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O SOBRADO, UMA ÁREA NOBRE DA NATUREZA

manel
27-04-2003, 16:03
O Sobreiro

A estreita e ancestral ligação do Homem com o Sobreiro não se esgota nos domínios económico-social e ambiental pois tem igualmente reflexos no domínio da história e da cultura.

O Sobreiro tem presença, como fonte de inspiração na nossa literatura, na pintura, na arquitectura, na azulejaria, na tapeçaria, na fotografia e no artesanato, por exemplo. (a árvore, o montado, as fainas do montado, a madeira do sobro, a bolota, a cortiça)

Pintura

Muitos foram e continuam a ser os artistas plásticos que incluíram o sobreiro, o montado e as actividades a eles ligadas nas suas obras. Como elemento da paisagem ou com honras de motivo principal, vamos encontrá-lo em muitos museus, colecções particulares, recintos públicos e também na Internet.

Arquitectura

Destaca-se sobretudo a sua influência nos monumentos religiosos onde os motivos assumem a forma de folhas, bolotas, bóias e cabos, mas também como ornamento em túmulos, jardins, altares, claustros, etc.

Um dos exemplos é a janela da Casa do Capítulo do Convento de Cristo em Tomar, onde se visualizam diversas bóias de cortiça.

Azulejaria

O tema suberícola da bolota e às paisagens e fainas do montado, foi utilizado com frequência na cerâmica do século XIX e também na da actualidade.

Artesanato

O Sobreiro contribuiu não só como tema e fonte de inspiração mas também com a sua madeira e principalmente a cortiça. Esta assumiu-se juntamente com a madeira e o chifre, como uma das matérias-primas da arte camponesa e pastoril, sendo utilizada no fabrico de tropeços (bancos), tarros e canados (para transportar e guardar leite e comida), coxos (para beber) e ainda brinquedos, barcos, presépios e miniaturas.

Poesia

Também aos poetas, o sobreiro serviu de fonte de inspiração, sendo frequentes os poemas alusivos a este e à matéria prima que dele resulta.

Toponímia

A análise da abundante toponímia relacionada com o Sobreiro – Sobreiro, Sobreira, Sobreirinho, Sobreiral, Sobral, Sobralinho, Sobral de Monte Agraço, Cortiçada, Corticeiro, Cortiços, etc. – revela-nos a presença do Sobreiro em praticamente todo o território.

A toponímia vem associar-se assim à existência de alguns exemplares isolados que hoje encontramos, para nos levar a admitir uma distribuição antiga do Sobreiro em Portugal mais vasta, ou pelo menos bem diferente da actual. (Amorim Girão).

Legislação Suberícola

A importância do Sobreiro é também retratada pela antiguidade e diversidade da legislação promulgada para a sua protecção, adequada exploração e fomento.

Remonta ao século XIII a legislação mais antiga que se conhece, quase tão antiga como a fundação da nossa nacionalidade. "Todo ome que sacudir arcina ou alcornoque con vara peyte I morabitino." (D. Sancho I – 1209)
Ao longo dos séculos foi sendo regularmente promulgada nova legislação de protecção e fomento. Nos dias de hoje existe um sólido quadro legislativo de protecção do Sobreiro, definindo regras para a sua adequada cultura (podas e descortiçamento) e para a valorização da cortiça.

Desde sempre o Sobreiro teve grande importância para o Homem: o fruto, a sombra, a madeira, a lenha e a cortiça.

Se a cortiça é hoje o seu bem directo de maior valor, nem sempre foi assim. Tempos houve em que assumiu importância determinante a bolota na engorda de animais, nomeadamente do porco de montanheira.

A sua madeira foi essencial na construção naval da época das conquistas e descobertas com a utilização na ossatura dos navios, por ser dura, forte e resistente. A sua madeira e lenha foram também importantes fontes de energia quer directamente, quer pela transformação em carvão, dado o seu elevadíssimo valor calorífico.

A Importância da Cortiça

Portugal é lider mundial no que respeita à cortiça:

-1º produtor mundial
-1º transformador
-1º exportador

A fileira da cortiça tem, em Portugal, uma enorme importância estratégica tanto em termos económicos, como sociais e ambientais.

Pelas suas características:
- baixa densidade
- flutuabilidade
- elasticidade
- compressibilidade
a cortiça é:
- um excelente vedante
- um excelente isolador térmico
- um excelente isolador acústico
- resistente ao desgaste
- impermeável aos gases e líquidos
possuindo aplicações em diversas indústrias:

- vedação
- construção civil
- calçado
- frio
- naval
- embalagens
- maquinas
- artesanato
- etc.

Alguns dados sobre a cortiça:

Produção média anual de 162 mil toneladas (+ de 50% da produção mundial)
Transformação média anual de 150 mil toneladas, das quais exporta cerca de 120 mil toneladas;

Portugal transforma cerca de 70% da produção mundial incluindo uma significativa percentagem da cortiça espanhola.

Cerca de 600 estabelecimentos industriais corticeiros em actividade, dos quais 70% se encontram concentrados no concelho de Stª Mª da Feira, Lourosa, Stª Mª Lamas, Paços de Brandão, Mozelos e Fiães.

Portugal é responsável por cerca de 9000 postos de trabalho durante 5 meses a nível da produção, e mais de 13 mil postos de trabalho a nível da indústria.

A cortiça é exportada para cerca de 100 países, em particular para os da União Europeia e para os Estados Unidos da América;
A rolha de cortiça natural representa 59% do valor total de exportação de manufacturas de cortiça.

Sobreiro = Quercus Suber L.

O Sobreiro é também conhecido por chaparro quando jovem ou por sobro quando conduzido em montado.

Distribuição do Sobreiro no Mundo

As condições climáticas favoráveis ao Sobreiro situam-se na Região Mediterrânea Ocidental, onde a influência Atlântica corrige as grandes amplitudes térmicas e a elevada aridez do Verão.

O Sobreiro ocupa essencialmente a faixa litoral da parte ocidental do Mediterrâneo e ainda uma área atlântica que inclui parte das Landes, a vertente atlântica da Penísula Ibérica e parte de Marrocos.

Distribuição
%
do Sobreiro Portugal – 30%
Argélia – 21%
Espanha – 20%
Marrocos – 16%
França – 5%
Itália – 4%
Tunísia – 4%

O Sobreiro remonta aos finais do Miocénico, com expansão a partir do Pliocénico e a sua área foi reflectindo as diversas modificações sofridas pelo clima ao longo das eras geológicas. Essa área é hoje, por efeito das alterações climáticas e da acção do homem, menor do que foi em tempos recuados .

O Sobreiro em Portugal

O Sobreiro encontra no território português as condições ideais ao seu desenvolvimento ocupando actualmente uma área de cerca de 720 mil hectares (21,5% da área florestal).

Portugal é o país do mundo em que o Sobreiro ocupa maior área, correspondendo-lhe cerca de 30% da área mundial da espécie.
O Sobreiro é a segunda espécie florestal mais representada no nosso país, a seguir ao pinheiro bravo, localizando-se os seus principais povoamentos no Sul do país (os Distritos de Évora, Setúbal, Portalegre, Beja, Santarém e Faro concentram 94% da sua área).

É contudo possível encontrar Sobreiros em quase todo o país.
A actual distribuição do Sobreiro em Portugal resulta para, além das condições edáfo-climáticas, de um longo processo histórico influenciado por factores como a demografia, o desenvolvimento da agricultura e do pastoreio, a utilização da sua madeira na construção naval, a localização no sul das grandes coutadas reais, as campanhas cerealíferas ou a extraordinária valorização da cortiça como vedante a partir do século XVIII.
Entre o século XV e o século XX, o Sobreiro deixou de estar distribuido por todo o país, passando a concentrar-se nas bacias do Tejo e do Sado.

Caracterização Botânica

Árvore monóica, perenifolia da família das Fagaceas e do género Quercus, de 10 – 15 (-20) m de altura e 4 – 5 m de altura de DAP (diâmetro a 1,30m do solo), de copa ampla e pouco densa.

Tronco ramificado em grossas pernadas e revestido dum ritidoma espesso e fendido, a cortiça. Folhas (caducando na Primavera do segundo ano) coriaceas, remotamente serrado-denticuladas, verde-escuras e glabrescentes na página superior e esbranquiçadas e estrelado-tomentosas na inferior. Flores masculinas e femininas dispostas em cachos espiciformes; floração quase todo o ano, sendo a época principal Abril a Julho.
Fruto, uma glande, vulgarmente designado bolota, tem várias épocas de frutificação; a primeira, bastão, amadurece em Setembro – Outubro; a segunda, lande, geralmente a mais abundante, amadurece em Novembro – Dezembro e a última, landisco é constituída por frutos pequenos e de maturação imperfeita.

É uma espécie de crescimento lento e de grande longevidade, podendo atingir os 300 anos ou mais.

Ecologia

Característico das zonas de clima mediterrâneo, é porém exigente em humidade atmosférica. As áreas de prosperidade da espécie podem considerar-se compreendidas entre os 600 – 800 mm de pluviosidade média anual. No entanto a sua tolerância relativamente a este factor leva-o ao Noroeste do país com uma pluviosidade média anual próxima dos 2 000 mm.

Se a pluviosidade desce a 400 mm o Sobreiro entra em regressão.
Quanto à temperatura, são limitantes os valores mínimos de Inverno inferiores a -5ºC, que apenas se verificam nas montanhas do Norte do país.

Relativamente à altitude, os montados de sobro têm o seu melhor desenvolvimento a níveis inferiores a 200m.

Porém, encontram-se montados a 600 – 700 m e até mesmo a 800 – 900 m na Serra do Gerês. Suporta qualquer tipo de solos à excepção dos calcários compactos.
"nenhuma outra árvore dá mais, exigindo tão pouco"
Vieira Natividade.

A sua excelente adaptação às nossas condições edafo-climáticas e a sua gestão numa óptica de uso multiplo fazem do Sobreiro umas espécie de eleição no nosso país, no combate à desertificação física e humana e na sua valorização económico-social, ambiental, paisagística e cultural.

A progressiva artificialização a que o montado tem sido sujeito, a par de uma exploração intensiva e desregrada e condições climatéricas desfavoráveis tem tido em alguns casos consequências negativas na sua saúde e vitalidade, que importa corrigir.

Os montados têm um elevado valor conservacionista, abrigando uma rica e diversificada flora e fauna, nomeadamente das espécies cinegéticas.

Quer os Sobreiros isolados quer os montados de sobro, têm um elevado valor paisagístico.

Muitos Sobreiros atingem grande porte e longevidade constituindo verdadeiros "Monumentos da Natureza" encontrando-se alguns classificados como "Árvores de Interesse Público" existindo, no entanto, muitos outros exemplares em condições de o serem.

P.S. Muito mais haveria para dizer, a um tão precioso bem da natureza.


PARA O MELHOR VINHO DO MUNDO, O MELHOR E MAIS NATURAL VEDANTE DA NATUREZA; A ROLHA DE CORTIÇA.

jleandro
27-04-2003, 17:45
manel

tu c ertamente saberás responder se é ou não verdade que o nosso montado de sobreiros, especialemnte no Alentejo está em risco, com vários problemas de "saúde" das àrvores.

já várias vezes ouvo falar disto e nunca ouvi ninguém referir se pensam ou estão a fazer alguma coisa para resolver o problema.

manel
27-04-2003, 20:48
Caro JL, é verdade o que tu falas sim senhor.

Mas o maior risco do sobrado português, e nomeadamente no sul (Alentejo e Algarve), é o abate destas árvores, e não haver a preocupação de se fazer novas plantações, já não digo para aumentar o número de sobreiros que era bem preciso, tendo em conta que é uma árvore que leva muitos anos a darem o fruto (cortiça) ao homem, mas pelo menos não se assistir a um elevado decréscimo do sobrado.

As estradas são necessárias, mas haverão alternativas a estes verdadeiros crimes à natureza. Trata-se de uma matéria que sob o ponto de vista quer ambiental, quer económico, quer até ecológico, é por demais importante para a minha região e não só como também para o país.

A cortiça é o pão nosso de cada dia para milhares de familias, e para a nossa autarquia, que vive muito à custa dos elevados impostos que lhes pagamos todos os anos, directa e indirectamente (isto já me foi dito por um vereador).

Olha JL, paises hão, que esperam o enfraquecimento nesta indústria para galoparem sobre o nosso ainda poderiu. Pois somos lideres em transformação, produção, mas o melhor é na qualidade da cortiça extraída do sobreiro, que isso sim, a natureza não deixa que mais nenhuma se compare com a nossa.

Mas os espanhois estão aí à espreita, aliás como fazem nos variados sectores da nossa ecónomia.

Como sabes o rei da cortiça é o grupo Amorim, mas agora o grupo já não é o que era, pelo menos neste sector, então é só ver caras novas entrarem para o grupo, e logo aquele poder de se manter aqui e português, facilmente se troca por participações noutro lado qualquer. Sabes acontecem coisas na cortiça muito esquesitas que noutros tempos não aconteciam, e isso não é nada bom, nem fácil de se compreender.

Enfim politicas novas, de gerências novas, que nem por isso se traduzem em melhores ideias, caso para se dizer, que " A TRADIÇÃO JÁ NÃO É O QUE ERA".

Um abraço.

Caravela
27-04-2003, 22:02
Parabéns e um grande abraço,em teres mostrado a todos nós ,a História de uma Árvore,que é uma grande fatia da nossa História política e Económica.


E continuará sendo parte fundamental da vida dos Portugueses,
pela geração de riqueza que ainda é bastante importante!!!




Obrigado e até .....

Ventor
29-05-2003, 23:50
O Sobreiro tal como o vejo.
Sobre o balanço técnico-industrial já o Manel colocou aqui tudo de essencial. Eu vou-vos falar dos "meus montados"! Aqueles que alcanço com a vista e enquadro numa indiscrição de beleza por todo o lado, mas fundamentalmente no seu enquadramento alentejano!

http://www.corkqc.com/webtree.jpg

Já repararam neste monumento?

Um sobreiro saudável é um monumento à vida. É um monumento ao Alentejo, e se bem enquadrado é um monumento inegualável em qualquer região onde predomina. No Alentejo, são irmãos verdadeiros na formação da paisagem, o sobreiro e a azinheira! Eu acho-os únicos.

http://www.naturlink.pt/uploads/{3B81EFF7-B6B7-45E2-BAE3-CE8270BD9C70}.jpg

Esta foto faz inveja a qualquer quadro dos melhore pintores, daqueles que valem milhões!

Não há nada melhor que uma caminhada entre um montado, englobado por uma biodiversidade sem fim. Ver grandes fetos e matagais envolvendo grandes montados e ouvir a água corrente de uma cachoeira, cercada por silvados floridos ou cheios de amoras! A nosso lado, envolvendo-nos no seu todo o esvoaçar da pequena passarada e o cruzar dos gaios e das rolas, ao mesmo tempo que se vêm aqueles novelinhos negros a convidar-nos para os seguirmos pelas sombras destas árvores maravilhosas!

http://www.cidadevirtual.pt/p.e.monsanto/imagens/s2_2b.jpg

É disto que eu gosto. Matos selvagens, quase impenetráveis!

http://www.minerva.uevora.pt/publicar/cortica/adulto2.jpg

Grande beleza

E fico triste quando vagueio pelas planícies e morros do Alentejo e vejo autênticos remendos castanhos dos sobreiros mortos pelas doenças que os ameaçam!

Doenças do Sobreiro
· Burgo
· Lagarta do sobreiro
· Gorda
· Portésia
· Lagarta verde
· Cobrinha dos ramos
· Cobrinha da cortiça
. Ferrugem amarela entrecasco
. Carvão entrecasco

Há alguns anos, notavam-se muitas zonas mortas, nos montados alentejanos. Ainda há pouco tempo reparei nos vales do cercal a acção destas doenças sobre os sobreiros, quer de idades curtas, quer de idades médias e de idades avançadas!

http://www.alentejo-reisen.com/alentejo.jpg

Uma floresta de sobro é uma floresta rica e até os cogumelos proliferam para ajudar a matar a fome algures por esse mundo fora!

http://www.valegrifo.com/alentejo/alentopics/Cork%20stripping.JPG

Também se ouve muito pelo Alentejo, as pessoas remediadas dizerem que esperam a apanha da cortiça para ajustar as contabilidades das suas vidas domésticas! Como verem-se livres dos créditos e, ou, colmatarem as suas mais prementes necessidades!

http://www.viveiro-jaimedias.com/maves/rolas/gifs/roladiamante.jpg

Uma das minha queridas amigas rolas

manel
15-06-2003, 13:59
Caros Amigos,

só para acrescentar de que quando se faz o descortiçamento do sobreiro, este é marcado a tinta, o ano em que aconteceu. Para que se possa saber qual o próximo ano da mesma operação.

http://www.alentejodigital.pt/beja/valor/arvore.jpg http://www.dgf.min-agricultura.pt/v4/dgf/imageset/img060.gif

Iatros
13-07-2003, 10:49
FEATURE-Portuguese cork wakes up to synthetic wine stoppers

13/07/2003 07:01

By Martin Roberts

SANTANA DO MATO, Portugal, July 13 (Reuters) - Just as he has done every summer for the past 50 years, Antonio Jose Boneco is busy stripping bark from cork trees in southern Portugal.

But whether his grandchildren will still be stripping the same trees in another 50 years will very much depend on whether new technology and branding embraced by the cork industry can face off a challenge from synthetic bungs.

"It's a question of quality demarcation, just as you prefer to wear a cotton shirt," said Roderick Reynolds, who farms 400 hectares (990 acres) of cork groves near the village of Santana do Mato, 70 km (45 miles) east of Lisbon.

"We face the same battle as cotton, silk, linen and wool," he added while giving directions to Boneco and other workers.

Portugal is the world's biggest producer of natural cork, a time-consuming business which could be squeezed out by plastic stoppers that are far easier to make and claim to preserve the taste of wine better.

Cork makers estimate synthetic rivals have already eaten away eight percent of a market which earns Portugal 900 million euros ($1 billion) a year in exports.

Environmental and wildlife groups have warned that a big drop in natural cork sales could make farmers abandon ancient cork groves, which help prevent desertification in much of Portugal and neighbouring Spain.


HOME TO ENDANGERED SPECIES

Known as "montados" in Portugal and "dehesas" in Spain, cork groves are also home to endangered species like the Iberian lynx and the Spanish imperial eagle and rare birds like the booted eagle, black vulture and turtle dove.

"If current trends continue, the wildlife-rich montados and dehesas could disappear within 20 to 30 years," a report by Britain's Royal Society for the Protection of Birds said.

Portuguese manufacturers have responded by promoting cork's unique properties and spending an estimated 400 million euros on improving quality in the past five years. They plan to invest another 500 million in the next three years.

"Whoever cares for their grandchildren plants cork," goes the old saying in Portugal's sun-scorched Alentejo region. Cork oaks are well suited to the arid, sandy landscape in Alentejo, whose poor inhabitants are stereotyped as backwoods farmers.

The cork oak can renew its bark, but it takes at least 40 years to produce useful cork. The tree can then only be stripped every nine years out of a working life of 150 to 200 years.

Workers like Boneco step in for two months a year, wielding their axes with precision to cut the bark. They then loosen it with blows using the back of the axe, before carefully prising off semicircular strips with the axe handles.

About the only thing that has changed about the job in centuries is the care taken to cut off the lower part of the bark, which may be contaminated with fungi that can taint the wine. Harvested bark is now carted off by tractor, not donkeys.


STATE-OF-THE-ART

But in nearby Ponte de Sor, the process of stamping out corks from bark in the Subercentro works has modernised almost beyond recognition, part of an effort to update the industry and win back a reputation for quality.

One aim of modernisation is to combat a powerful chemical known as TCA, recently identified as being responsible for the taste of wine being spoiled or "corked".

Subercentro has more computers than workers. Each cork is gauged by a dozen lasers and checked for flaws by electronic cameras before being hermetically packed in sulphur dioxide to prevent mustiness.

"I know this doesn't even look like a cork factory," plant manager Paulo Ribeiro said. "But we are very aware that we deal in a natural p




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