Óscar
01-03-2004, 18:35
Chefes Militares Britânicos Não Queriam Guerra no Iraque
Segunda-feira, 01 de Março de 2004
Poucos dias antes de começar a guerra contra o Iraque, os chefes do Exército britânico recusaram-se a participar nas operações por duvidarem da sua legalidade, noticiou ontem o semanário londrino "The Observer".
A revelação, absolutamente inédita, foi feita na sequência do processo de Katharine Gun, tradutora dos serviços secretos, que na semana passada foi ilibada de violação do Acto dos Segredos Oficiais pelo Procurador-Geral, Lorde Goldsmith. Ficou também a saber-se que Goldsmith foi obrigado a fazer uma nova redacção do seu parecer jurídico a o primeiro-ministro,Tony Blair, de forma a dar uma garantia "inequívoca" às forças armadas de que o conflito não seria ilegal, adiantou o jornal.
No fim de Janeiro, o procurador escreveu a Blair manifestando as suas preocupações de que a guerra destinada a derrubar Saddam Hussein poderia ser ilegal sem um segundo mandato das Nações Unidas. Deputados da oposição acusam agora Goldsmith de ter cedido à pressão política do chefe do Governo, de forma a alterar o seu parecer jurídico nas vésperas da ofensiva.
Os chefes militares não quiseram dar ordem de partida aos seus soldados já estacionados no Kuwait antes de terem garantias absolutas de que não iriam a tribunal por crimes de guerra caso o fizessem. Cerca de dez dias depois de essas dúvidas terem sido levantadas, os EUA e o Reino Unido lançaram os bombardeamentos.
Um dos responsáveis que levantou a questão aos altos membros do Executivo foi Michael Boyce, então chefe do Estado-Maior das Forças Armadas. Boyce exigiu uma declaração inequívoca de que a invasão do Iraque era legal. E foi só depois do último parecer de Goldsmith que Boyce aceitou dar a sua aprovação. Sem este parecer, adianta o "Observer", era provável que os chefes militares britânicos se tivessem recusado a avançar.
A história acabou por ser conhecida porque os advogados de Katherine Gun - ex-tradutora de mandarim nos serviços de informação que divulgou um e-mail com um memorando secreto americano a pedir aos agentes britânicos que fizessem escutas a delegados do Conselho de Segurança da ONU - exigiram os documentos relacionados com o parecer jurídico do procurador, incluindo as suas comunicações com o primeiro-ministro.
A decisão de abandonar o caso contra Gun foi justificada com "falta de provas". Mas o diário "The Guardian" teve conhecimento logo na altura de que o que estava em causa era a possibilidade de virem a público provas de que a legalidade da guerra tinha sido questionada.
Segunda-feira, 01 de Março de 2004
Poucos dias antes de começar a guerra contra o Iraque, os chefes do Exército britânico recusaram-se a participar nas operações por duvidarem da sua legalidade, noticiou ontem o semanário londrino "The Observer".
A revelação, absolutamente inédita, foi feita na sequência do processo de Katharine Gun, tradutora dos serviços secretos, que na semana passada foi ilibada de violação do Acto dos Segredos Oficiais pelo Procurador-Geral, Lorde Goldsmith. Ficou também a saber-se que Goldsmith foi obrigado a fazer uma nova redacção do seu parecer jurídico a o primeiro-ministro,Tony Blair, de forma a dar uma garantia "inequívoca" às forças armadas de que o conflito não seria ilegal, adiantou o jornal.
No fim de Janeiro, o procurador escreveu a Blair manifestando as suas preocupações de que a guerra destinada a derrubar Saddam Hussein poderia ser ilegal sem um segundo mandato das Nações Unidas. Deputados da oposição acusam agora Goldsmith de ter cedido à pressão política do chefe do Governo, de forma a alterar o seu parecer jurídico nas vésperas da ofensiva.
Os chefes militares não quiseram dar ordem de partida aos seus soldados já estacionados no Kuwait antes de terem garantias absolutas de que não iriam a tribunal por crimes de guerra caso o fizessem. Cerca de dez dias depois de essas dúvidas terem sido levantadas, os EUA e o Reino Unido lançaram os bombardeamentos.
Um dos responsáveis que levantou a questão aos altos membros do Executivo foi Michael Boyce, então chefe do Estado-Maior das Forças Armadas. Boyce exigiu uma declaração inequívoca de que a invasão do Iraque era legal. E foi só depois do último parecer de Goldsmith que Boyce aceitou dar a sua aprovação. Sem este parecer, adianta o "Observer", era provável que os chefes militares britânicos se tivessem recusado a avançar.
A história acabou por ser conhecida porque os advogados de Katherine Gun - ex-tradutora de mandarim nos serviços de informação que divulgou um e-mail com um memorando secreto americano a pedir aos agentes britânicos que fizessem escutas a delegados do Conselho de Segurança da ONU - exigiram os documentos relacionados com o parecer jurídico do procurador, incluindo as suas comunicações com o primeiro-ministro.
A decisão de abandonar o caso contra Gun foi justificada com "falta de provas". Mas o diário "The Guardian" teve conhecimento logo na altura de que o que estava em causa era a possibilidade de virem a público provas de que a legalidade da guerra tinha sido questionada.
