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Old 04-08-2003, 20:36   #16
Mohandas
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Location: Onde as paralelas se encontram
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Hoje
apetecia-me ser feliz
com mornas e coladeras
em abraços aos sonhos

mas arde o ventre da mãe Terra
e os homens choram
desesperados na fuga das encostas
onde o vento se agita
em feéricas danças de Piro

recebo a tristeza como partilha
e dói-me também
o queimar das flores
a fuga das borboletas
a morte dos pássaros

e uma lágrima vem molhar a música
e não consigo sorrir

(consternado pelo país que arde)
Funchal, 4 de Agosto de 2003
__________________
'Que nenhuma pedra fique por virar' - www.findmadeleine.com
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Old 12-09-2003, 23:00   #17
Blue
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Sem fim

Não houve despedida
nem uma lágrima, nem um adeus
nem um aceno no cais
Apenas um partida
para onde só tu vais

O momento é eterno
perdura mesmo sem ti, sem mim
Todos os dias partes
para aquele horizonte sem fim

E a repetição leva à loucura
e a loucura leva-me ao cais
Leva-me sonâmbula à procura
de memórias que não voltam mais
__________________
Blue velvet ... blue moon ... Blues
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Old 23-09-2003, 21:44   #18
Ventor
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Destruir Ninive



Ninive

Ao som das trombetas de Nabopolassar
Se movem homens, animais e carrroças
Nas margens do Eufrates estão a passar.
Se ouvem berrar camelos de bossas!

Junto ao grande rio, lento e sereno,
Que já prestou homenagem a Nemrod
Se espelha nas águas um leão pequeno,
Que do seu pelo a poeira sacode.

Logo um frecheiro aponta seu arco,
Flecha na mão p’ra ferir o animal
Escorregou na areia e caiu num charco
Não sofrendo o bicho qualquer mal.

Subindo os outeiros rumo a norte,
Deixando para trás um lastro de pó,
Poderoso exército com grande suporte
E a seu lado Ventor sempre só!

Nas altas colinas sorria Diana,
Perante nuvens que em frente se movem
Cabelos ao vento a ninguém engana
Pede a Ventor que seus lábios provem.

Junto a Ninive o exército faz alto
Cada um se amanha conforme pode,
E logo em frente noutro planalto,
Se encontra Ventor com Nemrod

Amigos de sempre nunca esquecidos,
Por outros amigos de outros combates
Perante o inimigo nunca estão perdidos,
E nunca cometem quaisquer dislates.

Apontam os arcos direito à cidade,
E põem em marcha seus esquadrões,
Assaltam muralhas que na verdade,
Escondem o medo dos seus guardiões.

Ventor irado, forte e sisudo,
Fixa Nemrod na sua tristeza
A cidade que ele construiu e tudo,
Caía assaltada devido à avareza,

Num chão de pó com cheiro a queimado,
Encontrou Ventor, Sinsariskun ledo,
Avançou num porte erecto e irado,
E Sinsariskun se apossou do medo.

E quando já tudo, parecia acabar,
Vindo do tempo entrou Nemrod.
Esta terra é de Nabopolassar,
Ele a governa porque ele pode!

Tudo em volta é terra de Kush,
Todo o meu reino me custou a criar.
Linda e bela era Babilónia!
Todos os inimigos eu vou arrasar.
E para todos sem parcimónia,
Haverá a lança de Nabopolassar.


Assalto a Ninive

Esta poesia faz parte das façanhas históricas de Ventor no planeta Terra, e é cantada pelo seu amigo Gilgamesh, que em sonho lhe inculquei na cabeça.
__________________
2008, O Ano Internacional do Ambiente?
Ventor diz: todos os anos devem ser anos internacionais do AMBIENTE!

Last edited by Ventor; 23-09-2003 at 21:49.
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Old 22-10-2003, 17:21   #19
gatsby
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pour toi

Quand on n'a que l'amour
A s'offrir en partage
Au jour du grand voyage
Qu'est notre grand amour
Quand on n'a que l'amour
Mon amour toi et moi
Pour qu'éclatent de joie
Chaque heure et chaque jour
Quand on n'a que l'amour
Pour vivres nos promesses
Sans nulle autre richesse
Que d'y croire toujours
Quand on n'a que l'amour
Pour meubler de merveilles
Et couvrir de soleil
La laideur des faubourgs
Quand on n'a que l'amour
Pour unique raison
Pour unique chanson
Et unique secours

Quand on n'a que l'amour
Pour habiller matin
Pauvres et malandrins
De manteaux de velours
Quand on n'a que l'amour
A offrir en prière
Pour les maux de la terre
En simple troubadour
Quand on n'a que l'amour
A offrir à ceux-là
Dont l'unique combat
Est de chercher le jour
Quand on n'a que l'amour
Pour tracer un chemin
Et forcer le destin
A chaque carrefour
Quand on n'a que l'amour
Pour parler aux canons
Et rien qu'une chanson
Pour convaincre un tambour

Alors sans avoir rien
Que la force d'aimer
Nous aurons dans nos mains
Amis le monde entier.






Jacques
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Old 15-11-2003, 19:50   #20
Blue
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O QUE É A POESIA?

(Este devia ter sido o 1º texto deste Post, mas só agora o descobri. Obrigada, Moh )



MARIA - O que é a poesia?! Um caso de vida ou de morte, nem mais nem menos... É o futuro lido na metáfora de cristal: daqui a vinte e cinco anos, boa parte do planeta ficará sem água. Os nossos filhos vão morrer envenenados com coca-cola, e outros hão-de esticar o pernil fulminados pela radiação da pastilha elástica, e outros desenvolverão cancros de pele mesmo protegidos com óculos de corpo inteiro, e outros hão-de ser comidos pelos vírus, bactérias, esses millhões de novas espécies que habitam nas partes baixas do computador...

ESTELA – Vade retro!... Nada te proíbe de escrever sobre assuntos de imediatez presencial, que interessam até aos pobrezinhos, e é notório que o ciberespaço está a matar a literatura impressa na celulose ao natural, porém estes assuntos de tanto quilate sócio-político não farão dos textos poesia. A poesia não se confunde com palavras. E o que acabaste de dizer nem sequer é teu, plagiaste o discurso milenarista que anda por aí de hissope na mão a esparrinhar ideologia ambiental para todos os lados. Que garantias da verdade desse fim do mundo podes apresentar?

MARIA - Já Caeiro dizia...

ESTELA - Mas qual Caeiro nem meio Caeiro?! Esse por acaso não é o das odes às ervas? A poesia não é horticultura, os poetas não têm de se pôr de cócoras diante de outros poetas, não têm de prestar vassalagem a filósofos, a políticos nem a religiões, e nem sequer têm de obedecer a receitas de escolas literárias, ainda que pontifiquem nelas. A poesia é o último reduto da liberdade na jaula do culto da aparência, da tirania do “não fumes”, “não bebas”, do não isto e não aquilo, e não a coisas ainda melhores! Não há sempre-em-pé que não dê palpites sobre o que a poesia deve ser! A poesia não é, por definição. Por definição, se era alguma coisa, deixa logo de o ser quando alguém quer agarrá-la nas malhas desta ou daquela rede. A poesia está do lado do não, não a toda a forma de magistério e manobra de domesticação do cérebro.

MARIA – Sim, sim... Bem se vê que és poeta, o poeta é que não aceita ser domesticado, e ainda menos enganado por ideologias, paradigmas, religiões, tudo estratégias de dominação... O poeta deseja a verdade, deve mesmo ser o último bastião dela, porque tudo o mais é jogo de conveniências e convenções, propaganda mais ou menos disfarçada.

GUEDES – Se me deixarem, também gostava de mandar uma boca... É que de facto a ciência e a religião tentam dominar os outros com a sua retórica, defendendo a primeira que só há uma forma de conhecimento importante, o científico, e a segunda que só há um conhecimento verdadeiro, o da revelação. Ora a Poesia dispõe de uma fonte de conhecimento próprio, sem exclusão de outros, que precisa de ser proclamado como garantia de independência...

MARIA ESTELA GUEDES – A inspiração, é verdade! É verdade que a inspiração é um modo de conhecimento tão válido como o científico e a revelação. Revelação é o conhecimento que vem do Sublime, conhecimento científico é o que vem da convenção do natural, apenas material e exterior, ao passo que a inspiração vem de dentro, é ciência infusa, meio de comunicação com o Sublime. Por isso a Poesia não é a gavetinha do isto nem do aquilo, sim a ilimitada aventura do voo que cada poeta empreende nela.

de Maria Estela Guedes
in www.ofulgordalingua.com
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Last edited by Blue; 16-11-2003 at 13:30.
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Old 05-12-2003, 21:43   #21
Blue
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Meu amor pequenino



Semente que desabrocha em vida
Amor que cresce, matura
um amor fiel que perdura
ultrapassando a própria morte

Quem me dera tal sorte !

Proteger-te dos medos,
defender-te dos perigos
Dói tanto a ansiedade ...
Mas a soberana vontade
exige provas sem fim

Milagre tão esperado
Poema inacabado

Quero dar-te tudo de mim !
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Old 06-01-2004, 20:44   #22
Blue
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Este Natal fiquei a conhecer Haiku, poesia japonesa que remonta ao séc. XVII. É engraçada de tão simples que é.

O Haiku é um pequenissimo poema, normalmente com 3 linhas apenas e um total de dezassete sílabas, que usa imagens concretas para criar a sensação de toque, cheiro e paladar.

Faz lembrar os jogos de criança, em que repetíamos e brincávamos com as palavras novas que aprendíamos.

A antologia que tenho (em inglês, claro ...) está dividida pelos elementos: madeira, fogo, terra, metal e água.

Um exemplo de Terra:

"day's end
emptying the beach
from my shoe"

E de Água:

"short cut;
splashing through the water
of summer rains"

Se quiserem mais, peçam. Aqui a cultura é de borla ...
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Old 06-01-2004, 22:53   #23
jleandro
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quando quizeres......
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faz-me o favor de seres feliz (adaptação duma frase do Raúl Solnado)
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Old 07-01-2004, 19:41   #24
gatsby
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o Haiku é belíssimo mas muitas vezes de dificil tradução (ou impossivel mesmo) sem que se perca o seu singificado e lógica, e ao mesmo tempo de dificil 'entendimento' por uma sociologia ocidental nada dada a 'momentos de deleite, só por isso mesmo, pela contemplação do que nos dá deleite.

Finalmente a regra é obra, tentem cumpri-la de um modo perfeito e sentido e com arte...
nada facil, e só mesmo um povo por um lado profundamente metódico e por outro totalmente contemplativo inventaria o Haiku.

reparem no haiku que Blue nos apresenta sobre a água:

(tradução livre minha):

corto o caminho;
chapinando através das águas
de chuvas de verão


reparem o que vos (?) transmite esta leitura:
- leveza
- uma imagem quase fotográfica
- apesar de quase fotográfica é fugidia porque parte para algum lado
- luz
- sorrisos na personagem.
- vontade de o/a seguir
- sonho
-liberdade
- e, e, e...

só com 7 palavras ...

e deixo este de prenda, a blue...


Old pond...
a frog leaps in
water's sound

Matsuo Basho
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Last edited by gatsby; 07-01-2004 at 19:44.
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Old 07-01-2004, 20:18   #25
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No sky
no earth - but still
snowflakes fall


HASHIN
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Old 07-01-2004, 20:19   #26
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Right at my feet -
and when did you get here,
snail?


Issa
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Old 07-01-2004, 20:20   #27
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I kill an ant
and realize my three children
have been watching.


Kato
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Old 07-01-2004, 20:34   #28
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In all this cool
is the moon also sleeping?
There, in the pool?


Ryusui
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Old 07-01-2004, 22:46   #29
Blue
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2004, tens esta antologia ? E tu também Gatsby ?

Que maravilha, afinal não fiquei a falar sozinha, mais 3 admiradores de Haiku.

Gatsby, adorei o chapinhar, lembra-me sempre crianças a pular dentro das poças de água.

E mais um para o JL, a cheirar a Madeira:


the coolness -
growing straight, the branches
of a wild pine


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Old 06-02-2004, 23:04   #30
Blue
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Trouxeram Florbela aqui ... Florbela a insaciável, a inquieta, a insatisfeita ... Florbela, aquela cujo mal foi ser ela de mais para uma só ...

"Tão expressivamente feminina ..."

EU

Até agora eu não me conhecia,
Julgava que era Eu e eu não era
Aquela que em meus versos descrevera
Tão clara como a fonte e como o dia.

Mas que eu não era Eu não o sabia
E, mesmo que o soubesse, o não dissera ...
Olhos fitos em rútila quimera
Andava atrás de mim ... e não me via !

Andava a procurar-me - pobre louca !-
E achei o meu olhar no teu olhar,
E a minha boca sobre a tua boca !

E esta ânsia de viver, que nada acalma,
É a chama da tua alma a esbrasear
As apagadas cinzas da minha alma!

__________________
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