MrChance
16-11-2003, 15:51
Por imposições laborais passei a semana inteira (2ª a 5ª) em Braga a tentar fazer o startup da 1º empresa no novo sistema informático. Não é das dificuldades, arrelias, stress e similares que vos quero escrever, mas sim da beleza da cidade e da maravilha que são os seus restaurantes. É um imenso prazer comer em Braga (desde que guiado por quem conhece os seus meandros).
O 1º dia não conta (bahhhh!): almoço no Braga Parque (hamburguers e quejandos...), jantar na Portugália (não, não é a que conhecem. Esta é uma cervejaria normal, embora as moelinhas estivessem muito boas).
Mas o melhor viria a partir do dia seguinte. Após uma sessão algo irritante, abalámos para o Sameiro em que no Restaurante do mesmo nome, fizémos as pazes com a vida (mais ou menos hora e meia!). Experimentámos um Bife à Rolha e um Bacalhau à Sameiro , que estavam de comer e chorar por mais. O bife, dedo e meio de altura (dos meus, hem...), tenríssimo, a desfazer-se no palato, acompanhado de um esparregado de espinafres (que eu já não comia assim há muitos, muitos anos), fresquíssimo nos ingredientes e no paladar e batata frita palha. O bacalhau, frito com cobertura de cebola, estava também divinal. A terminar, não menos importante foi a simpatia e rapidez do serviço. Ah, já agora em matéria de vinhos, fui experimentando sempre os vinhos verdes da casa, e nunca me arrependi.
Após mais uma tarde de nervos e trabalho aventurámo-nos para a zona da Sé, que, como os que a conhecem sabem, tem dos melhores restaurantes da cidade. Mas nós íamos direitinhos a um, daqueles pequeninos, que quando olhamos para dentro, pensamos: mas onde vamos caber? Não coubémos à primeira, pediram-nos 20 minutos, que aproveitámos para circundar a zona. Linda, e a merecer volta mais demorada e atenta. De regresso ao restaurante, ainda esperámos mais uns vinte minutos que alguém se dignasse a abandonar o local. Mas valeu a pena a espera. Ficam agora a saber que o lugar chama-se "Taberna do Félix" e fica no Largo da Praça Velha.
Nas entradas destacaram-se umas tapas mistas, com um presuntinho de sabor genuíno e umas setas grelhadas (setas são cogumelos) com flor de sal. Hummmmm....
Para o prato de resistência escolhi um bacalhau (de que não recordo o nome, mas que tenho bem presente na minha memória olfactiva e palatal: frito e grelhado, com broa esfarelada a coroá-lo e batata a murro de companhia, com muito azeitinho (não sei se era virgem, mas tinha todo o sabor, eheheh). A rematar, uma tarte de limão. Touché, consegui rebolar-me para fora dali e chegar ao hotel.
A propósito, quando forem a Braga e precisarem de pernoita, tentem a Estalagem das Infias, palacete recuperado na zona de S.Vicente, com um enquadramento paisagístico interno que parece estarmos no campo, quando estamos mesmo no meio da cidade.
Já o dia seguinte não teve história de realce, apesar do almoço ter sido bastante razoável, em restaurante italiano de muito boa qualidade. A noite, então, foi para esquecer: Loja das Sandes e Casa das Sopas. Havia que continuar a trabalhar, pois então, e a sessão só terminou pero das duas da matina. Braaaaaghhh!
Mas o golpe de misericórdia, que me tornou adepto incontestável de Braga, em termos de restauração, estava-me reservado para o almoço. Gravem bem este nome "Restaurante Arcoense".
Só pedindo ajuda ao Mohandas consigo descrever a maravilha que foi aquela refeição. A começar pela apresentação das vitualhas disponíveis do dia, pelo próprio dono, personagem típica e cativante. O carinho e a admiração que ele punha na descrição dos ingredientes e na sua forma de preparação!!! Sem qualquer exagero levou mais de dez minutos a descrever o que tinha para nos oferecer. E eu já tinha o guardanapo encharcado da saliva que ia transbordando.
Acabei por não escolher nada, já não o conseguia, mas provei o seguinte: Arroz à Arcoense (arroz como se fosse de pato, mas com pedaços de caça), Arroz de Robalo, Assadinho misto (várias carnes grelhadas acompanhadas de grelos salteados e castanhas assadas). Os ingredientes e o cuidado na confecção são puramente espectaculares. Pormenores houve que nunca tinha visto em lugar nenhum, como as castanhas assadas, que o eram na realidade, assadas à parte um suporte próprio, ficando com o mesmo sabor como se as tivéssemos comprado numa rua de Lisboa. A terminar este repasto atrevi-me a um pudim à abade de Priscos, que, confesso, nunca tinha comido. Estava também no ponto. O único senão é que não se pode comer muito porque se torna enjoativo.
Escusado será dizer que fico com vontade de lá voltar. Aqui para nós até estou a pensar sabotar uns certos procedimentos para ter um pretexto, eheheheh.
O resultado desta aventura é que não foi muito lisonjeiro. Depois de cerca de um mês a ter cuidado com a alimentação, tendo atingido, previamente, os 105 kgs e conseguido recuar aos 97,5 kgs, voltei a trepar para os 102,5.
Por acaso alguém me consegue dar a receita para não engordar e continuar a gozar os prazeres da mesa portuguesa, que deve ser a melhor do mundo e arredores?
O 1º dia não conta (bahhhh!): almoço no Braga Parque (hamburguers e quejandos...), jantar na Portugália (não, não é a que conhecem. Esta é uma cervejaria normal, embora as moelinhas estivessem muito boas).
Mas o melhor viria a partir do dia seguinte. Após uma sessão algo irritante, abalámos para o Sameiro em que no Restaurante do mesmo nome, fizémos as pazes com a vida (mais ou menos hora e meia!). Experimentámos um Bife à Rolha e um Bacalhau à Sameiro , que estavam de comer e chorar por mais. O bife, dedo e meio de altura (dos meus, hem...), tenríssimo, a desfazer-se no palato, acompanhado de um esparregado de espinafres (que eu já não comia assim há muitos, muitos anos), fresquíssimo nos ingredientes e no paladar e batata frita palha. O bacalhau, frito com cobertura de cebola, estava também divinal. A terminar, não menos importante foi a simpatia e rapidez do serviço. Ah, já agora em matéria de vinhos, fui experimentando sempre os vinhos verdes da casa, e nunca me arrependi.
Após mais uma tarde de nervos e trabalho aventurámo-nos para a zona da Sé, que, como os que a conhecem sabem, tem dos melhores restaurantes da cidade. Mas nós íamos direitinhos a um, daqueles pequeninos, que quando olhamos para dentro, pensamos: mas onde vamos caber? Não coubémos à primeira, pediram-nos 20 minutos, que aproveitámos para circundar a zona. Linda, e a merecer volta mais demorada e atenta. De regresso ao restaurante, ainda esperámos mais uns vinte minutos que alguém se dignasse a abandonar o local. Mas valeu a pena a espera. Ficam agora a saber que o lugar chama-se "Taberna do Félix" e fica no Largo da Praça Velha.
Nas entradas destacaram-se umas tapas mistas, com um presuntinho de sabor genuíno e umas setas grelhadas (setas são cogumelos) com flor de sal. Hummmmm....
Para o prato de resistência escolhi um bacalhau (de que não recordo o nome, mas que tenho bem presente na minha memória olfactiva e palatal: frito e grelhado, com broa esfarelada a coroá-lo e batata a murro de companhia, com muito azeitinho (não sei se era virgem, mas tinha todo o sabor, eheheh). A rematar, uma tarte de limão. Touché, consegui rebolar-me para fora dali e chegar ao hotel.
A propósito, quando forem a Braga e precisarem de pernoita, tentem a Estalagem das Infias, palacete recuperado na zona de S.Vicente, com um enquadramento paisagístico interno que parece estarmos no campo, quando estamos mesmo no meio da cidade.
Já o dia seguinte não teve história de realce, apesar do almoço ter sido bastante razoável, em restaurante italiano de muito boa qualidade. A noite, então, foi para esquecer: Loja das Sandes e Casa das Sopas. Havia que continuar a trabalhar, pois então, e a sessão só terminou pero das duas da matina. Braaaaaghhh!
Mas o golpe de misericórdia, que me tornou adepto incontestável de Braga, em termos de restauração, estava-me reservado para o almoço. Gravem bem este nome "Restaurante Arcoense".
Só pedindo ajuda ao Mohandas consigo descrever a maravilha que foi aquela refeição. A começar pela apresentação das vitualhas disponíveis do dia, pelo próprio dono, personagem típica e cativante. O carinho e a admiração que ele punha na descrição dos ingredientes e na sua forma de preparação!!! Sem qualquer exagero levou mais de dez minutos a descrever o que tinha para nos oferecer. E eu já tinha o guardanapo encharcado da saliva que ia transbordando.
Acabei por não escolher nada, já não o conseguia, mas provei o seguinte: Arroz à Arcoense (arroz como se fosse de pato, mas com pedaços de caça), Arroz de Robalo, Assadinho misto (várias carnes grelhadas acompanhadas de grelos salteados e castanhas assadas). Os ingredientes e o cuidado na confecção são puramente espectaculares. Pormenores houve que nunca tinha visto em lugar nenhum, como as castanhas assadas, que o eram na realidade, assadas à parte um suporte próprio, ficando com o mesmo sabor como se as tivéssemos comprado numa rua de Lisboa. A terminar este repasto atrevi-me a um pudim à abade de Priscos, que, confesso, nunca tinha comido. Estava também no ponto. O único senão é que não se pode comer muito porque se torna enjoativo.
Escusado será dizer que fico com vontade de lá voltar. Aqui para nós até estou a pensar sabotar uns certos procedimentos para ter um pretexto, eheheheh.
O resultado desta aventura é que não foi muito lisonjeiro. Depois de cerca de um mês a ter cuidado com a alimentação, tendo atingido, previamente, os 105 kgs e conseguido recuar aos 97,5 kgs, voltei a trepar para os 102,5.
Por acaso alguém me consegue dar a receita para não engordar e continuar a gozar os prazeres da mesa portuguesa, que deve ser a melhor do mundo e arredores?
