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#16 |
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Location: Onde as paralelas se encontram
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Hoje
apetecia-me ser feliz com mornas e coladeras em abraços aos sonhos mas arde o ventre da mãe Terra e os homens choram desesperados na fuga das encostas onde o vento se agita em feéricas danças de Piro recebo a tristeza como partilha e dói-me também o queimar das flores a fuga das borboletas a morte dos pássaros e uma lágrima vem molhar a música e não consigo sorrir (consternado pelo país que arde) Funchal, 4 de Agosto de 2003
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'Que nenhuma pedra fique por virar' - www.findmadeleine.com |
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#17 |
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Sem fim
Não houve despedida
nem uma lágrima, nem um adeus nem um aceno no cais Apenas um partida para onde só tu vais O momento é eterno perdura mesmo sem ti, sem mim Todos os dias partes para aquele horizonte sem fim E a repetição leva à loucura e a loucura leva-me ao cais Leva-me sonâmbula à procura de memórias que não voltam mais
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Blue velvet ... blue moon ... Blues |
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#18 |
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Destruir Ninive
![]() Ninive Ao som das trombetas de Nabopolassar Se movem homens, animais e carrroças Nas margens do Eufrates estão a passar. Se ouvem berrar camelos de bossas! Junto ao grande rio, lento e sereno, Que já prestou homenagem a Nemrod Se espelha nas águas um leão pequeno, Que do seu pelo a poeira sacode. Logo um frecheiro aponta seu arco, Flecha na mão p’ra ferir o animal Escorregou na areia e caiu num charco Não sofrendo o bicho qualquer mal. Subindo os outeiros rumo a norte, Deixando para trás um lastro de pó, Poderoso exército com grande suporte E a seu lado Ventor sempre só! Nas altas colinas sorria Diana, Perante nuvens que em frente se movem Cabelos ao vento a ninguém engana Pede a Ventor que seus lábios provem. Junto a Ninive o exército faz alto Cada um se amanha conforme pode, E logo em frente noutro planalto, Se encontra Ventor com Nemrod Amigos de sempre nunca esquecidos, Por outros amigos de outros combates Perante o inimigo nunca estão perdidos, E nunca cometem quaisquer dislates. Apontam os arcos direito à cidade, E põem em marcha seus esquadrões, Assaltam muralhas que na verdade, Escondem o medo dos seus guardiões. Ventor irado, forte e sisudo, Fixa Nemrod na sua tristeza A cidade que ele construiu e tudo, Caía assaltada devido à avareza, Num chão de pó com cheiro a queimado, Encontrou Ventor, Sinsariskun ledo, Avançou num porte erecto e irado, E Sinsariskun se apossou do medo. E quando já tudo, parecia acabar, Vindo do tempo entrou Nemrod. Esta terra é de Nabopolassar, Ele a governa porque ele pode! Tudo em volta é terra de Kush, Todo o meu reino me custou a criar. Linda e bela era Babilónia! Todos os inimigos eu vou arrasar. E para todos sem parcimónia, Haverá a lança de Nabopolassar. ![]() Assalto a Ninive Esta poesia faz parte das façanhas históricas de Ventor no planeta Terra, e é cantada pelo seu amigo Gilgamesh, que em sonho lhe inculquei na cabeça.
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2008, O Ano Internacional do Ambiente? Ventor diz: todos os anos devem ser anos internacionais do AMBIENTE! Last edited by Ventor; 23-09-2003 at 21:49. |
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#19 |
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pour toi
Quand on n'a que l'amour
A s'offrir en partage Au jour du grand voyage Qu'est notre grand amour Quand on n'a que l'amour Mon amour toi et moi Pour qu'éclatent de joie Chaque heure et chaque jour Quand on n'a que l'amour Pour vivres nos promesses Sans nulle autre richesse Que d'y croire toujours Quand on n'a que l'amour Pour meubler de merveilles Et couvrir de soleil La laideur des faubourgs Quand on n'a que l'amour Pour unique raison Pour unique chanson Et unique secours Quand on n'a que l'amour Pour habiller matin Pauvres et malandrins De manteaux de velours Quand on n'a que l'amour A offrir en prière Pour les maux de la terre En simple troubadour Quand on n'a que l'amour A offrir à ceux-là Dont l'unique combat Est de chercher le jour Quand on n'a que l'amour Pour tracer un chemin Et forcer le destin A chaque carrefour Quand on n'a que l'amour Pour parler aux canons Et rien qu'une chanson Pour convaincre un tambour Alors sans avoir rien Que la force d'aimer Nous aurons dans nos mains Amis le monde entier. Jacques
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#20 |
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O QUE É A POESIA?
(Este devia ter sido o 1º texto deste Post, mas só agora o descobri. Obrigada, Moh
)MARIA - O que é a poesia?! Um caso de vida ou de morte, nem mais nem menos... É o futuro lido na metáfora de cristal: daqui a vinte e cinco anos, boa parte do planeta ficará sem água. Os nossos filhos vão morrer envenenados com coca-cola, e outros hão-de esticar o pernil fulminados pela radiação da pastilha elástica, e outros desenvolverão cancros de pele mesmo protegidos com óculos de corpo inteiro, e outros hão-de ser comidos pelos vírus, bactérias, esses millhões de novas espécies que habitam nas partes baixas do computador... ESTELA – Vade retro!... Nada te proíbe de escrever sobre assuntos de imediatez presencial, que interessam até aos pobrezinhos, e é notório que o ciberespaço está a matar a literatura impressa na celulose ao natural, porém estes assuntos de tanto quilate sócio-político não farão dos textos poesia. A poesia não se confunde com palavras. E o que acabaste de dizer nem sequer é teu, plagiaste o discurso milenarista que anda por aí de hissope na mão a esparrinhar ideologia ambiental para todos os lados. Que garantias da verdade desse fim do mundo podes apresentar? MARIA - Já Caeiro dizia... ESTELA - Mas qual Caeiro nem meio Caeiro?! Esse por acaso não é o das odes às ervas? A poesia não é horticultura, os poetas não têm de se pôr de cócoras diante de outros poetas, não têm de prestar vassalagem a filósofos, a políticos nem a religiões, e nem sequer têm de obedecer a receitas de escolas literárias, ainda que pontifiquem nelas. A poesia é o último reduto da liberdade na jaula do culto da aparência, da tirania do “não fumes”, “não bebas”, do não isto e não aquilo, e não a coisas ainda melhores! Não há sempre-em-pé que não dê palpites sobre o que a poesia deve ser! A poesia não é, por definição. Por definição, se era alguma coisa, deixa logo de o ser quando alguém quer agarrá-la nas malhas desta ou daquela rede. A poesia está do lado do não, não a toda a forma de magistério e manobra de domesticação do cérebro. MARIA – Sim, sim... Bem se vê que és poeta, o poeta é que não aceita ser domesticado, e ainda menos enganado por ideologias, paradigmas, religiões, tudo estratégias de dominação... O poeta deseja a verdade, deve mesmo ser o último bastião dela, porque tudo o mais é jogo de conveniências e convenções, propaganda mais ou menos disfarçada. GUEDES – Se me deixarem, também gostava de mandar uma boca... É que de facto a ciência e a religião tentam dominar os outros com a sua retórica, defendendo a primeira que só há uma forma de conhecimento importante, o científico, e a segunda que só há um conhecimento verdadeiro, o da revelação. Ora a Poesia dispõe de uma fonte de conhecimento próprio, sem exclusão de outros, que precisa de ser proclamado como garantia de independência... MARIA ESTELA GUEDES – A inspiração, é verdade! É verdade que a inspiração é um modo de conhecimento tão válido como o científico e a revelação. Revelação é o conhecimento que vem do Sublime, conhecimento científico é o que vem da convenção do natural, apenas material e exterior, ao passo que a inspiração vem de dentro, é ciência infusa, meio de comunicação com o Sublime. Por isso a Poesia não é a gavetinha do isto nem do aquilo, sim a ilimitada aventura do voo que cada poeta empreende nela. de Maria Estela Guedes in www.ofulgordalingua.com
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Blue velvet ... blue moon ... Blues Last edited by Blue; 16-11-2003 at 13:30. |
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#21 |
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Meu amor pequenino
Semente que desabrocha em vida Amor que cresce, matura um amor fiel que perdura ultrapassando a própria morte Quem me dera tal sorte ! Proteger-te dos medos, defender-te dos perigos Dói tanto a ansiedade ... Mas a soberana vontade exige provas sem fim Milagre tão esperado Poema inacabado Quero dar-te tudo de mim !
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Blue velvet ... blue moon ... Blues |
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#22 |
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Este Natal fiquei a conhecer Haiku, poesia japonesa que remonta ao séc. XVII. É engraçada de tão simples que é.
O Haiku é um pequenissimo poema, normalmente com 3 linhas apenas e um total de dezassete sílabas, que usa imagens concretas para criar a sensação de toque, cheiro e paladar. Faz lembrar os jogos de criança, em que repetíamos e brincávamos com as palavras novas que aprendíamos. A antologia que tenho (em inglês, claro ...) está dividida pelos elementos: madeira, fogo, terra, metal e água. Um exemplo de Terra: "day's end emptying the beach from my shoe" E de Água: "short cut; splashing through the water of summer rains" Se quiserem mais, peçam. Aqui a cultura é de borla ... ![]()
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#23 |
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Moderador
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quando quizeres......
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faz-me o favor de seres feliz (adaptação duma frase do Raúl Solnado) |
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#24 |
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o Haiku é belíssimo mas muitas vezes de dificil tradução (ou impossivel mesmo) sem que se perca o seu singificado e lógica, e ao mesmo tempo de dificil 'entendimento' por uma sociologia ocidental nada dada a 'momentos de deleite, só por isso mesmo, pela contemplação do que nos dá deleite.
Finalmente a regra é obra, tentem cumpri-la de um modo perfeito e sentido e com arte... nada facil, e só mesmo um povo por um lado profundamente metódico e por outro totalmente contemplativo inventaria o Haiku. reparem no haiku que Blue nos apresenta sobre a água: (tradução livre minha): corto o caminho; chapinando através das águas de chuvas de verão reparem o que vos (?) transmite esta leitura: - leveza - uma imagem quase fotográfica - apesar de quase fotográfica é fugidia porque parte para algum lado - luz - sorrisos na personagem. - vontade de o/a seguir - sonho -liberdade - e, e, e... só com 7 palavras ... e deixo este de prenda, a blue... Old pond... a frog leaps in water's sound Matsuo Basho
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Live Forever Last edited by gatsby; 07-01-2004 at 19:44. |
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No sky
no earth - but still snowflakes fall HASHIN |
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Right at my feet -
and when did you get here, snail? Issa |
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I kill an ant
and realize my three children have been watching. Kato |
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#28 |
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In all this cool
is the moon also sleeping? There, in the pool? Ryusui |
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#29 |
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2004, tens esta antologia ?
E tu também Gatsby ?Que maravilha, afinal não fiquei a falar sozinha, mais 3 admiradores de Haiku. Gatsby, adorei o chapinhar, lembra-me sempre crianças a pular dentro das poças de água. E mais um para o JL, a cheirar a Madeira: the coolness - growing straight, the branches of a wild pine ![]()
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#30 |
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Trouxeram Florbela aqui ... Florbela a insaciável, a inquieta, a insatisfeita ... Florbela, aquela cujo mal foi ser ela de mais para uma só ...
"Tão expressivamente feminina ..." EU Até agora eu não me conhecia, Julgava que era Eu e eu não era Aquela que em meus versos descrevera Tão clara como a fonte e como o dia. Mas que eu não era Eu não o sabia E, mesmo que o soubesse, o não dissera ... Olhos fitos em rútila quimera Andava atrás de mim ... e não me via ! Andava a procurar-me - pobre louca !- E achei o meu olhar no teu olhar, E a minha boca sobre a tua boca ! E esta ânsia de viver, que nada acalma, É a chama da tua alma a esbrasear As apagadas cinzas da minha alma!
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