enquanto que “B” está a fazer uma aplicação de curto-prazo, com a particularidade de ter disponível títulos para usá-los em uma estratégia de “short selling”.


Temos assim na abertura do repo:


VENDEDOR(financiado) entrega os TÍTULOS ao COMPRADOR(financiador) e recebe $


E no fecho do repo:


VENDEDOR(financiado) entrega $ + JUROS ao COMPRADOR(financiador) e recebe os TÍTULOS


Exemplificando:


“A” tem uma carteira de títulos e necessita de um financiamento.

“B” quer títulos por algum tempo para a venda, para beneficiar com uma suposta queda do mercado.


REGISTO DA OPERAÇÃO: 15/07/2002

DATA VALOR DA ABERTURA DO REPO: 18/07/2002

DATA VALOR DO FECHO DO REPO: 07/08/2002

X = PRAZO DA OPERAÇÃO: 20 DIAS

Y = TAXA REPO: 7% (ANUAL NOMINAL)

Z = TÍTULOS: 100.000 PORTUGAL TELECOM

W = COTAÇÃO NO DIA 15/07/2002: 7 EUROS

Q = COTAÇÃO NO DIA 04/08/2002: 6 EUROS


No dia 15/07/202:


“B” vende 100.000 PORTUGAL TELECOM no mercado a 7 Euros.


No dia 18/07/2002:


“A” entrega 100.000 acções da PORTUGAL TELECOM a “B”.

“A” recebe 700.000 Euros ( Z*W ) de “B”.


No dia 04/08/2002:


“B” compra 100.000 PORTUGAL TELECOM no mercado a 6 Euros.


No dia 07/08/2002:


“B” entrega 100.000 acções da PORTUGAL TELACOM a “A”.

“B recebe 700.000 Euros + 2.722,22 Euros de juros repo (Z*W*Y*X/360)


Resultado do Repo para “B”:


Ganho de 100.000 Euros com a queda do título (W-Q)*Z , mais um ganho de 2.722,22 com o Juro Repo recebido no período.


Resultado do Repo para “A”:


Financiamento de curto-prazo a uma taxa de juro bastante atractiva.


É preciso entretanto referir que trata-se de uma operação de Repo não garantida, com o eventual risco de incumprimento das partes, mesmo que feito o registo na EURONEXT de Lisboa. A Bolsa não entra como contraparte no negócio.


Temos assim o uso dos Repos, não só como um instrumento de financiamento, mas também como possibilidade de utilização como estratégia para “short selling”.


Todos os dias é possível consultar no Boletim Oficial de Cotações da Euronext de Lisboa, toda a actividade de Repos realizada, bem como a quantidade de títulos emprestados e o prazo do empréstimo (por escalões de dias), e assim tirar algumas ilações acerca das possíveis grandes actividades de “short selling” nos diversos títulos do PSI20.


Cumprimentos,

Roberto Torrão.




AVISO:


Os artigos aqui expostos apenas têm a pretensão de informar, segundo a óptica pessoal do autor, não devendo assim ser conotados com qualquer tipo de aconselhamento acerca de investimentos, pois como já é público e notório, apenas as entidades financeiras autorizadas têm a competência legal para o fazerem.

RedDust
19-01-2004, 23:18
Tendências...

Por: Roberto Torrão
15-07-2002

Talvez seja a regra mais importante dos mercados financeiros, e parece também ser aquela que menos é cumprida: seguir a tendência...

Uma das palavras mais usadas no quotidiano da negociação é “tendência”, e se de facto não é muito difícil perceber o que ela quer dizer, muito difícil é no entanto, para muitos, perceber a importância da mesma.

Um tendência caracteriza-se por um movimento do mercado em um dado período de tempo, e conforme estes períodos poderemos classificá-la como sendo de curto, médio ou longo prazo, o que por sua vez é de suma importância para definir as estratégias de negociação e os respectivos níveis de entrada e saída.


É mais ou menos consensual em termos técnicos, que deve-se sempre negociar a tendência de médio prazo, usando a de curto prazo para a definição do “timing” correcto para a entrada e também a saída desta tendência de médio prazo. Apesar de poderem variar conforme os activos negociados (mercado de futuros ou à vista, por exemplo) os períodos que à partida servem de base para a definição do que considera-se curto, médio ou longo prazo, há sempre uma noção mais ou menos intuitiva acerca do assunto, e por isso, não deter-nos-emos em tal conceito de tempo.


Mas o que realmente importa reter é: Por que será que a maioria dos investidores, e mesmo aqueles que seguem a Análise Técnica têm a tentação de sempre negociar contra a tendência a maior parte das vezes, mesmo sabendo que é errado e arriscado? Por que ouve-se diariamente expressões como “isso já bateu no fundo...” ou ainda “ agora é que é de comprar”? Por que será que quando um título está a cair muito percentualmente, ou a vários dias, em uma clara demonstração de fraqueza e força vendedora, ainda há quem tenha vontade de comprar com o simples argumento que afinal já caiu demais? E quando um título esta a subir a muitos dias, com grande volume a confirmar a força compradora, por que vende-se o activo, em vez de deixá-lo seguir a sua tendência? Por que normalmente vende-se os títulos que estão a subir e compra-se mais dos títulos que já têm-se a preços mais altos para assim fazer média (mér***...)?


A resposta não é tão complicada como parece, tudo resume-se à atitude do investidor de líder ou seguidor, lobo ou carneiro. Nos mercados financeiros, o mais lógico e acertado para os investidores particulares, é seguirem as tendências, e não antecipá-las, é serem carneiros, e não lobos. Quem faz os mercados mexerem são as grandes casas de investimento, ou grandes especuladores, que têm maior capacidade e recursos humanos e técnicos para poderem actuar nos mercados de forma mais rápida e eficiente, e não é preciso saber o porquê da subida ou queda dos activos para podermos beneficiar destes movimentos do mercado, se de facto nota-se um grande interesse comprador, compra-se também, e caso haja uma nítida tendência de queda no mercado vende-se e beneficia-se com a queda e pronto, não é tão complicado como parece. E se dúvidas há, quanto as tendências, basta abrir qualquer gráfico diário ou semanal para rapidamente perceber que de facto tem havido muitas tendências.


Privilegiar a Análise Técnica em detrimento da Fundamental parece ser o mais acertado, principalmente nestes últimos tempos em que nada é tido como certo e fiável, e agora recentemente, nem nas demonstração de resultados e balanços das empresas pode acreditar-se. Os gráficos não mentem, e as tendências também não costumam enganar, e com o recurso a “stops” mais ou menos apertadas é possível negociar as tendências de médio-prazo sem grande preocupação, usando as de curto-prazo para aproveitar os melhores pontos de entrada e de saída, como já foi referido. Negociar os “pull-backs” é tarefa árdua em que a disciplina é fundamental, mas a relação risco/rentabilidade não é a melhor, e mesmo que alguns investidores o façam com relativo sucesso, não é de forma alguma recomendável, e estar de fora do mercado à espera do momento certo para “entrar na tendência” pode ser a melhor opção em muitos casos. Não há só duas formas de estar no mercado, mas antes três: longo, curto ou “fora”.


Cumprimentos,

Roberto Torrão.

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