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#1 |
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Aos poetas
Desilusão
Deixei que fluisse escorregasse Segura, gritei Agarra, murmurei Em vão ... Perdão ! Falhei falhaste Morreu desapareceu
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Blue velvet ... blue moon ... Blues Last edited by Blue; 18-06-2003 at 10:47. |
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#2 |
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Quico, o bichano
É vaidoso e dengoso o bichano Sobre tudo opina Entre gente fina É ouvi-lo falar de fulano e sicrano E muito aninhado em cima do sofá adormece E esquece Vidas passadas na rua A fome que aperta E a morte tão certa Sob o manto claro da lua E muito satisfeito De cima do sofá pula E gesticula Que bela soneca fiz agora Sou um felpudo Muito sortudo nesta familia que me adora (Um presente para o Ventor)
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#3 |
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Joana
Joaninha, Joaninha Mas se ainda nem caminha Quanto mais poder voar O olhar, de azul profundo Pronto a engolir o mundo ... É vê-la a chegar aos sete Com a traquinas ninguém se mete E deêm-lhe outros tantos dez E tem os homens a seus pés Mas por enquanto é criança ... Espelha no sorriso a esperança E de orgulho enche o peito Cali, que grande feito ! Fazemos-te, Amigo, uma saudação A Joana mora no nosso coração
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Blue velvet ... blue moon ... Blues Last edited by Blue; 28-05-2003 at 17:53. |
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#4 |
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Longe
O mais longiquo longe é o longe de ti. O longo tempo sem te ter, A distancia do teu não ser. Mais duro que a dor é saber que não estou, Aì contigo, para onde sempre vou. Em ti, onde sei que sou. Perdido de ti, estou perdido de mim. Assim procuro-me, Nos esconsos das memórias que não existiram, Nos tempos que eu sonho mas nunca houveram. Megulho num futuro, Num vazio onde não estás mas eu te quero. Grito. Corro. Caio. E assim fico, de rosto na terra que tu és. E eu sou só vento que passou. ![]() Pablo Picaso / Olga.
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#5 |
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Buganvilia
Maio florido lembrança do amor perdido Como lágrimas na chuva as tuas cores vão-se esbatendo Tal como as promessas trocadas de almas entrelaçadas e eternas gargalhadas até o tempo esgotar e o universo acabar Flor de mil tons e cores Guardiã de tantos amores Rosa, vermelho e lilás a cor tanto faz Para mim és Maio florido Lembrança do amor perdido Já não te vejo, perdi-te Não ... Não ! Guardo-te no coração Perto da recordação daquele amor perdido num Maio florido ...
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Blue velvet ... blue moon ... Blues Last edited by Blue; 18-06-2003 at 10:48. |
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#6 |
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Ausente
Tu não estás.
Eu sei, mas vejo-te. Tu já não és. Eu sei, mas sinto-te. Eu nunca fui. Tu sabes mas não te importas. Eu nunca estive. Tu sabes e me procuras. Caminhos escuros de memórias diferentes. Rotas claras de sonhos iguais. Tu És. Eu, talvez. Tu Existes. Eu, duvido. Tu dizes Sim. Eu grito até sempre. Sempre tu, sempre. Sempre é agora, estás aì? Linhas cortadas, Vidas destroçadas, Sorrisos de marfim, Vai! Foge de mim. Foge ao teu destino Parte Foste. ![]()
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Live Forever Last edited by gatsby; 15-06-2003 at 02:04. |
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#7 |
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Descobri um poema muiito simples e não resisti a colocá-lo aqui. Este não é meu...
Dorme, deita-te. Deita-te, dorme. Ó Sol claro, põe-te, põe-te escuro. Tu também, lua clara. foge, afoga-te. Lamenta montanha, lamenta irmã, lamenta comigo: tu, montanha, por tuas folhas, eu, por minha mocidade. Mas as tuas folhas, montanha irmã, vão voltar para ti, A minha mocidade, montanha irmã voltará jamais. "Zaidi Zaidi" (Macedónia tradicional)
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#8 |
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Registered User
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ei solidão, vem-me fazer companhia.
o teu manto aquece, o meu corpo morto. só. pouco para dizer, nada para sentir. suave perda... ![]()
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#9 |
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Registered User
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Solidão
Solidão... Entra pela porta e não sai Por favor, peço-te, vai Não te quero por companhia a envolver-me noite e dia Solidão... Absorves o que resta de mim deixas um vazio sem fim sei as tuas manhas de cor Procura outro amante melhor Solidão... A luta entre nós é desigual nem sabes que me fazes mal Chegas sempre ao sabor do vento e partes, deixando só um lamento
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#10 |
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Registered User
Join Date: Apr 2003
Location: Under the Sun
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Fiquei só neste imenso areal. Espero por ti ... A maré começa a subir, as gaivotas já não me fazem companhia. Oiço ao longe o barulho da cidade ...cada vez mais ténue ... a cidade adormece. O horizonte funde-se agora com o mar, passam a ser só um. E nós ? Tu Sol, eu Lua, desencontros constantes num céu infinito, escondidos pelo manto das nuvens. Um pescador acorda-me ... veio de longe, traz o sal incrustado na pele. Sorri e diz-me: - Hoje via-a. A minha sereia ... Ela vive entre a espuma das ondas, eu ... no meu barco de madeira. Apertei a sua mão áspera entre as minhas e sorri-lhe. Amanhã volto à praia ... e depois de amanhã ... e depois, depois de amanhã ... e depois ... (dedicado àqueles que ainda acreditam em musas, sereias e outros seres míticos ...)
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#11 |
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Registered User
Join Date: Mar 2003
Location: Onde as paralelas se encontram
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O meu silêncio
de puro espanto seria o bastante para te agradecer mas aí ficavam as paredes nuas as casas vazias e os rostos tristes por isso afago as palavras sinto-lhes a forma e encontro a maneira que espero certa de te dizer obrigado!
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'Que nenhuma pedra fique por virar' - www.findmadeleine.com |
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#12 |
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Registered User
Join Date: Mar 2003
Location: Onde as paralelas se encontram
Posts: 4,594
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Movo-te em mim
nos meus braços em pétala seguro a flor que o meu desejo criou e movo-te em mim da água não passa a semente que ressurge eterna no esplendor da luz e movo-te em mim como uma canção que aprendi abre-se a mão como quem chega de longe e movo-te em mim para adormecermos tu e eu um no outro em sonhos diluídos de nós e movo-te em mim para estarmos sós e perto das distâncias em que se faz a voz movo-te em mim como se fosse a primeira vez e adormecemos nos meus braços Inês Funchal, 20/7/03
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'Que nenhuma pedra fique por virar' - www.findmadeleine.com Last edited by Mohandas; 20-07-2003 at 16:16. |
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#13 |
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Registered User
Join Date: Mar 2003
Location: Imenso Azul
Posts: 7,606
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Quando eu souber do rio que há na fonte
E das marés que há em mim Hei-de cruzar linhas ao horizonte E navegar mares sem fim Hei-de ir a Tóquio, ver o sol nascer E a Timor, contra Suharto E ao sol-pôr, virei adormecer No remanso do teu quarto. (inacabado)
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O tempo fez-me a promessa De vivermos em comum Só que o tempo teve pressa E não me deu tempo nenhum. João Leonel (O Retornado) Improvisador ao desafio cá na ilha. |
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#14 |
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Utilizador
Join Date: Mar 2003
Location: Virgin Islands
Posts: 12,222
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Quando me dá as boas-vindas De braços bem abertos Sinto-me como aqueles viajantes que regressam Das longínquas terras de Punt. Tudo se muda; o pensamento, os sentidos, Em perfume rico e estranho. E quando ela entreabre os lábios para beijar Fico com a cabeça leve, fico ébrio sem cerveja. Se fores à casa coberta de hera Antes dos outros convidados chegarem, Põe-te à vontade Na sala dos banquetes. As flores mexem-se com a brisa, A qual, se não estiver toda envolta em perfume, Há-de conseguir levar até ti Pelo menos a excelência de alguma da sua fragância. O perfume alastra, A embriaguês começa. Aquela rapariga ali, a que se parece com Noubt: Se tiveres a sorte de a receber como presente, Meu amigo, deves estar preparado para oferecer em sacrifício a tua vida Pois é a única coisa que podes dar em troca. A mansão do meu amor tem portas duplas, Abertas de par em par. Agora que se dana zangada Eu queria ser o seu guarda E receber as chicotadas da sua língua. Assim poderia ouvi-la quando está zangada, Como o ouriço novo a chiar de terror. Poemas de Amor do Antigo Egipto.
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A Liberdade não é um presente do céu, tens que lutar por ela todos os dias. Simon Wiesenthal, caçador de nazis, judeu ucraniano naturalizado austríaco. |
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#15 |
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Registered User
Join Date: Mar 2003
Location: Onde as paralelas se encontram
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Eu sei que vens
Tarde ou cedo no Outono vais chegar Trarás contigo a chuva ou talvez não poderá ela trazer-te a ti água de rosas de sorrisos e mensagens porque assim é qualquer chegada Ou pode nem querer vir a chuva não é teu nome nem imagem nem sequer sede de cá estar não é imperativo que venha como de ti se espera e virás como todas as águas que acabam por retornar ao ventre de que tu te afastas Sei que virás e aguardo em serena espera com estas mãos ansiosas de te afagar FL 27/7/03
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