Ventor
22-01-2004, 18:33
... é um vento gelado! Ele vergasta-nos o corpo e a alma ao ritmo da rabanada. A rabanada do vento! Precisamos de enfrentar as rabanadas desse vento gelado.
Conheço um rapaz saudável. Tem brio no seu ego e procura agradar a todos. A vida era dura, mas ele procurou um bom porto. Arranjou emprego em contabilidade numa empresa e aí, a trabalhar de dia e a estudar à noite, tirou o seu curso de engenharia informática. Fez-se ao “mar”, como o voo de uma gaivota que se manteve algum tempo por terra, e arranjou novo emprego numa empresa onde os sonhos, mesmo que imaginários, se expandiam. Uma empresa americana, uma empresa com futuro, pensava-se, uma empresa que o atirava para Madrid, para Telavive, para N. York ... para ... o mundo!
Mas as coisas correram mal! De repente, a maioria deles são deitados porta fora como se de sacos de plástico cheios de lixo se tratasse. Fundo de Desemprego, uma ligeira indemnização e sonhos que se esvaíram!
Compra de casa, de carro novo, ... enfim, a vida melhorou de repente, mas mais de repente ainda, abriram-se debaixo dos seus pés, as portas do Inferno.
Este é um dos vários casos que eu conheço. Mas mais ainda, por aqui e por ali, neste nosso mundo virtual, eu ouço (lendo) muitos dos nossos jovens licenciados, com mestrado, etç, tentarem viver a vida sonhando, mas no meio dos seus sonhos, vão dizendo que estão desempregados! O desemprego dos jovens não deveria ser uma calamidade, mas é! Infelizmente é!
Por isso, eu tento ouvi-los, não para os compreender, mas para compreender melhor o que os espera. Isto são os nossos jovens licenciados, 40.000 diz o primeiro ministro, mais, dizem outros. Mas há mais jovens no desemprego e este já não é só a praga da nossa sociedade moderna, mas mais parece uma das portas do Inferno que nos aguarda a todos. Se um dia o pleno emprego voltar, os males até então causados já serão tão grandes que deixará a sociedade cheia de chagas. Tal como numa das velhas leprosarias de tempos idos.
Escolhi falar dos jovens, que já dói muito, mas se falarmos dos pais que viram desaparecer de repente o pão dos seus filhos, ainda dói mais! E dói mais ainda porque não nos parece esporádico o que se está a passar. Acho que o nosso país está enfermo de uma doença terrível! Uma doença que o mina há muitos anos. Se analisarmos profundamente os males que esventram a nossa sociedade, concluiremos que não se trata apenas da questão do desemprego, mas da miséria mental que tolheu as chamadas forças vivas que mantêm de pé uma Nação!
Entretanto, nós, fechados na nossa concha, continuaremos a caminhar nas ruas das nossas cidades a olhar pessoas com olhos de fome a bater nas portas da esperança, mas a esperança a tornar-se cada vez mais ténue e os anos a passar e tornarem-se tempo de traição!
Até quando?
http://salpicos.blogs.sapo.pt/arquivo/sant-cacem5.jpg
Haverá por aí um buraco por onde possa entrar a esperança dessa gente?
Conheço um rapaz saudável. Tem brio no seu ego e procura agradar a todos. A vida era dura, mas ele procurou um bom porto. Arranjou emprego em contabilidade numa empresa e aí, a trabalhar de dia e a estudar à noite, tirou o seu curso de engenharia informática. Fez-se ao “mar”, como o voo de uma gaivota que se manteve algum tempo por terra, e arranjou novo emprego numa empresa onde os sonhos, mesmo que imaginários, se expandiam. Uma empresa americana, uma empresa com futuro, pensava-se, uma empresa que o atirava para Madrid, para Telavive, para N. York ... para ... o mundo!
Mas as coisas correram mal! De repente, a maioria deles são deitados porta fora como se de sacos de plástico cheios de lixo se tratasse. Fundo de Desemprego, uma ligeira indemnização e sonhos que se esvaíram!
Compra de casa, de carro novo, ... enfim, a vida melhorou de repente, mas mais de repente ainda, abriram-se debaixo dos seus pés, as portas do Inferno.
Este é um dos vários casos que eu conheço. Mas mais ainda, por aqui e por ali, neste nosso mundo virtual, eu ouço (lendo) muitos dos nossos jovens licenciados, com mestrado, etç, tentarem viver a vida sonhando, mas no meio dos seus sonhos, vão dizendo que estão desempregados! O desemprego dos jovens não deveria ser uma calamidade, mas é! Infelizmente é!
Por isso, eu tento ouvi-los, não para os compreender, mas para compreender melhor o que os espera. Isto são os nossos jovens licenciados, 40.000 diz o primeiro ministro, mais, dizem outros. Mas há mais jovens no desemprego e este já não é só a praga da nossa sociedade moderna, mas mais parece uma das portas do Inferno que nos aguarda a todos. Se um dia o pleno emprego voltar, os males até então causados já serão tão grandes que deixará a sociedade cheia de chagas. Tal como numa das velhas leprosarias de tempos idos.
Escolhi falar dos jovens, que já dói muito, mas se falarmos dos pais que viram desaparecer de repente o pão dos seus filhos, ainda dói mais! E dói mais ainda porque não nos parece esporádico o que se está a passar. Acho que o nosso país está enfermo de uma doença terrível! Uma doença que o mina há muitos anos. Se analisarmos profundamente os males que esventram a nossa sociedade, concluiremos que não se trata apenas da questão do desemprego, mas da miséria mental que tolheu as chamadas forças vivas que mantêm de pé uma Nação!
Entretanto, nós, fechados na nossa concha, continuaremos a caminhar nas ruas das nossas cidades a olhar pessoas com olhos de fome a bater nas portas da esperança, mas a esperança a tornar-se cada vez mais ténue e os anos a passar e tornarem-se tempo de traição!
Até quando?
http://salpicos.blogs.sapo.pt/arquivo/sant-cacem5.jpg
Haverá por aí um buraco por onde possa entrar a esperança dessa gente?
