Ventor
13-04-2003, 17:03
Uma festa de Natal por terras do Alentejo.
O ano era o de 1998 e o convite foi aceite com o melhor prazer do Mundo. O patrão da minha mulher, convidou-me para, juntamente com eles, avançarmos por terras do Alentejo e partilhar da mesma festa. Alugou uma camioneta que nos levaria Alentejo dentro com uma missão bem determinada. Uma visita ao Castelo de Monsarás e o almoço na Herdade do Esporão.
http://pagina.netc.pt/~ne18715a/imagens/vinhos_esporao.jpg
Assim foi. Um autêntico manjar dos deuses!
http://www.academiadovinho.com.br/materias/esporao/esporao_2.jpg
A grande Herdade do Esporão
Partimos da Praça Marquês de Pombal, de manhã cedo e, logo depois de atravessar a ponte, estávamos em terras alentejanas! Há quem diga que não. Mas cá para mim, Alentejo é Alentejo e logo que atravessemos para além do Tejo estamos lá! Também há quem diga que o Cristo rei está a abraçar Lisboa, mas como eu sou do contra, acho que ele está de braços abertos, apenas e só, para dar as boas vindas a quem se dirige para o Alentejo e por aí adiante!
Em Monsarás, durante uma parte da manhã, apreciamos tudo como autênticos especialistas daquelas belas planícies. As vielas da vila medieval mourisca, tão belas como a pureza alentejana, falam comigo tal e qual como se eu por lá tivesse andado nos tempos das lutas fratricidas entre os cristãos e os mouros.
Ao meu redor, só vejo os espaços infinitos da grandeza das planícies que eu não esqueço. As tais onde as cotovias em voos verticais se elevam num grito uníssono de boas-vindas a quem vai ao Alentejo! E eu sou quase Alentejano!
http://planeta.clix.pt/JoseSobrinho/aves/imagens/cotovia.jpg
Cotovia
Do cimo das muralhas do Castelo de Monsarás, apetece-me dar um grito que se ouça em terras de Castela. Num dia cheio de sol, nos finais de Novmbro, não será difícil ser-se ouvido do outro lado! Eu sei que todos os que estão do lado de lá, me ouvem. Os tombados na Guerra Civil de Espanha, pelos vales e planícies de Castela e ainda debruçados nas grandes serras da Meseta sabem que o Ventor está próximo. A ladainha das voses marcam presença e no meu sentido apurado de cão de grande faro, eu prevejo o que por lá se passa!
Alguém me disse, apontando as marcas do sítio onde iriam chegar as águas da barragem de Alqueva. Mas a beleza era enorme e logo comecei a imaginar as águas da bela Barragem que iria matar a sede ao Alentejo!
Continuei na minha azáfama de tudo me aperceber e encontrava-se ali o Dr. Vitor M. L. Pereira Neves, o autor de uma bela monografia sobre Monsarás - Pérola Alentejana! Sem exitar comprei esse belo livro onde ele fez uma dedicatória à minha mulher - distinta senhora, não esquecendo ele o nome de Sanches, distinto em Portugal e em Espanha que podíamos abraçar sobre a planície. Já li essa bela Monografia que muito dignifica a terra e as gentes de Monsarás, e vale a pena o tempo que nunca se dá por perdido!
http://castelosdeportugal.no.sapo.pt/fotosdecastelos/monsaraz1.jpg
Castelo de Monsarás
Abandonámos Monsarás, direitos à Herdade do Esporão, onde seria o nosso almoço, passando por Reguengos de Monsarás onde o Condestável, Nuno Álvares Pereira, fundou uma igreja a nossa senhora. Fiquei a saber que os Castelhanos lhe chamavam o Nuno Madruga, por ele iniciar sempre os seus combates ao romper da aurora!
No Esporão, onde estava marcado o nosso almoço, apreciei as belezas da Herdade e da mesa e logo de seguida, as grandes adegas! Os malandrecos, com a minha mulher à cabeça, que tinha organizado aquela manifestação de festa ímpar, colocaram-me como provador conceituado das pomadas de Baco! Provei pouco ou muito pois a minha prova era a Herdade mais que os vinhos, a represa de águas e as cepas que pareciam que gritavam "ossanas nas alturas"!
Ali, na companhia de Baco, apreciei do que há de melhor no Alentejo, no que diz respeito às suas influências e ao seu trabalho. Comigo e com os restantes convidados, quis Baco partilhar aquela festa! Mostrou-me a sua obra fabulosa e as cepas divinas sempre protegidas pela esperança de melhor fazer do grande Roquette!
Depois, ao cair da noite, espreito o horizonte longínquo e, mais uma vez, aprecio o rubor de Apolo, um pouco triste por não poder partilhar mais tempo comigo as belezas daquelas terras arrasadoras e, ainda por cima, deixar-me noite dentro, em plena festa, na companhia de Baco!
Eu sou um admirador das terras e das gentes alentejanas quer junto à costa quer em pleno interior. E que belas são as cidades e as vilas do Alentejo!
Nesta monografia de Monsarás, há umas referências aos Papanças, onde sobressai um "respigo" aos trabalhadores rurais:
http://www.terravista.pt/AguaAlto/7794/trajes/camponesa.gif
Mondadeira
"Trabalham, mourejando todo o dia
E à noite (extenuados), coitados lá vão;
Fugidos da Gleba, libertos do ancinho.
Embora com fome, bebem antes vinho
Porque este, alegra mais do que o pão".
E o Alberto Papança, "pintou" em verso as mondadeiras, publicado no seu livro "Musa Alentejana", em 1908.
"Ranchos alegres, mondando as cearas
Que rico assunto para os pintores;
Lembram vistosos bandos de araras:
(Saias e blusas vistosas), roupinhas claras,
Chapéus redondos, lenços de cores".
http://www.terravista.pt/AguaAlto/7794/trajes/cefeira.gif
Ceifeira
Há também na zona belas vilas e cidades alentejanas, muito interessantes para leigos como eu e que foram belas serventias para as gentes de Monsarás nos invernos chuvosos, quando precisavam atravessar o rio Guadiana. São elas:
a Barca de Elvas
a Barca de Jerumenha
a Barca de Xerez (em Castela)
a Barca de Mourão
a Barca de Moura
a Barca de Serpa
Eram os locais onde atravessavam com os gados o rio Guadiana, para as feiras e não só.
O ano era o de 1998 e o convite foi aceite com o melhor prazer do Mundo. O patrão da minha mulher, convidou-me para, juntamente com eles, avançarmos por terras do Alentejo e partilhar da mesma festa. Alugou uma camioneta que nos levaria Alentejo dentro com uma missão bem determinada. Uma visita ao Castelo de Monsarás e o almoço na Herdade do Esporão.
http://pagina.netc.pt/~ne18715a/imagens/vinhos_esporao.jpg
Assim foi. Um autêntico manjar dos deuses!
http://www.academiadovinho.com.br/materias/esporao/esporao_2.jpg
A grande Herdade do Esporão
Partimos da Praça Marquês de Pombal, de manhã cedo e, logo depois de atravessar a ponte, estávamos em terras alentejanas! Há quem diga que não. Mas cá para mim, Alentejo é Alentejo e logo que atravessemos para além do Tejo estamos lá! Também há quem diga que o Cristo rei está a abraçar Lisboa, mas como eu sou do contra, acho que ele está de braços abertos, apenas e só, para dar as boas vindas a quem se dirige para o Alentejo e por aí adiante!
Em Monsarás, durante uma parte da manhã, apreciamos tudo como autênticos especialistas daquelas belas planícies. As vielas da vila medieval mourisca, tão belas como a pureza alentejana, falam comigo tal e qual como se eu por lá tivesse andado nos tempos das lutas fratricidas entre os cristãos e os mouros.
Ao meu redor, só vejo os espaços infinitos da grandeza das planícies que eu não esqueço. As tais onde as cotovias em voos verticais se elevam num grito uníssono de boas-vindas a quem vai ao Alentejo! E eu sou quase Alentejano!
http://planeta.clix.pt/JoseSobrinho/aves/imagens/cotovia.jpg
Cotovia
Do cimo das muralhas do Castelo de Monsarás, apetece-me dar um grito que se ouça em terras de Castela. Num dia cheio de sol, nos finais de Novmbro, não será difícil ser-se ouvido do outro lado! Eu sei que todos os que estão do lado de lá, me ouvem. Os tombados na Guerra Civil de Espanha, pelos vales e planícies de Castela e ainda debruçados nas grandes serras da Meseta sabem que o Ventor está próximo. A ladainha das voses marcam presença e no meu sentido apurado de cão de grande faro, eu prevejo o que por lá se passa!
Alguém me disse, apontando as marcas do sítio onde iriam chegar as águas da barragem de Alqueva. Mas a beleza era enorme e logo comecei a imaginar as águas da bela Barragem que iria matar a sede ao Alentejo!
Continuei na minha azáfama de tudo me aperceber e encontrava-se ali o Dr. Vitor M. L. Pereira Neves, o autor de uma bela monografia sobre Monsarás - Pérola Alentejana! Sem exitar comprei esse belo livro onde ele fez uma dedicatória à minha mulher - distinta senhora, não esquecendo ele o nome de Sanches, distinto em Portugal e em Espanha que podíamos abraçar sobre a planície. Já li essa bela Monografia que muito dignifica a terra e as gentes de Monsarás, e vale a pena o tempo que nunca se dá por perdido!
http://castelosdeportugal.no.sapo.pt/fotosdecastelos/monsaraz1.jpg
Castelo de Monsarás
Abandonámos Monsarás, direitos à Herdade do Esporão, onde seria o nosso almoço, passando por Reguengos de Monsarás onde o Condestável, Nuno Álvares Pereira, fundou uma igreja a nossa senhora. Fiquei a saber que os Castelhanos lhe chamavam o Nuno Madruga, por ele iniciar sempre os seus combates ao romper da aurora!
No Esporão, onde estava marcado o nosso almoço, apreciei as belezas da Herdade e da mesa e logo de seguida, as grandes adegas! Os malandrecos, com a minha mulher à cabeça, que tinha organizado aquela manifestação de festa ímpar, colocaram-me como provador conceituado das pomadas de Baco! Provei pouco ou muito pois a minha prova era a Herdade mais que os vinhos, a represa de águas e as cepas que pareciam que gritavam "ossanas nas alturas"!
Ali, na companhia de Baco, apreciei do que há de melhor no Alentejo, no que diz respeito às suas influências e ao seu trabalho. Comigo e com os restantes convidados, quis Baco partilhar aquela festa! Mostrou-me a sua obra fabulosa e as cepas divinas sempre protegidas pela esperança de melhor fazer do grande Roquette!
Depois, ao cair da noite, espreito o horizonte longínquo e, mais uma vez, aprecio o rubor de Apolo, um pouco triste por não poder partilhar mais tempo comigo as belezas daquelas terras arrasadoras e, ainda por cima, deixar-me noite dentro, em plena festa, na companhia de Baco!
Eu sou um admirador das terras e das gentes alentejanas quer junto à costa quer em pleno interior. E que belas são as cidades e as vilas do Alentejo!
Nesta monografia de Monsarás, há umas referências aos Papanças, onde sobressai um "respigo" aos trabalhadores rurais:
http://www.terravista.pt/AguaAlto/7794/trajes/camponesa.gif
Mondadeira
"Trabalham, mourejando todo o dia
E à noite (extenuados), coitados lá vão;
Fugidos da Gleba, libertos do ancinho.
Embora com fome, bebem antes vinho
Porque este, alegra mais do que o pão".
E o Alberto Papança, "pintou" em verso as mondadeiras, publicado no seu livro "Musa Alentejana", em 1908.
"Ranchos alegres, mondando as cearas
Que rico assunto para os pintores;
Lembram vistosos bandos de araras:
(Saias e blusas vistosas), roupinhas claras,
Chapéus redondos, lenços de cores".
http://www.terravista.pt/AguaAlto/7794/trajes/cefeira.gif
Ceifeira
Há também na zona belas vilas e cidades alentejanas, muito interessantes para leigos como eu e que foram belas serventias para as gentes de Monsarás nos invernos chuvosos, quando precisavam atravessar o rio Guadiana. São elas:
a Barca de Elvas
a Barca de Jerumenha
a Barca de Xerez (em Castela)
a Barca de Mourão
a Barca de Moura
a Barca de Serpa
Eram os locais onde atravessavam com os gados o rio Guadiana, para as feiras e não só.
