Mohandas
09-02-2004, 16:38
Neste espaço podem colocar as vossas dúvidas de Português (e não só), que procurarei esclarecer no mais curto espaço de tempo e com a maior clareza possível.
Disponham e não se acanhem.
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ConsultórioMohandas 09-02-2004, 16:38 Neste espaço podem colocar as vossas dúvidas de Português (e não só), que procurarei esclarecer no mais curto espaço de tempo e com a maior clareza possível. Disponham e não se acanhem. Mohandas 09-02-2004, 16:44 Por exemplo: o vício de pronúncia que consiste em trocar o "l" por outra letra (por "u", a maior parte das vezes - "Uauande" em vez de "Lalande") chama-se PARALAMBDACISMO. Porém, a troca do "r" pelo "l", no caso, mais glosado, dos chineses ("patlão" em vez de "patrão" ou "sulplesa" em vez de "surpresa") chama-se apenas LAMBDACISMO. Vem do Grego lambdakismós e tem origem no nome da décima primeira letra do alfabeto grego (lambda) que corresponde ao nosso "l". Karl Marx 09-02-2004, 17:38 Que bem que sabe ler o Moh cheio de energia! (Desculpa lá o "yes", foi a mangar) Mangar? Que é isso? Mohandas 09-02-2004, 18:24 Mangar 1, [pop] fazer troça de, escarnecer, motejar. Mangar 2, [regionalismo] enfiar o cabo na ferramenta Está dicionarizado. Tens é que dizer a que te referes. :D O curioso é que a primeira definição, segundo o dicionário, tem origem no cigano (romeno?) mangar = mendigar (??) E "yes" é inglês... não tenho nada contra (quase todos) eles. :rolleyes: Helena 11-02-2004, 18:30 qual a definicao de patria??? Thank you!:D Mohandas 11-02-2004, 19:14 Ora aí está o meu primeiro "cliente"... :D Pátria, s.f. país em que cada um nasceu e de que é cidadão; lugar onde cada um nasce (Do lat. patria). Fraquito, não? Para aquilo que se pretendia. :rolleyes: Helena 11-02-2004, 19:39 era de esperar uma coisa mais......."patriotica":rolleyes: :rolleyes: thanks! Helena 11-02-2004, 20:34 bem????? diz-se apatrida uma pessoa que se sente sem patria????:rolleyes: Mohandas 11-02-2004, 22:35 Não, Helena. Quando muito "desiludida"... :) Apátrida é uma pessoa que nunca teve nacionalidade (não sei como é que, juridicamente, isto é possível?) ou que, por qualquer motivo, perdeu a nacionalidade legal. Para quem se sente sem pátria, acho que não existe termo. Helena 12-02-2004, 16:22 Devo ser a unica cliente....vais ir a falencia.......;) ;) Helena 13-02-2004, 12:02 Embora eu saiba o que significam...precisava de saber o que o dicionario diz....... 1. Provocacao 2. Repto Thanks Moh!!!!!!!!!!!!!!:D :D Blue 13-02-2004, 12:22 A palavra repto esteve muito na moda há um tempo atrás, entre os políticos. Agora usam e abusam da palavra matéria :rolleyes: , devem ter iso buscar ao "issue" americano. Moh, peço desculpa, pode continuar. ;) Houdini 13-02-2004, 12:46 Moh... já agora meto a minha colherada: qual é a utilização correcta do há e do à? Helena 13-02-2004, 13:00 Originally posted by Houdini Moh... já agora meto a minha colherada: qual é a utilização correcta do há e do à? Houdini.....ainda bem que fazes esta pergunta...tem tudo a ver com o verbo...mas faco sempre muita confusao.....vamos esperar pelo Teacher;) ;) ;) Blue......eu pensava que repto seria como se desse a chance a alguem para "mostrar o que vale" tipo desafio??????:confused: :confused: Blue 13-02-2004, 16:51 Sim, Helena é isso mesmo. Lançar um repto a alguém é uma espécie de desafio. Eu falei da "matéria" apenas porque os políticos de vez em quando embirram com uma palavra e usam-na até à exaustão. Houdini = Cali 2 ??? :rolleyes: ;) Mystic 13-02-2004, 18:11 Enfim, não quero antecipar-me ao professor, mas um nada tem a ver com o outro. "há" é uma forma do verbo "haver", na 3ª pessoa do singular. Ex. Aqui há gato! (existe ...); há dez dias... "à" é a contracção da preposição "a" com o artigo definido feminino "a". Ex. Eu fui a + a casa dela = Eu fui à casa dela. Se o artigo definido for masculino a contracção é "ao". Ex. Eu fui a + o cinema = eu fui ao cinema. Mohandas 13-02-2004, 19:55 Provocação, s.f. acto ou efeito de provocar; desafio; repto; insulto, tentação, incitação, aliciação (do latim provocatione) Repto, s.m. reptação, desafio, emprazamento (derivado regressivo de reptar). Quanto ao à e ao há, e após a excelente explicação da Mystic, só tenho a acrescentar, para uma melhor memorização: Existe a palavra à mas há existe também quando é tempo é com h quando é lugar não o tem Havia um ali perto é muito bom português mas continua a estar certo se em vez de um havia três Cali 13-02-2004, 20:40 Não percebi essa piada do "Cali 2" ó Blue ! :mad: O que eu troco ou elimino são os acentos. Se me falTa algum "H" no "Á" é por causa da pressa. É que agora vai tudo a 200 á hora (repara, sem H !)...:o QUERO FELICITAR O MOHANDAS PELO SEU FELIZ REGRESSO AO ACTIVO ! ESTE CONSULTÓRIO MERECIA OUTRO DESTAQUE, EMBORA PERCEBA QUE A MAIORIA DAS PESSOAS ESTÁ MAIS INTERESSADA EM SABER COMO SE ESCREVE "MULTIMILIARDÁRIO" EM NOTAS DE EURO...:D Helena 13-02-2004, 20:45 Ta bem???? Ha muito que nao te via amigo mas a vida e mesmo assim a que tirar partido do dia a dia e esperar que venha o fim.........:p :p :rolleyes: :rolleyes: Cali 13-02-2004, 20:50 Aproveito para te deixar aqui alguns desafios, Moh : - A legitimidade ou não do termo "selada" para identificar a salada (é um regionalismo) - A legitimidade ou não do termo "engives" para identificar as "gengivas" - A origem e significado do termo "garbanços" - Idem para os "Chícharos" - Idem para as "Casulas" - O que se passa com os "Rojões" que em certos sitios se tornam "Rijões" ? - Quem foi o Vila-Diogo ? E porque é que se diz "Dar ás de vila-diogo" ? - "Freixo-de-Espada-á-Cinta" porquê ? Porque que raio uma arvore há-de andar de espada ? E na cinta ? Quem disse que as arvores tem cinta? Pronto... já tens com que te entreter. Mohandas 13-02-2004, 20:53 Como já disse por aqui, algumas vezes, essa da pressa não é desculpa, até porque 200 à hora é sem h. Dá tanto trabalho escrever bem como escrever errado! Quanto ao resto já te respondo... :rolleyes: Mystic 13-02-2004, 21:09 ... especialmente úteis no que se refere à danada da forma impessoal. Cali 13-02-2004, 21:14 esse teu acento faz toda a diferença, moh, quando se escreve á pressa. o "teu" À , obriga-me a carregar no shift para o fazer. O "meu" Á, não precisa de shift. essa é a principal razão, pá ! ;) Mohandas 13-02-2004, 21:44 “Selada” não é regionalismo nenhum. Pelo menos de que eu tenha conhecimento. É tão-só uma maneira errada de dizer “salada”. Inclusivamente porque está dicionarizado o termo “selada”, que é s.f. ponto onde quebra a lombada do monte; depressão oblonga numa montanha. Do mesmo modo está dicionarizado o termo “celada”, que é s.f. antiga armadura defensiva da cabeça; moeda do tempo do rei português D. Fernando 1345-1383. “Engiva” (e não “engives”) está dicionarizado como termo popular para gengiva. O plural será, logicamente “engivas”. “Garbanço” só encontrei como termo mirandês para grão-de-bico. É a isto que te referias? Para “chícharo encontrei como definição (s.m.) designação extensiva a umas plantas da família das Leguminosas, espontâneas ou cultivadas em Portugal; feijão-frade; o fruto destas plantas. Ou estarias a referir-te a “chicharro”, (s.m.) o mesmo que carapau grande (de origem obscura)? “Casula” tem duas definições. 1. s.f. veste litúrgica que o sacerdote usa sobre a alva e a estola na celebração da missa. 2. s.f. espécie de caldeirinha que os marnotos fazem nas salinas. Não sei se em certos sítios os “rojões” se tornam “rijões”, mas o que é certo é que existem as duas coisas. É que “rojões” é uma coisa: Rojões Ingredientes: 1 kg de carne limpa de porco Sal Pimenta em grão 1 folha de loureiro 1 colher de sobremesa de cominhos Algumas hastes de salsa 1 copo grande de vinho branco de boa qualidade 2 colheres de sopa de banha 750 gr de batatinhas Preparação: Corte a carne em pequenos cubos e tempere com sal, pimenta acabada de moer, louro sem veio interior, cominhos e salsa aos pedaços. Cubra com vinho branco e misture. Tape no recipiente e deixe no frigorífico por 4-5 horas. Leve ao lume numa frigideira com banha. Quando aquecer, junte os pedaços de carne marinada. Cozinhe em lume vivo até o vinho evaporar e depois frite a carne na gordura que restar até dourar uniformemente. Entretanto, coza as batatinhas em água com sal. Escorra-as e salteie-as em azeite até dourarem e junte-as, escorridas, à carne. Se desejar, acompanhe com o sangue temperado e frito. E “rijão” ou “rojão” é outra. Rijão, O mesmo que rojão, torresmos de porco. Rijar ou Rojar , o mesmo que frigir ou fritar. Ex. rijar um bocado de toucinho. Para “dar às de Vila Diogo, a resposta fundamenta-se no que dizem Gomes Monteiro e Costa Leão no livro «A Vida Misteriosa das Palavras», Portugália Editora, Lisboa, 1944. Este dizer significa «fugir precipitadamente». Foi Gonçalves Viana quem primeiramente estudou esta frase nas «Apostilas aos Dicionários Portugueses». Diz o seguinte: «A frase deve ser castelhana, e ter vindo para cá juntamente com outras, nos tempos em que essa língua era tão familiar em Portugal, que os nossos escritores nela compunham prosas e versos (...).» O referido livro menciona o Dicionário da Academia Espanhola. Diz ele na entrada «Villadiego»: «coger, o tomar las de Villadiego, fr. fig. Ausentar-se impensadamente, de ordinario por huir de un riesgo o compromisso.» Porém o «Diccionario de Uso del Español» de Marta Moliner é um pouco mais claro. Na entrada «Villadiego», diz: «coger [tomar] las de Villadiego. Por alusión a las alforjas que se fabricaban em esta población, marcharse de un sitio precipitadamente ó huyendo.» Note-se, até, que em Portugal não existe nenhum topónimo Vila Diogo. Sei, porém, que há quem refira “dar ares de Vila-Diogo”, mas acho que já é uma deturpação da expressão correcta. Finalmente, na obra Portugal – Dicionário Histórico, Corográfico, Biográfico, Bibliográfico, Heráldico, Numismático e Artístico (1904–1915), apresentam-se duas explicações para a origem do nome desta vila transmontana. Refere-se aí que João de Barros, nas suas Antiguidades de Entre Douro e Minho, lhe dá por fundador um fidalgo de apelido Feijão, primo de S. Rosendo, fidalgo esse que morreu em 977 e que tinha por armas uns freixos e uma espada, tendo estes dado o nome e as armas à vila. Por outro lado, segundo a tradição, um capitão godo, de nome Espadacinta, chegando àquele sítio, cansado de uma batalha e deitando-se à sombra de um grande freixo que ali havia, deu à árvore o nome de freixo de espada à cinta, o qual passou à povoação que ali se começou a fundar pouco depois, povoação essa que, em memória desse facto, tomou por brasão o freixo e a espada em campo de púrpura. No início do século XVIII, ainda se via junto da igreja matriz da vila um freixo colossal, cercado de assentos de pedra, que merecia grande estima aos habitantes, por o considerarem o mesmo freixo da lenda. Na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira apresenta-se uma terceira explicação para o nome da vila, referindo-se que o rei D. Dinis, que fez edificar o castelo (em 1310), honrou a vila com a sua presença e aí pendurou a sua espada num freixo, que ainda hoje se conserva, por memória, vindo daí o nome da vila. Na obra Portugal Passo a Passo: Trás-os-Montes e Alto Douro acrescenta-se que a corte estava junto do rei observando um majestoso pôr-do-sol (majestoso por razões óbvias) e, antes que partissem de novo, um dos imaginativos trovadores que acompanhavam sempre o nosso rei-poeta lembrou que o freixo, a contra-luz, tinha uma forma singular: “Parece mesmo um freixo de espada à cinta!” O nome ficou. O freixo também ainda lá está, dizem, junto ao castelo. Blue 13-02-2004, 22:05 Este Cali é mesmo um pantomimeiro ... e o Moh já explicou o significado desta ... :rolleyes: Com que então só falhas os acentos, não esperas pela demora. eheheh. Helena, falhaste num verso: a que tirar partido do dia a dia há que tirar partido do dia a dia ;) |
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