Ventor
18-11-2003, 19:14
Vinhos de Colares
Para os que não são especialistas em vinhos nem nas suas raízes, hoje apetece-me falar aqui dos bons vinhos de Colares! Estes, que em tempos eu tive o privilégio de apreciar, em adegas privadas, para mim, os melhores, estão de abalada, pois em cada dia que passa, provavelmente, haverá uma videira a menos na região de colares!
O ano de 2003 ofereceu, em qualidade, não em quantidade, a melhor colheita dos últimos 10 anos. Como sabemos a quantidade é inimiga da qualidade. A produção do Ramisco de 2003, chegará ao mercado em 2007 e eu espero fornecer-me, logo que seja oportuno, de umas garrafinhas.
Dizem os especialistas que, devido à falta de ordenamento do Parque Natural Sintra-Cascais, a tendência dos vinhos de Colares, dos seus pêssegos e das suas hortas, é para acabar.
Por toda a verdejante várzea de Colares que se espraia pela nossa vista quando olhada da serra e pelas elevações que a cercam, existem as videiras que nos oferecem o famoso “Ramisco”.
http://www.terravista.pt/nazare/3121/garrafa.jpg
Num dia fresco das quatro estações, pode ser agora no Outono, vão até Colares, façam um passeio penetrando na sua zona verdejante. Esqueçam as linhas do eléctrico e que lá à frente há as praias e apreciem a outra obra das suas gentes – a parte agrícola! Penetrem nos seus carreiros, por onde a viatura consiga rodar e, se necessário, deixem a viatura, algures, em segurança e façam uma caminhada a pé. Vão observando as pequenas courelas agrícolas e toda a sua beleza mesmo em frente do nariz. Eu ainda sou do tempo que ia a Colares ver os pomares de pessegueiros floridos para matar saudades dos poucos pessegueiros que havia pela minha Assureira.
Mas eu gostava de falar do inconfundível “Ramisco”. Aqui se cultivam duas modalidades de vinha: as uvas de chão rijo e as uvas de chão de areia. Foram as do chão de areia, da casta “Ramisco”, que deram fama aos vinhos de Colares. Mas não é apenas a natureza do solo que confere qualidades únicas atribuídas aos vinhos de Colares. Também o seu clima característico lhes dá um papel importante, bem como a forma como o homem de Colares trata da sua vinha!
A vinha da casta “Ramisco” requer cuidados especiais, tal como os abrigos tradicionalmente feitos com canas, para protegerem as vinhas dos ventos marítimos impregnados de salinidade, sendo assim, o vinho de Colares, o resultado de uma interacção entre o homem e a natureza!
http://www.terravista.pt/nazare/3121/roca.jpg
Cabo da Roca
Reza a história que a fama dos vinhos de Colares remonta pelo menos ao séc. XIII, uma vez que, desde essa altura, a casta “Ramisco” tem carta de nobreza, um pergaminho que passou a levá-lo à mesa dos reis! Só a partir do séc. XIV, devido à acção de D. Fernando I, o vinho de Colares conheceu mercados externos e seguiu sempre a bordo das naus de 500.
A primeira guerra que foi desencadeada contra a casta “Ramisco”, foi levada a cabo pela filoxera que destruiu grande parte das vinhas da Europa, mas o “Ramisco” fez peito às armas e saiu vencedor! Admite-se que o terreno arenoso e o clima marítimo tenha protegido os vinhedos.
Vejam como Raul Proença, no seu “Guia de Portugal”, tão bem soube descrever a beleza ímpar de Colares.
“Colares é bela pela riqueza exuberante da sua vegetação, pela graça ondulosa da sua paisagem, pela bondade recatada das suas quintas seculares, perdidas na Montanha, construídas e como que suspensas nos socalcos das rochas olhando o mar amplíssimo. Os seus jardins de tão encantadora intimidade, como as suas laranjeiras e limoeiros, atalhos selvagens, que se perdem entre sombras espessas, levam a um riozinho bucólico que desliza sob pequenas pontes e abóbadas de folhagem, ou a maravilhosos belvederes onde o olhar surpreende o grandioso delineamento da montanha e respira a larga beleza do oceano, dum inefável azul cerúleo, ou ainda a uma faixa encantadora de praias isoladas como fora do Mundo, onde o mar foi talvez mais arquitecto e decorador do que em qualquer outra parte da costa ... “
Pois é! Os terraços que se vão soerguendo encosta acima onde se encostam algumas aldeias como o Penedo e outras, tornam aquela região da serra debruçada sobra a várzea verde e o mar, fabulosa.
Da Quinta do Pé da Serra, entre a estrada e o mar, a cair sobre o mesmo, fica uma encosta alcandorada sobre a espuma branca, produto da raiva de Neptuno na sua luta contra as fortalezas rochosas de Vulcano forjadas no caminhar de muitos milénios e dali, podemos desfrutar dos mais belos pôr-de-sol que possamos imaginar.
Para os que não são especialistas em vinhos nem nas suas raízes, hoje apetece-me falar aqui dos bons vinhos de Colares! Estes, que em tempos eu tive o privilégio de apreciar, em adegas privadas, para mim, os melhores, estão de abalada, pois em cada dia que passa, provavelmente, haverá uma videira a menos na região de colares!
O ano de 2003 ofereceu, em qualidade, não em quantidade, a melhor colheita dos últimos 10 anos. Como sabemos a quantidade é inimiga da qualidade. A produção do Ramisco de 2003, chegará ao mercado em 2007 e eu espero fornecer-me, logo que seja oportuno, de umas garrafinhas.
Dizem os especialistas que, devido à falta de ordenamento do Parque Natural Sintra-Cascais, a tendência dos vinhos de Colares, dos seus pêssegos e das suas hortas, é para acabar.
Por toda a verdejante várzea de Colares que se espraia pela nossa vista quando olhada da serra e pelas elevações que a cercam, existem as videiras que nos oferecem o famoso “Ramisco”.
http://www.terravista.pt/nazare/3121/garrafa.jpg
Num dia fresco das quatro estações, pode ser agora no Outono, vão até Colares, façam um passeio penetrando na sua zona verdejante. Esqueçam as linhas do eléctrico e que lá à frente há as praias e apreciem a outra obra das suas gentes – a parte agrícola! Penetrem nos seus carreiros, por onde a viatura consiga rodar e, se necessário, deixem a viatura, algures, em segurança e façam uma caminhada a pé. Vão observando as pequenas courelas agrícolas e toda a sua beleza mesmo em frente do nariz. Eu ainda sou do tempo que ia a Colares ver os pomares de pessegueiros floridos para matar saudades dos poucos pessegueiros que havia pela minha Assureira.
Mas eu gostava de falar do inconfundível “Ramisco”. Aqui se cultivam duas modalidades de vinha: as uvas de chão rijo e as uvas de chão de areia. Foram as do chão de areia, da casta “Ramisco”, que deram fama aos vinhos de Colares. Mas não é apenas a natureza do solo que confere qualidades únicas atribuídas aos vinhos de Colares. Também o seu clima característico lhes dá um papel importante, bem como a forma como o homem de Colares trata da sua vinha!
A vinha da casta “Ramisco” requer cuidados especiais, tal como os abrigos tradicionalmente feitos com canas, para protegerem as vinhas dos ventos marítimos impregnados de salinidade, sendo assim, o vinho de Colares, o resultado de uma interacção entre o homem e a natureza!
http://www.terravista.pt/nazare/3121/roca.jpg
Cabo da Roca
Reza a história que a fama dos vinhos de Colares remonta pelo menos ao séc. XIII, uma vez que, desde essa altura, a casta “Ramisco” tem carta de nobreza, um pergaminho que passou a levá-lo à mesa dos reis! Só a partir do séc. XIV, devido à acção de D. Fernando I, o vinho de Colares conheceu mercados externos e seguiu sempre a bordo das naus de 500.
A primeira guerra que foi desencadeada contra a casta “Ramisco”, foi levada a cabo pela filoxera que destruiu grande parte das vinhas da Europa, mas o “Ramisco” fez peito às armas e saiu vencedor! Admite-se que o terreno arenoso e o clima marítimo tenha protegido os vinhedos.
Vejam como Raul Proença, no seu “Guia de Portugal”, tão bem soube descrever a beleza ímpar de Colares.
“Colares é bela pela riqueza exuberante da sua vegetação, pela graça ondulosa da sua paisagem, pela bondade recatada das suas quintas seculares, perdidas na Montanha, construídas e como que suspensas nos socalcos das rochas olhando o mar amplíssimo. Os seus jardins de tão encantadora intimidade, como as suas laranjeiras e limoeiros, atalhos selvagens, que se perdem entre sombras espessas, levam a um riozinho bucólico que desliza sob pequenas pontes e abóbadas de folhagem, ou a maravilhosos belvederes onde o olhar surpreende o grandioso delineamento da montanha e respira a larga beleza do oceano, dum inefável azul cerúleo, ou ainda a uma faixa encantadora de praias isoladas como fora do Mundo, onde o mar foi talvez mais arquitecto e decorador do que em qualquer outra parte da costa ... “
Pois é! Os terraços que se vão soerguendo encosta acima onde se encostam algumas aldeias como o Penedo e outras, tornam aquela região da serra debruçada sobra a várzea verde e o mar, fabulosa.
Da Quinta do Pé da Serra, entre a estrada e o mar, a cair sobre o mesmo, fica uma encosta alcandorada sobre a espuma branca, produto da raiva de Neptuno na sua luta contra as fortalezas rochosas de Vulcano forjadas no caminhar de muitos milénios e dali, podemos desfrutar dos mais belos pôr-de-sol que possamos imaginar.
