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Empresas Americanas Fazem Fortunas no Iraque e no Afeganistão

Óscar
29-03-2004, 09:48
Os negócios que se seguem à guerra denunciados por organização não governamental

Segunda-feira, 29 de Março de 2004

Contratos ascendem a oito mil milhões de dólares em dois anos e privilegiam empresas com ligações políticas à administração Bush

José Manuel Rocha

Depois da guerra, avança para o Médio Oriente a milionária indústria da reconstrução e os "negócios da paz" são tentadores. Oito mil milhões de dólares foi quanto sete dezenas de companhias norte-americanas ganharam em contratos, nos últimos dois anos, para realizarem trabalhos da mais diversa índole no Afeganistão e no Iraque. A soma equivale a 6,5 mil milhões de euros, o que dá cerca de cinco por cento do Produto Interno Bruto português. Do total apurado, 5,7 mil milhões de dólares dizem respeito a contratos para o Iraque e 2,3 mil milhões são oriundos de trabalhos no Afeganistão.

O número foi obtido através de uma investigação realizada por uma organização não governamental norte-americana - The Center for Public Integrity (CPI) - que tem sede em Washington. Criada em 1990, esta instituição de vigilância cívica já produziu 250 investigações e publicou 12 livros. Vive de contribuições individuais e de fundações essencialmente norte-americanas.

No prefácio do trabalho "Windfalls of War", Charles Lewis, director-executivo do centro, afirma que o montante apurado de contratos firmados para o Afeganistão e o Iraque é "conservador", porque o acesso à informação não tem um caminho fácil e não existe, em nenhum organismo público, uma listagem oficial das adjudicações realizadas. Os colaboradores do CPI depararam-se, assinala Lewis, com grandes dificuldades para coligir informação, porque muitos dos organismos contactados recusavam fornecer dados e outros diziam que os contratos ainda não estavam encerrados.

À frente do "ranking" de contratações, situadas entre o início de 2002 e o final do ano passado, o CPI coloca a Kellogg, Brown and Root, o ramo "post-war" da famosa Halliburton, a sociedade que era liderada pelo actual vice-presidente norte-americano - Dick Cheney abandonou o cargo quando aceitou o convite de George W. Bush para entrar com ele na corrida à Casa Branca. Entre as empreitadas no Afeganistão e no Iraque, a Kellogg já leva contratos que somam a milionária soma de 2,6 mil milhões de dólares, pouco mais de 2,1 mil milhões de euros. Seguem-se a Bechtel Group, com contratos no valor de mil milhões de euros, e a International American Products, que fica pelos 500 milhões de dólares (cerca de 407 milhões de euros).

Das traduções à agricultura
Os contratos radicam em especialidades da mais diversa índole. Tanto podem passar pelo fornecimento de rações de combate para os militares, como estarem direccionados para a reconstrução do sistema de produção e distribuição de energia eléctrica. Há ainda casos de empresas que foram contratadas para fornecer tradutores que apoiem os militares no contacto com as populações e de sociedades que foram chamadas para abrir canais de rega, no Afeganistão, e darem apoio ao desenvolvimento do sector agrícola. A construção da embaixada dos Estados Unidos da América em Cabul também faz parte da lista.

O Center for Public Integrity afirma que 60 por cento das companhias que ganharam contratos para os dois países têm fortes ligações a sectores diversos da administração norte-americana. À frente deste elenco surge a Halliburton, onde trabalhou o actual vice-presidente Cheney. Mas há outras, com significativa carteira de encomendas no Afeganistão e no Iraque, onde as ligações políticas também saltam aos olhos. Na Betchel, por exemplo, pontificou durante vários George Schultz, que chegou a ser secretário de Estado de Ronald Reagan. De acordo com o CPI, em 1983, Schultz nomeou Donald Rumsfeld (actual secretário da Defesa na administração Bush) para advogar junto de Saddam Hussein a construção de um oleoduto que ligasse as explorações petrolíferas iraquianas ao porto jordano de Aqaba. O centro refere, também, o caso da Perini, uma empresa cujo proprietário é casado com uma senadora democrata e que já tem contratos no valor de mais de 500 milhões de dólares.

iin Público

costarios
29-03-2004, 13:30
E alguém ainda duvida que estas guerras foram incentivadas mais pelo poder econômico do que pelos ataques terroristas de 11 de Setembro?

Algumas fontes alegam que o ataque ao Iraque já estava planeado antes mesmo da América ser atacada!

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